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Opinião

Japão e Cruzeiro pelo Mar da China (Parte XV)

A devolução de Hong Kong da Inglaterra para a China ocorreu no dia 1º de julho de 1997 e essa iniciou o processo de absorver, em sua sociedade criada no comunismo e na burocracia, uma economia que tinha sido exemplo de livre iniciativa sob o tema “Um país, dois sistemas”. Hong Kong tornou-se uma Região Administrativa Especial, onde a liberdade econômica continuou a reinar.

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Marlei Klein
Por Marlei Klein
Foto Divulgação

Reminiscências

Hong Kong é o porto com o maior número de contêineres do mundo. Quando deixou de pertencer à Inglaterra e voltou a pertencer à China os líderes chineses prometeram deixar o sistema econômico inalterado por 50 anos. Os moradores acreditaram na promessa e o êxodo em massa dos chineses de Hong Kong, que os ingleses haviam previsto, não aconteceu. Li Peng, ex-primeiro ministro chinês afirmou que o futuro seria “ainda mais esplêndido” que o passado.

Hong Kong

Quando foi devolvido à China, era um dos territórios mais ricos do mundo. Sua prosperidade se deveu a uma mistura da capacidade de trabalho dos ingleses com a tradição britânica de honestidade no serviço público. O ritmo de crescimento é impressionante. É considerada um dos lugares mais verdes da Ásia. Andar pela cidade é muito agradável com a natureza sempre em destaque. Um dos passeios imperdíveis e mais importantes é uma visita à Ilha de Lantau.

Ilha de Lantau

Fica localizada no delta do Rio das Pérolas. É a maior ilha que compõe o território de Hong Kong. De florestas muito verdes e de terreno montanhoso. Na parte baixa, fica o aeroporto internacional e um parque da Disney. Nela tomamos um moderno “cable car” – teleférico – para fazer a subida até o centro da ilha, pois é montanhoso. O “cable car” faz um dos roteiros mais longos da Ásia. As cabines são para oito pessoas. Estas são todas de cristal inclusive o chão.  São 25 minutos com vista de 360 graus. Vai-se passando por cenários quase intocados, muita selva, pássaros, muito verde. Algumas ruínas e vilas perdidas. Já podíamos visualizar a estátua do grande Bhuda, que fica bem no alto.

Giant Tian Tan Buddaha

O grande Bhuda Sentado- descendo na estação do teleférico percorre-se um caminho ladeado de flores e com muitas lojas, restaurantes e atrações para as crianças. É a maior estátua do mesmo, a céu aberto. Todo de bronze, cabelo encaracolado, com a mão direita elevada. Está sentado no topo da montanha. Uma escadaria de 268 degraus chega até ele. Tem 34 metros de altura e pesa 250 toneladas. Está colocado sobre uma grande flor de lótus, tudo em bronze. Simboliza a harmonia do homem com a natureza e a sua mão elevada é a bênção que Bhuda fica dando a todos os visitantes.

Ngong Ping Village

Os arredores estão repletos de atrações, inclusive com música e grupos de cantantes. Um belíssimo templo, em madeira entalhada, imita o estilo do palácio da Cidade Proibida, em Pequim. No interior do templo, há muitos altares com lanternas e velas cintilando. Três grandes estátuas de Bhuda representam: o passado, o presente e o futuro dele. Os altares estão cobertos por oferendas: flores, frutas e laços de fita. No ar, sempre o perfume do incenso. Tudo muito silencioso leva a momentos de meditação em meio ao misticismo. Apesar do grande número de turistas, o local é de muita tranquilidade e se consegue uma grande paz de espírito.

Monastério De Po Hin

O complexo todo é um local de natureza exuberante. Os jardins, bem cuidados, e sempre, no ar, o agradável perfume do incenso. Grandes vasos de bronze estão em todo o espaço externo para a queima do incenso.  Pessoas, em meio ao fumo que se eleva, fazem pedidos e orações. O monastério é de muitas cores em seus muros e torres. Pertence a monges de vida reclusa, de vestes de cor acastanhada e cabeça raspada. Foi nele que almoçamos. Eles produzem tudo o que consomem. Belas hortas e quintais com árvores frutíferas. No almoço, os pratos servidos foram sempre com vegetais e delicadamente apresentados. Enfeitados com rodelas de limão e flores de laranjeira. O destaque foi para um delicioso macarrão com legumes. A bebida era servida em bules alouçados. Duas opções: água pura ou um suco feito com soja fermentada. Este era estranho, mas bom.  No final, um chá quentinho. O ambiente era muito limpo e iluminado. As toaletes estavam impecáveis. É o maior e mais importante monastério de Hong Kong.

Macau

Lá do alto, na escadaria, visualiza-se Macau. Está numa ilha e foi cidade tomada pelos portugueses, que a queriam transformar numa outra Hong Kong. Fundada em 1557, foi dominada por 442 anos pelos portugueses. Depois, foi devolvida à China. É uma cidade onde, ainda hoje, falam também o português. Na década de 70, refugiados da China Comunista tornaram-se mão-de-obra barata. Mas, dez anos depois, Macau assumiu o posto de maior polo de cassinos do mundo, superando Las Vegas, nos Estados Unidos.

Conclusão

Os países do leste da Ásia estraram no mundo moderno. Mas são as grandes cidades que estabelecem o ritmo com que isso acontece. Não foram apenas os arranha-céus que fizeram Hong Kong a “Nova York” da Ásia, mas o ritmo intenso de trabalho e de negócios. Uma cidade que literalmente nunca dorme. Os operários da construção civil trabalham à luz dos holofotes para atender a demanda constante. Tudo se traduz com o burburinho das ruas, onde, noite e dia, uma população irrequieta, agressiva, altamente motivada, se dedica ao sério trabalho de ganhar dinheiro.

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