Na última quarta-feira, 06 de setembro, foi lançado no Arquivo Histórico Municipal Juarez Miguel Illa Font o livro digital “Erechim 105 anos – Um bom lugar para investir, viver e ser feliz”, do jornalista, escritor e supervisor da Casa da Memória da Unimed Federação/RS, Salus Loch. Este escriba fez a revisão historiográfica da obra de 270 páginas, que contou, ainda, com revisão crítica e gramatical da prof. Elcemina Lúcia Balvedi Pagliosa e revisão jurídica do procurador do Município, Daniel Grossi.
Segundo o autor, “o conteúdo é fruto de ampla pesquisa bibliográfica e de entrevistas, que têm o propósito de mostrar os caminhos percorridos, colaborando com a construção da memória local, além de apontar a direção para onde se deseja chegar”.
Conforme Salus, o livro resgata e valoriza a contribuição de inúmeras pessoas, de diferentes setores e segmentos da sociedade, ao longo destes 105 anos. “Uma cidade com o potencial de Erechim não se constrói sozinha. Chegamos aonde estamos porque milhares de pessoas se somaram ao longo do tempo fazendo com que Erechim seja um bom lugar para investir, viver e ser feliz”, vaticina Loch.
Obras como esta apontam a relevância de espaços como o Arquivo Juarez Miguel Illa Font, que tem em seu acervo fotográfico aproximadamente sete mil fotos digitalizadas e separadas por pastas, tanto na versão física quanto na digital. Um acervo de jornais composto pelos jornais que circularam na cidade e ficam acondicionados em sala específica para o fim. O acervo documental conta com materiais oriundos da prefeitura de Erechim, cerca de 5432 processos crimes da Comarca de Erechim (1912, 1920 a 1969). Conta ainda com fundos mistos, construídos por meio das doações da comunidade, como fotos antigas da cidade, entrevistas com colonizadores e figuras públicas relevantes no período (professores, agrimensores, políticos, advogados, comerciantes).
Sob a perspectiva de que os Arquivos são espaços que não se restringem a acondicionar documentos que saíram da condição de corrente para a de permanente – o próprio Salus sustentou que o livro dificilmente teria sido escrito sem as fontes encontradas no Arquivo Municipal –, nosso espaço carrega elementos construtivos de uma sociedade em um determinado período. Os arquivos, nesse viés, “adquirem uma nova postura, não apenas de guardião da memória, mas, sobretudo, como um espaço de referência da produção do conhecimento, que incita a efervescência da informação de maneira dinâmica e atualizada” (BARROS; AMÉLIA,2009, p. 57).
Tal reflexão nos permite compreender ainda que produzir matérias a partir dos acervos do Arquivo Histórico, pode ocorrer de maneira interdisciplinar, afinal não é somente a história e os historiadores que bebem destas fontes. Ademais, contar / reconstruir / reconstituir a história de um povo é uma tarefa complexa, tendo em vista que no bojo destas pesquisas, elementos podem ser suprimidos / silenciados e / ou realçados a um protagonismo que normalmente não lhe pertenceu. O rigor metodológico neste sentido é fundamental para a execução e o sucesso de uma pesquisa.
Encerro convidando aos leitores para que acessem esse material que está disponível gratuitamente no site da Prefeitura Municipal de Erechim.
Referências
BARROS Dirlene Santos; AMÉLIA Dulce. Arquivo e memória: uma relação indissociável. TransInformação, Campinas, 21(1): p. 55-61, jan./abr., 2009.