A data da independência de um país é a comemoração da ruptura com um passado colonial, distrital ou belicoso. Cabe aos representantes legais (presidente, deputados, senadores, prefeitos, vereadores e governadores) apontarem a importância da soberania nacional. A grande questão é evitar o aviltamento e a apropriação dos símbolos e das datas em prol de um pseudonacionalismo.
Pensar nesta questão exige compreender quais são os símbolos que ornam as datas comemorativas. No Brasil, de acordo com Berg (2015) a partir da Constituição Federal de 1891, “os Estados federados poderiam ter bandeira, hino e brasões próprios, sem deixar de omitir os símbolos nacionais” (BERG, 2015, p. 125). Naquele contexto, sua adoção serviu para fortalecer a noção de brasilidade e o consequente sentimento de pertencimento a nova Nação. “Estes documentos heráldicos podem ser analisados dentro da perspectiva da geografia histórica e cultural, de forma a reconstruir suas práticas e imaginários na cultura cívica no Brasil através do uso da paisagem como tema central de suas representações” (BERG, 2015, p. 125).
Na cidade de Erechim, temos três elementos que buscam consolidar a identidade da comunidade local. O primeiro, é a adoção da bandeira oficial do Município por meio da Lei 1007 de 05 de julho de 1968 promulgada pelo prefeito Eduardo Pinto, cujo Art. 1º versava: “Fica adotada a Bandeira do Município que, conforme o modelo em anexo, que fica fazendo parte integrante desta Lei, será confeccionada nas dimensões de 2,00 x 1,40 de altura, em fundo branco, contendo o Brasão Municipal, ladeado por duas faixas verdes, paralelas, de lado a lado da Bandeira” (A Lei está reprografada no Arquivo Histórico).
O segundo elemento, o Brasão, é de autoria do Vereador Jasson Castro, instituído pelo Decreto Lei nº 28 de 16 de abril de 1959, 138 dias após sua aprovação na Câmara de Vereadores ocorrida na última Sessão de novembro de 1958. Segundo o autor, em um artigo no Jornal a Voz da Serra de 30 de novembro de 1958, o Brasão, de acordo com material disponível no Arquivo Histórico: “O ESCUDO DE ERECHIM lembra o descobrimento e a colonização do Brasil pelos portugueses. A Coroa no alto, representa a cidade sede do Município. O Castelo indica a Inspetoria de Terras, o mais antigo prédio público de Erechim. As Linhas Onduladas representam o Rio Uruguai. A Enxada e o Machado, a luta dos desbravadores. A Montanha simboliza o relevo da região (planalto). Paz e Prosperidade é o lema de nossa cidade”.
O terceiro elemento é o Hino do Município, promulgado pela Lei Número 993 de 18 de abril de 1968, também promulgada pelo prefeito Eduardo Pinto estabelece em seu Art. 1º Fica oficializado o Hino de Erechim, com música e letra de Frederico Schubert, revisão de Osvaldo Engel e letra de Terezinha B. Dilélio - anexa e que fica fazendo parte desta Lei.
Portanto, em datas como o 7 de setembro, jura-se à Bandeira, canta-se o Hino Nacional e desfila-se exaltando a importância da data. Pensar estes símbolos enquanto ferramentas identitárias é fundamental, mas cabe refletir sobre eles para que não se tornem obrigações. É preciso explicar como se consolidaram e sua função na sociedade para que o respeito e a valorização não sejam recebidos como imposição.
Referências
BERG, Tiago José. Geografia e Heráldica: lendo a representação da paisagem nos brasões de armas dos estados brasileiros. In: Geografia Ensino & Pesquisa, 19, especial, 2015; (p. 123-133)