Os triunfos dos ‘minitigres’ asiáticos aconteceram nas últimas décadas do século XX. Hong Kong, Coreia do Sul e Taiwan levaram a glória do sucesso a uma parte do globo mais acostumada com o sofrimento, a tristeza e a pobreza. O fato dos três países igualaram-se às grandes potências industriais é mais surpreendente ainda pelo fato de serem tão pequenos. Há alguns anos, o resto do mundo observou, com admiração e talvez uma ponta de inveja, a chegada dos três “minitigres” do Extremo Oriente a uma posição de destaque na economia mundial praticamente a partir do nada.
Reminiscências
Depois de conhecer Taiwan, aconteceu um dia de navegação no navio cruzeiro. Rumava para Hong Kong. Havia ansiedade por conhecer mais uma parte do Extremo Oriente e, não foi por menos, pois grandes descobertas e conhecimentos iriam surgir.
Porto de Hong Kong
Amanhecia quando o reluzente navio atracou no Porto de Hong Kong. Ficamos na parte descoberta para observar a chegada. Uma grande confusão de rebocadores, barcas, navios de carga e sofisticados navios de cruzeiro. Este movimentado porto de águas profundas, o mais importante do Mar da China, é a alma e o coração da moderna cidade. Hong Kong significa “baía perfumada”. Seu porto é ultramoderno com o maior número de contêineres do mundo.
Antes do milagre econômico
Hong Kong era pouco mais que um rochedo perdido no Mar do Sul da China, quando foi cedido à Inglaterra depois da derrota da China na Guerra do Ópio, em 1842. Taiwan era uma das ilhas mais pobres do mundo, no final da Segunda Guerra Mundial, depois de passar 50 anos como colônia japonesa. A Coreia do Sul estava em ruínas, em 1953, quando terminou a Guerra da Coreia, que dividiu o país em duas Coreias: a do Norte e a do Sul. No período em que esteve sob o domínio dos ingleses, Hong Kong gozou de liberdade econômica. Mesmo na época de Mao Tsé-Tung, na China, a colônia era a única via comercial entre a China e o resto do mundo. Dispunha do capital, dos contatos e do rumo comercial para tirar vantagem da política de “portas abertas” anunciada pelos sucessores de Mao, em 1978. Já em meados da década de 1990, era o porto de contêineres de maior movimento do mundo.
O segredo do sucesso econômico
A prosperidade dos “minitigres” asiáticos deveu-se, em grande parte, à energia produtiva de milhares de pequenas oficinas domésticas. Elas davam conta de grandes encomendas feitas pelo Ocidente. Era comum as famílias viverem e trabalharem no mesmo ambiente. O mesmo aconteceu com os nossos imigrantes europeus, quando chegaram, aqui, no nosso Sul do Brasil. Moravam e trabalhavam no mesmo lugar até conseguirem progredir.
As famílias dos “minitigres” dormiam em esteiras ao lado de máquinas de costurar ou de fazer brinquedos de plástico. O importante era atender aos pedidos no tempo exigido. Trabalhavam 12 por dia ou mais. Era também essencial adaptar-se rapidamente aos caprichos da moda e às necessidades do mercado.
Plásticos e tecidos
Estes foram os dois produtos que dinamizaram a economia. Como não dispunham de matérias-primas em abundância, deram prioridade à indústria de transformação. Hong Kong começou a exportar uma grande variedade de bens de consumo, como brinquedos, peças de vestuário, aparelhos de rádio e televisão, máquinas fotográficas, aparelhos de som e binóculos. Tornou-se um grande centro financeiro e com a maior concentração de bancos do planeta. Logo começou, também, a fabricar componentes para a indústria de computadores e automobilística.
A cidade-estado de Hong Kong
É considerada uma das cidades mais verdes da Ásia. A cidade-estado impressiona por sua organização e consegue conciliar, como em nenhum outro lugar do mundo, as diversidades tão marcantes entre o mundo oriental e ocidental. Cidade fascinante, seja pela sua posição geográfica, por sua mistura de raças, o colorido das luzes. Tudo nela contribui para encantar aqueles que chegam.
Conclusão
Cada momento do dia tem a sua própria magia, mas o crepúsculo talvez seja o mais especial de todos eles. A magia das suas intensas luzes a transformam em outra cidade. Hong Kong é conhecida como a Manhattan da Ásia. A qualquer hora do dia, o Porto parece um ringue de barquinhos de bate-bate, com o Star Ferry costurando o seu caminho em meio a uma confusão de rebocadores, chatas, barcas de passageiros e cintilantes navios de cruzeiro. Barcas brancas e verdes, de dois andares, transportam turistas e trabalhadores para a Ilha de Hong Kong. É um magnífico espetáculo tendo como pano de fundo a floresta de arranha-céus durante o dia. Os edifícios dos bancos e das empresas multinacionais transformam-se em verdadeiras torres de energia iluminadas durante a noite. As fachadas dos altos prédios oferecem verdadeiras obras de arte pelo movimento e troca de luzes. Vale a pena parar e ficar observando tanta criatividade! A noite torna-se um mundo quase irreal!