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Opinião

Atos Cívicos

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Por Henrique Trizoto - Coordenador do Arquivo Histórico

 

Estamos às vésperas do mês em que são comemoradas duas datas simbólicas uma em âmbito federal, o 07 de setembro (Independência do Brasil) e 20 de setembro início da Revolução Farroupilha. No Rio Grande do Sul as comemorações são emendadas.

Pensar acerca destes processos simbólicos exigem a compreensão de que uma comunidade está inserida em um complexo sistema de inter-relações permeada por elementos culturais, que moldam o que se conhece como identidade(s).

“A  identidade  torna-se  uma  “celebração”  móvel:  formada  e  transformada continuamente em relação às formas pelas quais somos representados ou interpelados  nos  sistemas  culturais  que  nos  rodeiam  [...]  A  identidade plenamente  unificada,  completa,  segura  e  coerente  é  uma  fantasia  [...]  à medida  que  os  sistemas  de  significação  e  representação  cultural  se multiplicam,  somos  confrontados  com  a  multiplicidade  desconcertante  e cambiante de identidades possíveis, com cada uma das quais poderíamos nos identificar – ao menos temporariamente” (HALL, 2006, p. 13).

Neste sentido, estas datas representam a consolidação de narrativas e processos históricos que no Brasil nunca fora tranquilo. No governo Vargas, em 1942, por exemplo, temos a proibição do uso de qualquer idioma que não o português em público, por exemplo. Em regiões cuja ocupação da terra se deu por meio da colonização majoritariamente de imigrantes europeus, a ruptura foi traumática. De maneira que as barreiras culturais foram reerguidas, a consolidação de uma brasilidade obrigou uma subjugação da italianidade, polonidade, germanidade e das demais etnias que imigraram para o Brasil.

Neste contexto, temos dois desdobramentos: o primeiro refere-se a consolidação da brasilidade e o segundo o fortalecimento das comunidades de pertencimento, normalmente étnicas. As duas situações em tese são conflitantes na teoria, mas na prática esse conflito é menos incisivo. Pois, a narrativa construída aponta que são os imigrantes que são a força motriz do desenvolvimento brasileiro. Neste sentido, precisamos compreender que A memória não é uma questão de recapitulação e não pode trazer de volta o passado como era antes. Em contraposição, observou Halbwachs; é o presente que detém a iniciativa de desencadear o curso da memória. O que uma vez foi vivido não pode permanecer intacto na memória humana porque o ponto de vista a partir do qual o passado é evocado é fundamentalmente diferente do ponto de vista em que foi vivido (JOVCHELOVITCH, 2000, p. 70).

Ou seja, estes processos são reflexos da necessidade de consolidação de processos identitários, símbolos nacionais e narrativas que atuam como elemento aglutinador perante as diversidades de pensamento de uma comunidade homogênea.

 

Referências

HALL, Stuart. A identidade cultural na pós-modernidade. Tradução de Tomaz Tadeu da Silva e Guacira Lopes Louro. 11. ed.  Rio de Janeiro: DP&A, 2006, 102p.

JOVCHELOVITCH, Sandra. Representações sociais e espaço público: a construção simbólica dos espaços públicos no Brasil [Social representations and public life: the symbolic construction of public spaces in Brazil]. Vozes, 2000.

 

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