“ Caras educadoras [...]”
“O que poderia dizer ainda [...]? Primeira coisa, aquilo que posso dizer em função de minha longa experiência nesse mundo, é que devemos fazê-lo sempre mais bonito. É baseando-me em minha experiência que torno a dizer, não deixemos morrer a voz dos meninos e das meninas que estão crescendo.” “Ensinar é uma aventura criadora.”
“A jovem professora deve estar atenta a tudo, aos mais inocentes movimentos dos alunos, à inquietação de seus corpos, ao olhar surpreso, à reação mais agressiva ou mais tímida deste aluno ou aluna.” “As educadoras precisam saber o que se passa no mundo das crianças com quem trabalham.”
“É necessário darmos oportunidade para que os educandos sejam eles mesmos.” “O que um educador faz no ensino é tornar possível que os estudantes se tornem eles mesmos.” “[...] transformar a experiência educativa em puro treinamento técnico é mesquinhar o que há de fundamentalmente humano no exercício educativo: o seu caráter formador.”
“É nesse sentido que reinsisto em que formar é muito mais do que puramente treinar o educando no desempenho de destrezas [...] Daí a crítica permanentemente presente em mim à malvadez neoliberal, ao cinismo de sua ideologia fatalista e a sua recusa inflexível ao sonho e à utopia.”
“A melhor maneira que a gente tem de fazer possível amanhã alguma coisa que não é possível de ser feita hoje é fazendo hoje aquilo que hoje pode ser feito. Mas se eu não fizer hoje aquilo que hoje pode ser feito e tentar fazer hoje aquilo que hoje não pode ser feito, dificilmente eu farei amanhã aquilo que hoje não pude fazer.”
“Ai daqueles e daquelas, entre nós, que pararem com a sua capacidade de sonhar, de inventar a sua coragem de denunciar e de anunciar. [...] Ai daqueles que em lugar desta constante viagem ao amanhã, se atrelem a um passado [...] de rotina.”
“É preciso ter esperança, mas ter esperança do verbo esperançar; porque tem gente que tem esperança do verbo esperar. E esperança do verbo esperar não é esperança, é espera. Esperançar é se levantar, esperançar é ir atrás, esperançar é construir, esperançar é não desistir! Esperançar é levar adiante, esperançar é juntar-se com outros para fazer de outro modo.”
“A educação, qualquer que seja ela, é sempre uma teoria do conhecimento posta em prática.” “A prática educativa [...] é algo muito sério. Lidamos com gente, com crianças, adolescentes ou adultos. Participamos de sua formação. Ajudamo-los ou os prejudicamos nesta busca. [...] Podemos concorrer com nossa incompetência, má preparação, irresponsabilidade, para o seu fracasso. Mas podemos, também, com nossa responsabilidade, preparo científico e gosto do ensino, com nossa seriedade e testemunho de luta contra as injustiças, contribuir para que os educandos vão se tornando presenças marcantes no mundo.”
“[...] atividade docente [...] requer uma formação permanente do ensinante. Formação que se funda na análise crítica de sua prática.” “O professor que não leve a sério sua formação, que não estude, que não se esforce para estar à altura de sua tarefa não tem força moral para coordenar as atividades de sua classe.”
“Ninguém nasce feito, ninguém nasce marcado para ser isso ou aquilo. Pelo contrário, nos tornamos isso ou aquilo. ‘Somos programados, mas para aprender’.” “Ninguém caminha sem aprender a caminhar, sem aprender a fazer o caminho caminhando, refazendo e retocando o sonho pelo qual se pôs a caminhar.” “Ninguém nasce educador ou marcado para ser educador. A gente se faz educador, a gente se forma como educador, permanentemente, na prática e na reflexão sobre a prática.”
“A boniteza da vida não está na compreensão rígida das coisas nem na lógica bem comportada que exigimos dos fatos, nem tampouco na nossa certeza em torno do que deve ser a vida.
A boniteza da vida está na certeza da incerteza e na coragem de começar tudo de novo quando se pensava que já nada podíamos fazer.
A boniteza da vida está em aceitar que até as sextas-feiras podem virar azuis e que nelas rosas, violetas, margaridas podem florir e sabiás podem cantar.
A boniteza da vida está na capacidade de amar, apesar de tudo [...]”
“[...] não é possível ser professora sem amar os alunos [...] e sem gostar do que se faz.”
“Fraternalmente”,
Paulo Reglus Neves Freire - 19 de setembro de 1921 a 02 de maio de 1997.
Este texto, na modalidade de carta, é constituído por afirmações do próprio Paulo Freire, extraídas de obras e de documentos seus, por ocasião da colação de grau, da referida turma, em 05/08/2023.