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Opinião

Memórias de Viagem: Japão e Cruzeiro pelo Mar da China (Parte IX)

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Por Marlei Klein

No inverno, os japoneses combatem o frio com “nabemono”, peixe ensopado com raiz forte, cenoura e repolho. Também existe o “tempura”: camarões, lagostins, pedaços de peixe e às vezes raízes de lótus e legumes, embebidos em molho de soja e fritos à milanesa. A ideia de preparar peixe dessa forma vem dos portugueses, que chegaram ao Japão no século XVI. Das algas marinhas, servidas como acompanhamento ou em sopa, a uma impressionante variedade de peixes, crustáceos e moluscos, a comida japonesa é extremamente criativa.

             

Japão- Okinawa

Manhã de domingo, o navio atracou no porto de OKINAWA. Esta seria a última cidade japonesa a ser visitada. A 500km de distância, no Mar do Leste da China, está Okinawa, a principal ilha do grupo Ryukyu, que foi a porta de entrada da cultura chinesa no Japão. Hoje, é a “ilha do Silício”- o centro da indústria eletrônica. NAHA é a sua capital, que foi também antiga capital do Japão. Okinawa está num arquipélago dividido em três grandes grupos de ilhas. Ela está no grupo principal. Situa-se numa encruzilhada comercial entre malaios, chineses e os próprios japoneses. Suas praias são lindas de areias brancas e águas azuis. Possui cultura própria e um dialeto diferenciado do japonês moderno.

Okinawa- Naha

Esta cidade tem o charme de uma cidade provinciana onde raramente acontece algo fora do comum. Há 13 séculos estava repleta de energia criativa, pois foi lá que a civilização japonesa iniciou. Durante 74 anos Naha foi a capital da nação, com seus templos agitados por intrigas e palácios fervilhantes de conspirações.

“O Cabo de Guerra” em Naha

Era domingo e chegamos no encerramento de seu principal festival: O Cabo de Guerra. Sua duração é de 5 dias, mas este era o último dia festivo. Tudo era festa. Nas praças e calçadas, o povo acorria para ver os desfiles. Há uma grande competição entre duas equipes de moradores. As equipes estão com uniformes pretos e gorros, tipo lenços pretos amarrados nas cabeças. Uma equipe está com faixas amarelas, do leste da cidade, e a outra com brancas, do oeste.

A disputa consiste em puxar uma pesada corda de 200m de comprimento, tecida com palha de arroz e pesando 40 toneladas. A equipe que conseguir puxar a corda por mais de 5 metros, em menos tempo: Vence! O prêmio ficou com a equipe amarela. No final, distribuem pedaços da corda para dar sorte.

Almoço no domingo

Na rua principal havia vários pequenos restaurantes e bistrôs para fazer uma refeição. O arroz cozido de maneira a ficar ligado, para que seja fácil pegá-lo com pauzinhos, está em quase todos os pratos e a carne sempre fica por conta dos peixes. O macarrão também disputa com o arroz. A carne, em geral, é cara no Japão. Mas uma boa pedida é o “sukiyaki”: é uma carne de gado ou carneiro, preparada na mesa, com cogumelos, tofu e molho de soja. A carne é marinada em molho de soja e grelhada em seguida.

“Sanshim”

O motorista do ônibus, que nos conduziu pela cidade, nos deu um “show” com o “sanshim”. Tocou algumas músicas com o instrumento que deriva dos tempos antigos da China. Parece um bandolim de cabo longo. Ao todo é de 80cm e feito com couro de cobra. As cordas emitem um som suave e chega a ser uma melodia de lamento. Foi uma grata surpresa que deixou linda recordação de Okinawa e sua bela capital Naha. Esta, um dia foi chamada de Cidadela da Paz.

A Cerimônia do Chá

É costume lavar as mãos e tirar os sapatos para entrar no lugar reservado à cerimônia do chá. Não precisamos tirar os sapatos, mas as mãos foram higienizadas com toalhas embebedadas em lavanda.  Foram os monges budistas vindos da China que introduziram, no Japão, a cerimônia do chá como ritual religioso e social. Os japoneses criaram regras que especificam, nos mínimos detalhes, a forma correta de receber os convidados. Antes de estes chegarem, tigelas e outros utensílios devem estar brilhando, as flores, bem arrumadas, os bolos e o chá verde em pó, nos lugares corretos. Durante a cerimônia, a conversa é deliberadamente formal, o objetivo é criar um ambiente de calma e tranquilidade. O chá deveria sempre ser sorvido com calma, em ambiente tranquilo.

O Chá e a História

É uma planta que ajudou a mudar o mundo. Foi um importante marco na luta das colônias americanas pela Independência. O chá possui qualidades revigorantes. “Se alguém está sofrendo de desidratação, melancolia, dor de cabeça, secura nos olhos, dor nos braços ou nas pernas, rigidez nas articulações deve beber uma xícara em quatro ou cinco goles. Chá preparado, em bule de vidro, perfumado com pétalas de jasmim ou crisântemo. É o que ensinam os tibetanos ao pé das montanhas nevadas do Himalaia”.

Conclusão

Já estava anoitecendo quando voltamos ao navio. Okinawa foi quase totalmente destruída na Segunda Guerra Mundial. Parte da população dizimada e expulsa pelas tropas americanas. A viagem continuou, agora deixando o Japão e partido para a China.

 

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