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Cultura

A preservação da história, a grandeza de um povo e esmorecer jamais

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Por Rodrigo Finardi
Foto Rodrigo Finardi/Arquivo

Quando se fala em cultura é necessário olhar em nosso entorno para ver o que está sendo feito. Vejo alguns movimentos positivos, como a reforma do Centro Cultural 25 de Julho, que desde sua inauguração nunca passou por uma intervenção desse porte, e em breve deve ser entregue à comunidade.

Mas temos outras coisas que deveriam ser olhadas com mais carinho para a municipalidade, mesmo que nem todas sejam de sua competência. Deveria ser o indutor de algumas coisas, como a preservação da história e o que está a seu alcance.

Irei citar algumas coisas, que creio serem de interesse público, mesmo que muitos pensem o contrário.

Castelinho

O nosso maior símbolo está lá, sozinho, abandonado, à mercê de uma pior sorte. É triste olhar para ele, de tantas histórias, de grande importância histórica, e ver aos poucos se esfarelando. Informações que tenho, que em breve deve ser anunciado o restauro, e tomara que saia do papel. Não podemos ter esse símbolo, apenas na memória, no brasão, nos monumentos, nas honrarias e nos documentos oficiais. Podemos e temos o dever de salvá-lo.

A primeira escola

A primeira escola de Erechim foi construída em 1919, dois anos depois da chegada em Erechim de Carlos Mantovani, quando ainda era Boa Vista. Inicialmente ele dava aulas em um barracão no terreno que havia adquirido para construir sua casa, antes ainda de se mudar para a cidade.

O prédio, com 104 anos, chama atenção de quem passa pela Avenida Presidente Vargas. Sofre os efeitos do tempo, numa área particular. Como o município poderia preservar essa escola? Deveria buscar alguma alternativa por tudo o que representa para uma comunidade, ter em pé e revigorada sua primeira escola.

Estação Ferroviária

A Estação Ferroviária de Erechim marca a expansão da cidade e da região. Foi extremamente importante para o desenvolvimento do Norte do Rio Grande do Sul. Nas proximidades se identifica o marco zero de Erechim. Foi inaugurada em 3 de agosto de 1910, oito anos antes da emancipação política administrativa do município.

Recentemente estava ocupada por indígenas, que foram retirados após constatação que o prédio tem problemas em sua estrutura. Não se ouviu mais nada sobre o local.

É um espaço nobre no centro de Erechim, que precisa ser melhor aproveitado. Não é do município e sim do governo federal, e teria que ser buscadas parcerias para ocupá-lo com diversas atividades culturais.

Prédios dos antigos Correios 

Nesse prédio abandonado há décadas, atrás da prefeitura, na Avenida Salgado Filho, lembro quando era criança e frequentava o local para comprar selos (na parte inferior do prédio), que eu colecionava, até meu irmão trocar por figurinhas de chicle. É um prédio imponente, carcomido pelo tempo.

Vários prefeitos tentaram junto à direção dos Correios no governo federal, uma doação para o município, mas sempre foram infrutíferas as tentativas. Não pelos gestores, mas pela intransigência dos donos, que não fazem nada e não deixam fazer.

Erechim não tem um Museu Municipal. Seria um belo local, porém sua reforma é muito cara pelo tempo de abandono. Mas não custa nada sonhar.

O Centro Histórico e a Art Déco

 O Centro Histórico de Erechim se caracteriza pela presença de um conjunto arquitetônico diversificado e de significativa importância, onde se destacam edifícios de arquitetura de colonização, eclética e modernista. O estilo arquitetônico de maior relevância na configuração da paisagem urbana da cidade é o Art Déco, apresentado pela primeira vez na Exposição Internacional de Artes Decorativas e Industriais Modernas, realizada em Paris, em 1925.

Raros alguns casos, boa parte das edificações de Art Déco estão escondidas atrás de placas publicitárias gigantescas. Já foi tentando, inclusive com lei aprovada, normatizar essa questão para deixar a cidade limpa. Mas a lei ‘não vingou’. O mercantilismo falou mais alto. Mas em algum momento, alguém vai bater na mesa e conseguir fazer com que se respeite a história. Tanto se fala em desenvolver o turismo, e a limpeza dessas fachadas seria uma bela iniciativa para fomentar o setor.

Às vezes é uma discussão inglória

Tudo isso que escrevi pode ser utópico, de difícil desembrulhar. Mas sigo defendendo a preservação de nossa história. E sei que tem muitas pessoas e entidades com esse mesmo propósito, para mostrar a grandeza de um povo. Às vezes é uma discussão inglória, como falar com as paredes. Mas esmorecer jamais.

 

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