O Apóstolo Mateus em seu Evangelho, no Capítulo V, versículo 7, traz uma das passagens do Sermão da Montanha:
“Bem-aventurados aqueles que são misericordiosos, porque eles próprios obterão misericórdia.”
E, Kardec aborda um dos aspectos dessa passagem quando se refere ao perdão; exercício de difícil aplicação, pois atinge diretamente um dos mais danosos sentimentos: o orgulho.
Reconciliai-vos com o vosso adversário
No Capítulo X de O Evangelho Segundo o Espiritismo, ao tratar do tema, Kardec discorre sobre a recomendação de Jesus acerca da necessidade de reconciliação entre os adversários, ao mencionar a passagem contida no, Capitulo V, versículos 25 e 26 da obra de Mateus:
“Reconciliai-vos o mais depressa com o vosso adversário, enquanto estais com ele no caminho, a fim de que vosso adversário não vos entregue ao juiz, e que o juiz não vos entregue ao Oficial, e que não sejais aprisionado. Eu vos digo em verdade, que não sairíeis de lá enquanto não houverdes pago até o último centil”.
Quando Jesus se referia a reconciliação entre os desafetos, referia-se que essa atitude seria muito mais agradável a Deus do que as oferendas que faziam nos altares.
Juiz
Podemos interpretar como a nossa consciência, pois é nela que se encontram escritas as Leis de Deus, como nos esclarecem os Benfeitores da Codificação na resposta à questão 621 de O Livro dos Espíritos.
Oficial
É aquele a quem incumbe aplicar a Lei. De forma simplista é aquele que efetuaria a prisão.
Nessa figura alegórica, temos as consequências que advém das transgressões às Leis Divinas.
Prisão
A condição de vínculo que se estabelece entre ambos.
Relação essa que acaba atrelando ofensor e ofendido, perpetuando as animosidades, o desejo de vingança.
Essa sequência perniciosa, não permite que haja reconciliação enquanto vigorar.
Os envolvidos estarão acorrentados, ligados um ao outro indefinidamente.
Desafetos do passado
Quando entendemos que a reencarnação é o caminho para a evolução do ser espiritual, podemos entender também que nossas relações com os outros são frutos de aprendizado e, geralmente, de resgates por faltas que sofremos ou impingimos a alguém em existências pretéritas.
(Próximo tema: Reconciliar-se com os adversários- Parte II)