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Cultura

Dia Mundial do Rock: Um colecionador erechinense de LPs

O professor e maestro Gleison Wojciekowski mostrou os milhares discos de vinil reunidos desde a adolescência

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Gleison segura os discos dos Os Mutantes, Deep Purple e Pink Floyd
Disco da banda Blitz, censurado pelo regime militar em 1982
Alguns dos milhares de discos de Gleison
Por Emerson Carniel
Foto Emerson Carniel

Imagine um quarto onde as quatro paredes estão repletas de livros, DVDs, CDs e mais de mil discos de vinil acolhidos em estantes com portas de vidro. É para esta finalidade que está reservado um dos cômodos do apartamento do professor, maestro e fã de rock, Gleison Wojciekowski. A coleção de LPs encanta qualquer amante do estilo musical, desde os álbuns mais famosos como “The Dark Side Of The Moon”, do Pink Floyd e “Nevermind”, do Nirvana, até “Sessão das 10”, tendo Raul Seixas como integrante do grupo “Sociedade da Grã-Ordem Kavernista”, e “Rock Grande do Sul”, disco que colocou o rock gaúcho no mercado brasileiro da música com Engenheiros do Havaii, TNT e Garotos da Rua.

A ligação de Gleison com o rock surgiu na adolescência quando o gênero musical era o mais popular nas décadas de 80 e 90. Seguindo os passos do pai, o músico Ireno, ex-integrante do grupo “Los Calientes”, Wojciekowski participou de várias bandas de garagem em Erechim, fazendo covers e tocando estilos de rock progressivo. “Meu fascínio pelo rock vem dessa construção. Tocar em bandas de garagem foi importante para me tornar um músico profissional e conhecer outras gerações anteriores a minha”, afirma o maestro.

A coleção

As estantes não tiveram espaços para acomodar a quantidade de discos de vinil e foram embaladas em caixas de papelão. Durante a entrevista, Gleison foi retirando algumas capas que considera mais importantes e tem mais apreço. Da difícil seleção, surgiu LPs de Ramones, Pink Floyd, Iron Maiden, Rita Lee e Janis Joplin.

Para um fã de carteirinha, escolher apenas uma banda ou artista é uma dura missão. Não foi diferente para Wojciekowki que considera, entre os primeiros da lista, Deep Purple e Van Hallen como referência em sua vida.

No Brasil

Os precursores do rock no país foram a Jovem Guarda. O gênero se expandiu e não escapou de ser alvo durante o regime militar. Gleison tem a prova em mãos da censura cometida na época.

O disco da Banda Blitz teve as músicas, "Cruel Cruel Esquizofrenético Blues" e "Ela Quer Morar Comigo na Lua”, reprovadas pela Justiça, em 1982. Como o grupo já tinha solicitado a produção dos materiais antes da decisão jurídica e não havia tempo para reverter, os primeiros 30 mil LPs foram riscadas manual para anular as duas faixas.

Quase 11 anos antes, a Sociedade da Grã-Ordem Kavernista, grupo composto por Raul Seixas, Sérgio Sampaio, Edy Star e Miriam Batucada, passava pela mesma peneira da censura. O álbum “Sessão das 10” foi recolhido pelo governo após o lançamento. É um disco desejado por muitos colecionadores e Gleison se orgulha em tê-lo no seu acervo.

Rock Grande do Sul

O estilo chegou tímido e limitado em terras riograndenses. Foi impulsionado pelas rádios Atlântida FM e Ipanema FM.

O momento histórico para o rock gaúcho ocorreu em 1985, quando foi realizado o festival Rock Unificado. A performance das bandas agradou o produtor da gravadora RCA que estava em busca de talentos para gravar uma coletânea.

O álbum “Rock Grande do Sul” juntou Engenheiros do Havaii, TNT, Os Replicantes, DeFalla e Garotos da Rua, e rompeu as fronteiras do estado e conquistou os brasileiros.

Erechim Roll

A febre da Jovem Guarda contagiou os Erechinenses. Segundo Wojciekowski, “a geração do meu pai, hoje são jovens de 70 anos, com a beatlemania e a Jovem Guarda, liderados pelo Roberto Carlos, Erasmo Carlos e a Wanderléa, virou uma epidemia. Então, encontramos muitas bandas daqui seguindo a mesma onda da Jovem Guarda”, afirma o professor.

O rock passa de geração para geração e influenciou até o produtor musical, Renato Guedes, que na adolescência ficava dando voltas no quarteirão ouvindo AC/DC até chegar no colégio. Guedes destaca a importância do gênero como “gigante” e “o mundo não seria o mesmo sem o rock ‘n’ roll”.

O estilo sonoro influencia diretamente na sua profissão. O produtor musical utiliza como referência “timbres e fraseado melódico que remetem aos primeiros guitarristas de rock dos quais fui fã”. Guedes ainda cita os Beatles como referência, “principalmente por ter ido além do rock”.

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