Imagine alguém estar alerta 100% do dia, ou seja, estar voltado para auxiliar o próximo e, sempre, fazer o melhor possível para salvar uma vida ou amenizar o seu sofrimento, independente da situação ou local que em que ele se encontra, seja em casa, na estrada, no trabalho, na praia, na floresta e em todos os lugares que um ser humano possa estar. Esta é a vida de um socorrista, data que é comemorada hoje, 11 de julho.
Por definição, um socorrista é uma pessoa com treinamento especializado que está entre os primeiros a chegar e fornece assistência no cenário de uma emergência, como um acidente, um desastre natural ou um ataque terrorista.
Os socorristas normalmente incluem paramédicos, técnicos de emergência médica, técnicos de enfermagem, enfermeiros, SAMU, policiais, bombeiros, socorristas e outros membros treinados de organizações ligadas a esse tipo de trabalho.
Um primeiro socorrista certificado é aquele que recebeu a certificação para prestar atendimento pré-hospitalar em uma determinada função, já um socorrista da comunidade é uma pessoa enviada para atender emergências médicas até que uma ambulância chegue. O primeiro socorrista é treinado para fornecer atendimento pré-hospitalar em ambientes remotos e, portanto, terá habilidades em oferecer esse tipo de atendimento.
Os socorristas devem ser treinados para lidar com uma ampla gama de potenciais emergências médicas e, devido ao alto nível de estresse e incerteza associado à posição, os socorristas devem manter a saúde física e mental. Mesmo com essa preparação, os socorristas enfrentam riscos únicos de serem os primeiros a ajudar aqueles com contágio desconhecido.
História
As habilidades do que hoje é conhecida como primeiros socorros foram registradas ao longo da história, especialmente em relação à guerra, em que o atendimento de casos tanto traumáticos quanto médicos é necessário em números particularmente grandes.
Estudos apontam que a bandagem de feridas de batalha é mostrada na cerâmica grega clássica por volta de 500 aC, enquanto a parábola bíblica do Bom Samaritano inclui referências a atar ou curar feridas.
Existem numerosas referências aos primeiros socorros realizados no exército romano, com um sistema de primeiros socorros apoiado por cirurgiões, ambulâncias de campo e hospitais. Legiões romanas tinham o papel específico de capsarii, (Socorrista) que eram responsáveis por primeiros socorros, como bandagem, e os precursores do moderno médico de combate.
Exemplo de dedicação
Para falar mais sobre a profissão de socorrista e o amor que se deve ter para desempenha-la, conversamos com a Coordenadora da Rede de Urgência e Emergência do SAMU Erechim, a enfermeira Elaine Terezinha Stranburg que está há muitos anos à frente dos trabalhos que, para ela, é muito gratificante.
Está no sangue
Para ela, ser socorrista está no sangue, pois passou a se apaixonar pela profissão quando ainda estava realizando a graduação de Enfermagem e, numa viagem ao município de Concórdia, Santa Catarina, presenciou um acidente de carro. “Sempre gostei de trabalhar em pronto socorro e, quando me deparei com a cena com a ambulância e pessoas qualificadas realizando todas as técnicas da retirada da vítima fiquei completamente fascinada”, garante.
Ao voltar para Erechim, sem esquecer o que viu, começou a procurar trabalhos que tivessem a ver com este tipo de procedimento, de trabalhar em uma ambulância. Na época Erechim possuía somente o aporte do Corpo de Bombeiros. Quando terminou a sua graduação fez a primeira Pós Graduação a ser oferecida na área de urgência e emergência.
“Logo em seguida fomos contemplados com o serviço SAMU local e veio o convite para trabalhar junto a unidade local. Um trabalho que é fascinante, de você se colocar no lugar do outro, ter a empatia e terminar seu trabalho e saber que tudo valeu a pena quando você entrega o paciente salvo no hospital para continuidade do atendimento. Faz muito bem”, garante.
Situações graves
Quando se fala dia a dia, principalmente quando a equipe se depara com situações graves, a exemplo de acidente de veículos, Elaine destaca que este é um trabalho que a parte psicológica fala muito, de muita pressão por parte de cada um, pois se está trabalhando entre a vida e a morte. “Podemos receber um chamado para a realização de um parto, ou seja, trazer uma criança ao mundo, mas ao mesmo tempo receber num chamado que lida com a morte, ou seja, acidentes horríveis com óbito no local, mas temos que estar preparados para viver isto. Ficamos tristes, mas temos que viver cada dia para conseguirmos seguir em frente. Toda a nossa equipe ama muito o que faz”, garante.
Atendimentos
Com relação a média de atendimentos, Elaine destaca que o SAMU atende em torno de 150 a 250 mês, pois trabalhando em urgência e emergência é tudo muito relativo, ou seja, um dia se atende menos e no outro a situação é diferente. A Ambulância Cidadã, que trabalha mais como um suporte do SAMU, faz em média de 250 a 280 mês em atendimentos de menor complexidade, a exemplo de viagens intra-hospitalares, pessoas acamadas, que necessitam de oxigênio e outros casos.
Homenagem
Finalizando, ao citar a frase “hoje é dia de homenagear a turma que vive fardada de coragem e pronta para atender as chamadas da polução”, Elaine destaca que, para quem quer trabalhar nesta área, tem que estar no sangue e ter perfil para enfrentar o dia a dia, se preparar psicologicamente pois não irá encontrar somente rosas no caminho, ou seja, existem muitos espinhos. Um trabalho sobre pressão que exige muito da mente de quem atua, mas que é muito satisfatório. “Aproveitar o dia para fazer uma homenagem a todos os socorristas, principalmente a minha equipe, hoje composta por 16 pessoas”.