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Opinião

Memórias de Viagem: Japão e Cruzeiro pelo Mar Da China (Parte V-B)

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Por Marlei Klein

 

Reminiscências

Viajamos de trem-bala de Tóquio para Kyoto. São 2h20min.Embora a velocidade do trem-bala, foi possível observar pequenas cidades, vilas e campos. Estes, sempre cultivados e sem lixo ou ervas daninhas na beira dos trilhos. Tudo impecável e bem organizado. Foi possível viver o Japão tradicional e também lugarejos com suas casas típicas. A estação ferroviária de Kyoto é de uma gigantesca estrutura. É um verdadeiro “shopping”, imensa, até com cinemas. Fomos para o nosso belo e impecável Hotel.

 

Japão-Kyoto: a cidade Imperial

Passear por Kyoto é caminhar por 11 séculos de história do Japão. No passado, foi sede da Corte Imperial e também centro da religião, da estatística, da música, da dança e do teatro japoneses. Atingiu o ápice como centro de artesanato nos anos mil e trezentos. Foi poupada dos bombardeios durante a Segunda Guerra Mundial. Calculam que ela possua 20% de todos os tesouros nacionais do Japão. São mais de 1.700 templos budistas e 300 santuários de outros ramos. Estão dispersos ou ocultos em meio à sua moderna paisagem urbana. Através deles e de seus jardins é possível vislumbrar o Japão do passado. Cada um é um complexo de vários edifícios, como uma pequena aldeia. Sempre ao lado do templo há um pagode- uma torre com vários telhados sobrepostos em níveis diferentes, geralmente quadrados e terminando em ponta. Acreditam que nos pagodes residem os espíritos. Todo complexo do templo dispõe de canais com água e belos caminhos ajardinados para a meditação.

 

O Pavilhão Dourado

Uma das mais belas visitas foi a este pavilhão. Ele ofusca a visão pelo reflexo das suas paredes douradas. Foi construído em 1394 para ser a residência de um nobre e, mais tarde, convertido em templo budista. Foi destruído por um incêndio provocado por um monge em 1950. O acontecimento foi tema de um célebre romance de Yukio Mishima. O Pavilhão Dourado atual, com paredes folhadas a ouro, é uma reconstrução fiel, no mesmo lugar do original junto a um lago coberto de liquens. Está num complexo com pequenos jardins, caminhos de cascalho branco e 15 pedras que simbolizam a essência da sabedoria Zen.    

             

Casa japonesa

Nosso almoço foi típico em uma casa japonesa. Para entrar tivemos que tirar os calçados. Ninguém passou vergonha por ter a meia furada. O almoço foi servido em linda mesa de mogno. Os móveis eram baixos e as atendentes vestidas com quimonos nos deliciaram com a delicadeza da cozinha japonesa. O início foi com “saquê” como aperitivo. Depois, uma cumbica com ensopado de vegetais e carne. Tudo foi sempre servido em pequenos recipientes, mas muito, muito diversificado: carnes – principalmente peixes-vegetais – massas folhadas feitas com o arroz, molhos e tudo acompanhado por tiras de frutas. As sobremesas encantaram: tortas, suflês e o delicioso “wagashi”- uma bola de feijão branco doce recheada com um morango inteiro. Sempre pequenas porções e bem apresentadas. Tudo culminou com o tradicional chá preto japonês e grãos de pistache. Na saída, depois do maravilhoso almoço, encontramos todos os calçados trocados. O brincalhão do grupo trocou os pares. Risadas e buscas.            

 

Centro de Artesanato de Kyoto

 

Ele permite, que num lugar, tenhamos uma vista geral. Não é possível dele sair sem lindas lembranças de viagem ou para presente.

 

O que ver na antiga capital

Principalmente a Vila Imperial com seus belos jardins. O templo Kiyomizu-dera construído em uma plataforma sobre um mar de árvores cujas cores estão sempre mudando. A floração das cerejeiras com a festa em 15 de maio - primavera. Nesta data, acontece um desfile com carros alegóricos e grande número de pessoas vestidas com trajes da corte imperial. É um festival que remonta ao século VI.

 

Aproximação de um furacão

Na volta ao Hotel em Kyoto, recebemos a notícia de que havia um furacão de aproximando. Pediram que todos ficassem seguros e não saíssem a partir das 18 horas. Como tínhamos algum tempo, meu marido e eu, resolvemos ir a um mercado próximo e observar como os locais se preparavam. O comércio estava fechando. Colocavam fortes estacas e madeira nas vitrines. Os trens passavam lotados. Rapidamente, passamos pelo supermercado. Colocaram mais caixas para atendimento. Todos com pressa, mas sem faltar ordem ou furar filas. Fizemos umas compras e, por segurança, voltamos ao Hotel com um táxi.   

 

Para descontração

Pelo que estava acontecendo, o hotel ofereceu massagem corporal. Marcamos o horário das 20h, em nosso apartamento. Pontualmente, bateram à nossa porta. Era um casal de massagistas. Levamos um susto! Eram possantes, pareciam lutadores de sumô. Bem, a massagem foi tranquila, sem sustos ou hematomas.

 

Conclusão

Como tudo no Japão é tecnologia e perfeição, ficamos assistindo pela televisão, no quarto, o que se passava. No centro da cidade chovia muito e ventava forte. Pelas duas horas da madrugada sirenes insistentes anunciavam a passagem do furacão. Na periferia, onde ele passou, a água corria em cascatas e o vento derrubava tudo no seu caminho.  Felizmente, onde estávamos não aconteceu muito - só passou o “rabo do furacão”.

Bairros inteiros de Kyoto cresceram ao redor de ofícios específicos. Hoje, as oficinas de descendentes produzem gravações em madeira, artigos de seda, papel e têxteis com muito refinamento. Muitas tradições são ainda conservadas: no bairro de Gion, gueixas caminham pela rua fazendo barulho com seus sapatos de madeira, ao encontro dos clientes ricos, para diverti-los com música, cantos e conversas.

 

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