Um trecho do hino do Rio Grande do Sul vem gerando fortes debates na Assembleia Legislativa. O deputado estadual Rodrigo Lorenzoni (PL) protocolou proposta de emenda constitucional que torna "protegidos e imutáveis em sua integralidade" os símbolos do estado, como o hino.
O trecho em discussão
A parte do hino apontado como racista é: "povo que não tem virtude acaba por ser escravo". A reflexão que se busca é que o negro nunca foi incluído no devido lugar no desenvolvimento econômico, cultural e político do RS, de acordo com a bancada negra do parlamento gaúcho.
Viés autoritário
O deputado estadual Matheus Gomes (PSOL), contrapõe seu colega Lorenzoni, afirmando que “está criando caso para negar a importância de um debate, infelizmente, sob um viés autoritário, já que imutabilidade de símbolos é coisa de regimes ditatoriais”, pontuou.
A proposta para mudança do trecho do hino foi mais uma vez adiada e deve ser retomada na próxima terça-feira, 11, com as galerias lotadas, como foi nesta terça-feira-feira, 4, aos gritos de “o hino é racista”.
Referendo
Outro projeto, do deputado Luiz Marenco (PDT), em seu bojo, prevê que possíveis mudanças nos símbolos oficiais necessitam uma consulta à população, através de referendo, rejeitando ou ratificando o projeto.
“Povo sem parlamento é povo escravo”
Este é um assunto extremamente delicado e irá suscitar ainda vários debates. E trago essa discussão para Erechim, mais precisamente para a Câmara de Vereadores. Na entrada das escadarias, que dão acesso ao plenário, do lado direito, tem os seguintes dizeres: “povo sem parlamento é povo escravo”.
Legislativo não poder ser falho ou submisso
A frase é diferente do hino do RS, mas remete a palavra escravo, a exemplo da discussão em Porto Alegre. Apodero-me desse gancho, já que é no Legislativo que a voz da população precisa ecoar, mas a maioria volta os olhos, erroneamente, para o Executivo. A frase remete à privação de liberdade se o Legislativo for falho ou submisso. Ninguém pode ser submetido à vontade do poder a qualquer custo. A população não é propriedade de ninguém. A ‘escravidão política’ é extremamente nociva à democracia. E o Legislativo tem papel importante.