Tendo como palco o Plenário da Câmara Municipal de Vereadores, o Diretor Executivo da Fundação Hospitalar Santa Terezinha, Jakson Arpini detalhou atual situação da casa de saúde em Audiência Pública que teve como vereador proponente, André Jucoski.
Como pauta, a atual situação financeira que deverá fechar este ano com uma dívida de R$ 19 milhões, sem contar com o piso da enfermagem que está em tramitação, aí a dívida deverá chegar à casa dos R$ 25 milhões.
Inicialmente Arpini teceu sobre a Fundação Hospitalar por meio de várias lâminas o que colocou todos os presentes a par sobre o que está sendo realizado para que a mesma ande da melhor forma possível, sempre enaltecendo o papel dos funcionários que, para ele, tem uma enorme participação no que se refere a prestação de serviço e certeza do melhor atendimento à população local e regional.
Ao entrar na questão financeira, Arpini levantou os porquês de a Fundação Hospitalar estar, de uma certa forma, diferenciada de outras casas de saúde do Estado, ou seja, deve haver uma separação do que é um hospital público e um filantrópico. “Nosso hospital destina 99,5% de seu atendimento para a rede SUS, e as tabelas estão defasadas há 20 anos. Há um excesso de demanda, pois as pessoas estão procurando, ano após ano, um quantitativo maior o atendimento. Estamos abertos 24 horas por dia e existe uma redução de hospitais públicos, ou seja, estão entrando em extinção”, pontua.
CEPAS
A grande rede de hospitais no Estado são os filantrópicos que possuem uma concessão de prerrogativas de CEPAS, o que faz com que ofereçam 60% para a rede SUS e 40% para a iniciativa privada, a exemplo do São Vicente de Paula em Passo Fundo. “Os hospitais filantrópicos são os hospitais federados, tem representação e força política, são vistos, o que não acontece conosco. Por que não transformar nosso hospital em uma filantropia? A demanda nos absorve, pois todos nossos leitos são SUS, e estamos com falta de leitos. Onde colocaremos os planos de saúde e a iniciativa privada?”.
Para melhorar a situação financeira que vem se arrastando há anos, Arpini destacou que todos os gestores que já passaram pela direção, como a atual, buscam recursos para melhorar a situação orçamentária. Para tanto apontou os vários caminhos que aportam recursos para a Fundação mês, como também pontuou o que está sendo buscado junto ao Governo Federal e estadual, a exemplo a incentivação que se refere aos preços das tabelas. “Tudo que era possível de nós habilitarmos dos governos Federal e estadual nós o fizemos”, garante
Programa Assistir
Com relação aos cortes do Governo do Estado, Arpini destaca o Programa Assistir, no qual foi feita uma comparação com hospitais que realizavam menos que a Fundação Hospitalar. A santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre é a que mais recebe recursos, vindo atrás o Hospital São Vicente de Paula e em terceiro o Santa Terezinha, que recebe R$ 23 milhões. “Com relação a arrecadação, chegamos quase que ao limite”.
O Diretor Executivo destacou a importância dos hospitais filantrópicos, visto que o Governo Federal aportou uma grande quantia aos mesmos como complementação de recursos, ou seja, R$ 2 bilhões. Enquanto o São Vicente de Paula recebeu R$ 13 milhões, a Fundação recebeu R$ 0,0 de recursos deste aporte. “Temos que pensar em ser um hospital filantrópico, e estamos trabalhando para fazer parte destes hospitais que possuem representatividade e aporte de recursos via Deputados Federais. Nós deveríamos estar nesta portaria dos hospitais públicos e filantrópicos para que pudéssemos receber em torno de R$ 5 milhões a fundo perdido”, garante.
99,5% SUS
Em certo momento, Arpini levantou os sérios motivos no qual faz com que a casa de saúde seja deficitária. Trabalhando com 99,5% com tabela SUS, hoje o médico ganha R$ 10 por consulta e a Fundação acrescenta mais R$ 85 a cada consulta, o que somando os valores chegam a um patamar bem alto, caso que acontece também com demais atendimentos, exames, hemogramas, cirurgias oncológicas, aquisição de equipamentos, sessão de hemodiálise e demais serviços que apresentam um valor insignificante, mas que tem se aportado pela Fundação que, no final do mês o bolo se torna grande e insuportável economicamente. “Só em exames são 650 mil realizados e, com relação a medicação repassada ao paciente, a Fundação ganha R$ 0,65”.
“Há uma necessidade da complementação do Estado e da AMAU, mas mesmo assim ela não é suficiente. Quanto mais nós produzimos, mais aumenta o déficit, por isso nossa dívida está na casa dos R$ 19 milhões. Outro fator é com relação ao número de colaboradores, ou seja, hoje está na casa dos 750 mais 280 médicos, ou seja, são cerca de mil pessoas que gravitam em torno da Fundação”, ressalta.
Recursos Humanos
Arpini destacou que 42% da receita, hoje, é para Recursos Humanos e, se houver o reajuste a classe de enfermagem, a dívida salta de R$ 19 milhões para R$ 25 milhões, porém o Estado ainda não recebeu as orientações de como proceder. “Não há uma posição clara com relação ao pagamento do piso da enfermagem”.
Com relação aos recursos que aportam na Casa de Saúde, 68% são oriundos do Governo Federal, complementação do Estado, parceria com a AMAU, serviços particulares, além de outras fontes