Durante o ano, existem várias datas comemorativas, umas que nos remetem a alegrias, outros nem tanto. São datas para pensar, refletir e amadurecer conhecimentos acerta do que está em pauta e, quando o tema é saúde, deve ser ainda mais profundo, temos que nos manter isentos do preconceito e de outros dissabores que a vida nos apresenta.
Entre uma das datas a ter a sua comemoração, é o Dia do Vitiligo, lembrada neste domingo, 25 e, para tanto, buscamos pessoas que convivem com a doença, mas que levam de letra e não mudaram seus estilos de vida por causa da mesma.
O que é
O vitiligo, de acordo com a Sociedade Brasileira de Dematologia é uma doença caracterizada pela perda da coloração da pele. As lesões formam-se devido à diminuição ou ausência de melanócitos (as células responsáveis pela formação da melanina, pigmento que dá cor à pele) nos locais afetados.
Conscientização
A doença é caracterizada por lesões cutâneas de hipopigmentação, ou seja, diminuição da cor, com manchas brancas de tamanho variável na pele. O vitiligo não é contagioso e não traz prejuízos a saúde física, no entanto, as lesões provocadas impactam significativamente na qualidade de vida e na autoestima do paciente. Nesses casos, o acompanhamento psicológico pode ser recomendado.
Tratamento
O tratamento, aponta estudos, deve ser discutido com um dermatologista, conforme as características de cada paciente. Dentre as opções terapêuticas está o uso de medicamentos que induzem a repigmentação das regiões afetadas. Também é possível utilizar tecnologias como o laser, técnicas cirúrgicas ou de transplante de melanócitos.
Conviver com o vitiligo
Para falar um pouco mais sobre como é conviver com o vitiligo no dia a dia, conversamos com Sidnei Paulo do Prado que nos relata de como detectou e como convive com algo que a própria sociedade já está acostumada. Embora não seja algo que se vê constantemente, diferentemente de um passado não muito distante, já passa desapercebido por grande parte da população.
No caso de Sidnei, ele lembra que detectou a doença quando ocorreu uma pancreatite. “Foi quando eu descobri que eu tinha diabetes hereditária, toda a minha família tem. Eu tive uma queda muito grande da minha imunidade e, segundo me passaram, quando a imunidade baixa em um nível muito extremo, ela consegue se manifestar”.
Sidnei destacou que ela apareceu depois que ficou cinco dias internado para conseguir controlar o índice hipoglicêmico. “Sendo o único a ter o vitiligo, procurei o dermatologista que me orientou, o tratamento é bem exaustivo, você tem que usar pomada na superfície. Comecei a tratar, ela dá uma controlada e retorna um pouco. Então isso já tem em torno de cinco anos mais ou menos”.
Desgaste emocional
Sidnei lembra que passou por uma crise emocional, tinha bastante desgaste na época, pois estava trabalhando bastante e estava com o psicológico bem acelerado. “Tudo isso pode ter ajudado a fazer com que a doença se manifestasse. As manchas que saíram estabilizaram posteriormente”.
Se você é exposto, alerta, podem surgir queimaduras de terceiro grau. “Teve um caso em que fui na praia e no primeiro dia queimei os pés. Passei protetor, caminhei na areia e fiquei brincando na água, foi quando eu tive bolhas horríveis acima do pé. Fiquei o restante das férias com os pés pra cima para desinchar as bolhas”.
Depois disso Sidnei ressalta que começou a conviver mais com a doença. Hoje usa um fator solar alto de proteção. Se vai na praia coloca uma camisa como proteção, além do protetor. “Logo no início de quando aconteceu, querendo ou não, esteticamente, qualquer um tem um pouco de vaidade, então mexe com a auto estima da gente. Eu ainda levei um pouco de sorte por não ter manchas no rosto, são mais pelo corpo, as mãos é o que mais aparece. Então no primeiro momento foi bem, não vou dizer que foi uma coisa fácil, mas comecei a ler, estudar e me tratar, daí você vê que é irreversível e se acostuma”.
Preconceito
Com relação ao preconceito, Sidnei ressalta que não pode ficar pensando sobre o que as pessoas vão falar sobre a sua doença, pois não tem o que fazer. “O que dava para fazer naquela época eu fiz, não tinha muito o que fazer. Há um certo preconceito em algum momento, as pessoas olham e eu nem critico elas, são realmente manchas muito brancas, não sou muito moreno, mas tenho a pele mais escura e realmente aparecem”, garante.
No verão, lembra ele que o restante do corpo acaba mais bronzeado, e é aí que as manchas ficam mais fortes e esta situação remete ao preconceito de quem vê. “Teve sim, não tem como dizer que não, pois com relação ao convívio social, em algum momento eu parei, pois vi que as pessoas começavam a olhar diferente, mas passou. Hoje eu não lembro, levo uma vida totalmente normal, Saio com as pessoas, me relaciono normalmente. Não tenho problema nenhum. Ela não é transmissível, então não é algo que eu vou passar pra alguém, não quer dizer que a minha família ou meus descendentes não vão ter”, garante.
Se aceitar
“A gente vai aprendendo e acaba aceitando. Não tem outra coisa para se fazer, tem que realmente aceitar e viver. É uma coisa que eu sei que vai ficar pro resto da minha vida, passei de boa, a vida que segue, tudo tranquilo”.
“Ela não me atrapalha em nada, não tem outro tipo de sintoma a não ser esse estético e o cuidado que tem que ter por causa do sol. Basicamente, são esses cuidados que a gente tem. Ela não coça, não arde e não faz nada de diferente. Eu tenho na parte da cabeça, do cabelo, tipo uma manchinha branca, que também alterou a própria coloração do cabelo, mas fora isso não causa nenhum tipo de dificuldade maior pra viver. É isso, é conviver com aquelas manchas ali e seguir a vida, sem problemas. Em dias quentes e ensolarados é preciso ter mais cuidados”, finaliza.
Já com relação a Jaqueline Rochele Possobom, 37, a doença apareceu depois de um transplante de medula, momento em que sua médica falou que a doença não voltaria mais. ‘conviver com a doença é normal, mas não posso pegar sol na região, que começa a doer e ficar vermelho. O vitiligo não afeta em nada na vida e não tive nenhum preconceito”, finaliza.