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Opinião

Schwarzenegger, Saúde Mental e Modus Operandi

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Por JF Martignoni
Foto Divulgação

Nos últimos dias me peguei grudado a tela assistindo o documentário sobre o fisiculturista, ator, empresário e político austro-americano Arnold Alois Schwarzenegger. No seriado acompanhamos as etapas de sua vida, além de diversas voltas a infância, onde seu modus operandi se formou.

Schwarzenegger nasce de um ex-soldado nazista com transtorno de estresse pós-traumático causado pela guerra, cuja maneira de lidar com o problema era beber e bater em sua família; e de uma mãe com transtorno obsessivo compulsivo que supria a falta de controle em sua vida com limpeza pesada diária em sua casa. Foi criado precisando fazer por merecer as refeições, apanhando sem motivo, e tendo que competir com o irmão em qualquer atividade desde lazer até obrigações de casa e escola graças as obsessões dos pais.

Essa situação fez que Arnold não tivesse uma zona de conforto, não tivesse medo dos desafios ou das mudanças, largou sua casa na Áustria para ir dormir num cubículo desocupado dentro de uma academia na Alemanha. Depois foi aos Estados Unidos sem conhecer ninguém e sabendo pouquíssimo do idioma local. De onde vinha tudo era tão horrível e sobreviveu, que sobreviveria em qualquer lugar. Era tão difícil e conseguiu, que conseguiria qualquer coisa.

Todavia seu irmão, Meinhard Schwarzenegger, desenvolveu uma depressão crônica nesta mesma situação, que o levou a fuga em abuso de substâncias e a sua morte prematura. Meinhard tinha que enfrentar a os abusos de sua casa e o mundo hostil, depois de batalhar com seus demônios internos. Era sensível, e artístico, como diria Arnold (em algum momento ainda desenvolverei sobre a ligação dos transtornos psicológicos e arte). O que fez o Arnold mais forte, matou Meinhard.

É invejável o modus operandi de Arnold, queria eu lidar com os desafios como ele lida. Creio que todos que sofrem com ansiedade, depressão, transtorno afetivo bipolar, esquizofrenia, autismo e outras psicoses, pensam o mesmo. Todos seriam diferentes se pudessem. Ninguém escolheria viver a vida de maneira mais difícil por escolha. Ninguém queria estar exausto de lutar numa guerra que ninguém vê. Ser corajoso onde a maioria menospreza.

Ele não saiu ileso, tem seus traumas, bloqueios e precisou se tratar, mas incrível como nossa saúde mental interfere em como lidamos com nosso entorno. Como nossa mentalidade pode gerar novas realidades, ver as oportunidades em vez que apontar para as tragédias.

Parafraseando algumas das citações de Arnold: “Não importa como você se sinta, continue seguindo em frente. Se estiver difícil, continue seguindo em frente. Tenha um objetivo e vá naquela direção, mesmo que destruído por dentro. Não é fácil, mas se acreditar e se dedicar é possível”. Creio que nesta nota fecho com algo qual todos podemos almejar e nos inspirar.   

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