A vida é como um grande pacote cheio de surpresas que aos poucos vão se mostrando no dia a dia, podem ser boas como nem tanto. Neste universo pode ser a alegria, a decepção, a luta constante pela qualidade de vida, a supremacia de estar bem, como também a depressão, este mal que chega de forma silenciosa, vai se agravando e pode causar em belo estrago na vida de quem passa por ela.
O que é?
Mas, antes de tudo devemos saber o que é a depressão e, para tanto, conversamos com o psicólogo clínico Paulo Kautz que aponta que a doença está classificada como Transtornos Depressivos e de humor (DSM 5 e CID 10) e se caracteriza por graves alterações e perturbação no humor, incluindo episódios depressivos, perda do controle do próprio “Eu” e sensações subjetivas de angustia e sofrimento.
“Estes transtornos depressivos são diferenciados entre si, avaliando os aspectos de duração, momento do quadro, causas e fatores etiológicos analisados em cada caso, frente a rígidos critérios diagnósticos psicológicos e psiquiátricos, sendo importante diferenciar os Transtornos desruptivos de desregulação do humor, transtorno depressivo maior, distimia, induzidos por substâncias e outros transtornos com comorbidades clinicas gerais. Diferencia-se também o diagnóstico dos pacientes com episódios maníacos e depressivos, configurando o quadro de Transtorno Bipolar, com todas suas peculiaridades clinicas”, aponta.
Fatores
Quanto aos fatores que influenciam na depressão, Kautz lembra que a mesma existe diagnosticada a milhares de anos, com sua terminologia mutante pelas suas épocas e culturas. “Documentação antiga encontrada, por exemplo em 450 A.C. de Hipócrates, já utilizava os diagnósticos de Mania e Melancolia. E provavelmente, pelos relatos, com todos os sintomas e com as mesmas características em geral encontradas na maioria dos casos de Depressão (Transtornos depressivos) nos dias atuais. Componentes etiológicos (causas) a serem avaliados na depressão incluem os fatores Biológicos, Genéticos, Psicossociais e Psicológicos da pessoa (estrutura de personalidade), garante.
E quanto aos sintomas, como podemos saber que alguém está com o quadro depressivo? Kautz aponta que as pessoas que apresentam quadro psicológico estável e em equilíbrio, em geral vivenciam uma grande diversidade de humores, conseguindo vivenciar, externar e expressar sua afetividade, sentir suas emoções, tendo controle e administração interna de seus sentimentos e comportamentos.
Estabilidade psicológica
“Na depressão em geral ( cada caso com suas peculiaridades e subjetividades), há uma série de alterações deste estado de estabilidade psicológica: perturbação do humor, perda do senso de controle, das características da personalidade, angústia e sofrimento, energia diminuída, prejuízo no desempenho profissional e/ou escolar, motivação reduzida, perda de apetite, de peso, perturbação no sono , tristeza, desesperança, fadiga, ansiedade , redução na atenção e concentração, rebaixamento na auto estima, sentimento de culpa, de incapacidade, pensamento negativista , pessimista e de morte, agitação motora, e tantos outros sintomas associados”. Fundamentalmente, a perda do prazer generalizado, perda do interesse e do sentido da vida, são critérios diagnósticos a serem elevados na depressão, garante.
Porém, ressalta Kautz, que é importante ressaltar que qualquer pessoa, em algum momento da vida, do seu dia, de seu cotidiano, pode apresentar alguns destes sintomas, porém não se enquadram no diagnóstico de depressão (Transtorno Depressivo/ Transtorno de humor), haja vista que vários destes sintomas, individualmente e pelas circunstâncias cotidianas da vida, fazem parte da condição humana.
“É importante que as pessoas que fazem parte do círculo de convivência com pessoas com depressão, percebam qualquer alteração de suas características, sinalizando a importância de tratamento adequados, avaliações profissionais (médicas e psicológicas)”.
Dor emocional
Jamais desconsiderar a dor emocional do paciente, nem seus sintomas, pois a dor psicológica é subjetiva, e nem sempre o depressivo consegue perceber e externá-la. O amparo e o apoio emocional são fundamentais, o respeito as suas condições devem ser de forma amável e compreensiva. “Estamos lidando com pessoas que muitas vezes perderam o sentido da vida e suas motivações; o sofrimento é intenso, precisamos ajudar, compreender, família, amigos, sociedade, profissionais a resgatar o valor a vida, através do refortalecimento da estrutura de personalidade, da capacidade do enfrentamento às adversidades, administrar as frustrações e insatisfações que os vários momentos da vida se apresentam a cada um de nós. Uma nova forma de perceber o mundo, ressignificar valores e conceitos, traumas e fatores de sua história, faz parte da reconstrução deste valoroso sentido à vida”, finaliza.