Pesquisa da Agenda 2020 alerta para casos de homicídios e tráficos de drogas
Os indicadores econômicos e sociais apresentados pelo projeto Sinaleira 2020, desenvolvido pela Agenda 2020, revelam dados preocupantes no setor de segurança do município de Erechim. O desafio da maior cidade do Alto Uruguai é reduzir o número de homicídios e combater o tráfico de drogas. Conforme a pesquisa que se baseia em dados da Secretaria Estadual de Segurança Pública, a situação mais preocupante está entre os casos de homicídio, que desde 2006, se mantém acima da meta estipulada pela Organização Mundial da Saúde. A OMS considera tolerável o número de dez mortes para cada 100 mil habitantes. De acordo com os números o sinal é vermelho para a "Capital da Amizade", que em 2015 registrou 13 mortes ao longo do ano e em 2016 já tem 13 casos confirmados e um em fase de investigação.
O sinal é amarelo para os números da sinaleira referentes ao tráfico de drogas. O alerta fica por conta do crescimento médio das ocorrências no município nos últimos anos. Entre 2005 e 2015, a variação média no número de casos foi de cerca de 8%. A meta da Agenda 2020 é que os casos de tráfico de drogas, por estarem excessivamente atrelados ao aumento da criminalidade e da violência, sejam reduzidos em 50% nos próximos cinco anos.
O registro de apreensões e prisões por uso e venda de entorpecentes tem mantido um índice de crescimento de 8% nos últimos anos. De acordo com dados da Sinaleira 2020, Erechim apresentou uma queda de cerca de 50% nos últimos três anos, por este motivo a cidade recebeu o sinal amarelo de atenção, pois apesar da queda precisa continuar diminuindo seus números nos próximos quatro anos.
Perfil de Erechim
A população do município de Erechim representa quase 1% da população do Estado e sua participação vem aumentando nos últimos anos. Entre 2004 e 2014 a variação da população gaúcha foi de 5,2% enquanto o número de habitantes do município cresceu em 9,2%. A contribuição de Erechim no PIB estadual é de 1,2%.
Município
De acordo com o Secretário de Segurança Pública e Proteção Social do município de Erechim, Rafael Testa, o poder Executivo bisca desde 2009, trabalhar com integração entre as forças de segurança, prestando o apoio necessário para entidades, com objetivo de buscar uma queda no índice da criminalidade no município. "Seja através de verbas pelo Consepro ou outros meios, acreditamos que as ações do govern já tem se refletido em um âmbito geral" destaca o secretário.
Brigada Militar
Segundo o capitão Mauricio Paraboni Detoni, a Brigada Militar busca novas formas de combater o tráfico de drogas que, segundo o responsável pelo policiamento ostensivo, muitas vezes é também a principal causa de homicídios. "Com o efetivo cada vez mais reduzido temos focado com o programa Avante, para combater o tráfico. Mas é importante destacar programas como Proerd, que tem auxiliado neste combate também. Estamos a cada dia buscando uma solução conjunta entre os comandos e a Polícia Civil para diminuir estes números", comenta Paraboni.
Polícia Civil
Para o delegado Gustavo Vilasbôas Ceccon, apesar dos números estarem acima da meta estipulada pela OMS, Erechim ainda apresenta um número pequeno comparado com a média nacional que é de 28 casos a cada 100 mil habitantes. O titular da Delegacia Especializada de Furtos, Roubos, Entorpecentes e Capturas (Defrec) de Erechim, destaca que a Polícia Civil atua no combate por meio da investigação e responsabilização dos envolvidos na maioria dos casos, mostrando para a sociedade que quem mata o faz o tráfico de drogas, não fica impune. "Nos últimos três anos nossa média é 90% de resolução comparado com o país que é de apenas 8% dos crimes", destaca o Ceccon.
Solução
Para o sociólogo e professor da Universidade Federal Fronteira Sul (UFFS), câmpus de Erechim, Luís Fernando Santos Corrêa da Silva. O Brasil vive uma epidemia de homicídios e a "Capital da Amizade" não foge a essa realidade. Por isso, para que a cidade chegue às metas estipuladas pela agenda 2020, será preciso compreender principalmente que a violência não pode ser combatida com mais violência. "É que a diminuição dos índices gerais de violência, como homicídios, passa necessariamente pela afirmação de uma cultura de paz, de respeito ao outro e às diferenças, e que precisa estar presente na formação humana desde a infância. Família e escola são instituições fundamentais para essa mudança", finaliza.