Memórias de Viagem
O Japão nasceu de forma violenta, quando duas das gigantescas placas tectônicas que cobrem a superfície da Terra colidiram, fazendo a crosta se encurvar, formar montanhas e cuspir rocha fundida para formar vulcões. Não é de admirar que o Monte Fuji, com seu cone vulcânico quase perfeito, seja um dos símbolos do país.
Reminiscências
O Japão está sujeito a terremotos e tsunamis, ondas gigantescas e destrutivas causadas por erupções vulcânicas e terremotos submarinos. O maior tsunami de quem se tem notícia foi o que aconteceu no litoral das ilhas Ryukyu em 1971, quando as ondas atingiram a altura fantástica de 65m. Com uma das maiores populações do mundo, o país concentra a maior parte da população em planícies costeiras, vales fluviais e aterros oceânicos. Apenas nesses lugares a terra é suficientemente plana para ser utilizada em moradia, agricultura e indústria.
Monte Fuji- símbolo do Japão
A cerca de 100km de Tóquio- a capital- está o belo cone coberto de neve do Monte Fuji, um vulcão que se mantém adormecido desde o início do século XVIII. Com 3.776m de altura, o Monte Fuji – chamado pelos japoneses de Fujisam – é a montanha mais alta do país e um dos símbolos mais importantes. Faz parte dos “Alpes Japoneses”. Numa viagem, passamos pelo vulcão Fuji, no “trem-bala” – o shinkansen – a 210km/h.
Alpes japoneses
O que mais impressiona nessas montanhas é a falta de habitantes. Além da cidade de Nagano, não existe sequer um simples vilarejo, apenas florestas a perder de vista e rios que descem velozmente as encostas abruptas. Tentativas de explorar economicamente as montanhas japonesas tiveram pouco sucesso. Apenas umas jazidas de valor comercial foram encontradas.
O turismo foi a forma de aproveitar essas regiões selvagens. Bons centros para esse esporte são as cidades de Nagano e Morioka, no extremo norte da linha do “trem-bala”, que leva para lá passageiros de Tóquio, a 460 km de distância. Há outra atração: o magma que brota das entranhas da Terra pode produzir explosões vulcânicas ou, se o efeito for suave, criar fontes de água quente sulfurosa. Estas águas as conhecemos muito bem, aqui na nossa região. Nos Alpes Japoneses existem mais de 2 mil dessas fontes e os japoneses as procuram em busca da cura para suas doenças ou para relaxar. Ainda nos seus Alpes existem alguns pequenos vulcões ativos. Quando entram em erupção, os moradores das vizinhanças usam guarda-chuvas para se proteger das cinzas.
O medo dos terremotos
Da década de 1970 para cá, aconteceram mais de 15 terremotos com escala superior a 5,5 e chegando a 7,4 pontos. Em cidades onde quase todas as casas são de madeira, o fogo pode ser um grande risco. Mas as modernas construções japonesas estão adequadas a suportar esses violentos tremores ou com menos destruição. Na verdade, os japoneses pensam mais nos tremores do futuro, que nos do passado. Especialistas em sismologia, da Universidade de Tóquio, acreditam que a cada 69 anos deva ocorrer um grande terremoto.
Fascínio pelo terror
A psicologia coletiva dos japoneses parece envolver um certo fascínio pelo terror. A mesma natureza, que sempre encantou sacerdotes, poetas e pintores pode ser terrível em sua ira. Atualmente, muitos filmes e romances exploram a mistura do medo e fascínio que os grandes eventos da natureza despertam na maioria dos japoneses. O medo faz parte da vida do povo, pois já tiveram muitos desastres. O terremoto que abalou a bela cidade de Kobe, em janeiro de 1995, atingiu 7,2 na escala de pontos Richter. Foi o pior terremoto do Japão desde 1923.
A palavra escrita
A escrita japonesa, resultou de um longo processo de desenvolvimento. É uma mistura complexa de caracteres chineses e um sistema baseado no alfabeto latino. A linguagem escrita permanece inalterada desde que foi introduzida no século VII. Mas, o Japão de hoje, fala a língua inglesa e usa a escrita moderna. As escolas ensinam a língua inglesa como segunda língua mãe. Qualquer habitante, das cidades, domina o Inglês.
Mecenas das artes
Os japoneses são os maiores leitores de jornais do mundo. O periódico de maior circulação no país vende 10 milhões de exemplares por dia. Os grandes jornais diários do Japão apoiam atividades culturais. Além de publicar jornais, livros e revistas, patrocinam equipes esportivas e grupos teatrais. Financiam orquestras famosas, times de beisebol e até escolas de administração.
Conclusão
No Japão, onde o Monte Fuji, com seu cone perfeito, é considerado sagrado e investido de espiritualidade. Os vulcões são uma prova de que a Terra está viva. A natureza é uma rede complexa que liga os cinco elementos – água, fogo, madeira, metal e terra –. Ela demonstra seu poder nos ventos que fustigam as planícies, nos tufões que varrem as costas oceânicas, nas inundações e terremotos. Tudo isso faz parecer muito frágeis as obras do Homem.