É muito comum que, ao ouvir a palavra “câncer”, se associe a uma doença potencialmente mortal e se pense no diagnóstico como uma sentença de morte. De fato, trata-se de uma doença assustadora que pode levar a desfechos desfavoráveis e dolorosos.
Mas, afinal, o que é o câncer? Segundo o INCA (Instituto Nacional de Câncer), o câncer engloba mais de 100 diferentes tipos de doenças que têm em comum o crescimento desordenado das células, podendo invadir tecidos próximos e órgãos a distância. A partir desse crescimento rápido, estas células tendem a ser agressivas e incontroláveis, ocasionando a formação de tumores. E qual é a causa desta doença? Podemos dizer que o câncer possui causa multifatorial, isto é, existem diversos fatores que podem acarretar um maior risco para o desenvolvimento da doença. Dentre eles, estão: exposição a substâncias prejudiciais no ambiente (como por exemplo agrotóxicos, radiação), hábitos de vida não saudáveis (tabagismo, alcoolismo, má alimentação, sedentarismo) e predisposição genética. No entanto, isso tudo não é decisivo para o aparecimento da doença – que também pode acometer pessoas saudáveis e que não apresentavam nenhum fator de risco antes, já que o câncer está inteiramente ligado a uma mutação no DNA celular.
Quando se descobre um câncer (seja ele de qual tipo for), pode-se vivenciar sentimentos de medo, tristeza, raiva, desespero e revolta, além do convívio diário com as incertezas e com o seguinte questionamento: “mas por que comigo?”. Embora não exista uma resposta (pronta) para tal pergunta, é possível que cada um que convive com a doença vá atribuindo um sentido ou significado a ela ao longo do percurso – mas sempre de maneira singular e subjetiva.
Além de todos esses sentimentos, incertezas e questionamentos, a pessoa que enfrenta o câncer também se depara com inúmeras perdas: dos cabelos, da funcionalidade do corpo, dos papéis sociais e na família, da autonomia, do que se podia fazer naturalmente e, agora, já passa a ser algo dificultoso. E frente às mais variadas perdas experienciadas desde o início do processo oncológico, está a necessidade de um trabalho de luto. Luto por uma condição perdida, pela rotina que a doença é capaz de alterar; luto pelo corpo delineado pelas marcas do tratamento; pelo tempo que, por vezes, não fora bem aproveitado. Luto pela imagem não reconhecida em frente ao espelho; pelos planos adiados, inacabados e até mesmo enterrados.
Assim como o diagnóstico e os efeitos da doença e do tratamento impactam de formas diferentes na vida de cada um, assim também acontece com as maneiras de lidar com o adoecimento. Não há modo correto de enfrentar a doença, existe o modo de cada um: com sua bagagem de experiências, sua subjetividade, as construções internas que conseguiu elaborar durante a sua vida, o que aprendeu sobre momentos de crise, como costuma reagir diante de ameaças externas e de que forma lida com seus próprios sentimentos e emoções, além do contexto onde se encontra.
Diante das adversidades e angústias suscitadas pela doença, é muito importante que se tenha uma base segura de apoio, que inclui família, amigos e equipe multiprofissional. O suporte psicológico pode ser valioso para o enfrentamento desse momento de crise, auxiliando o paciente oncológico na tarefa de respeitar as limitações que possui, bem como favorecer a possibilidade de externalizar os recursos psíquicos de que já dispõe.
Laura Ribeiro Vozniak
Psicóloga Clínica – CRP 07/32139
Especialista em Oncologia