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Opinião

Educação, Ensino de História e Arquivos (III)

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Henrique Trizoto
Por Henrique Trizoto
Foto Divulgação

Ao longo das últimas semanas, temos analisado a relação entre educação, ensino de história e os arquivos, tendo em vista que esses três elementos formam um tripé para a compreensão de mundo, das sociedades e das múltiplas realidades que elas apresentam. Discutir esta relação perpassa pela compreensão dos projetos norteadores de cada um desses elementos.

Poderíamos então sugerir que três questões poderiam nortear essa discussão: primeira, qual é o projeto para a educação das classes menos abastadas? Segunda, quais os conteúdos são valorizados nesse projeto? E terceira, qual o papel de um arquivo neste cenário?

A primeira questão me remete à uma aula de política educacional que tive na graduação, literalmente uma década atrás, onde a professora costumava proferir, palavras mais palavras menos, toda educação reflete um projeto de nação. Este argumento me soa um projeto em longa duração, afinal, historicamente, o Brasil criou mecanismos para condicionar atuação das classes inferiores, seja por meio do voto ou por meio de uma educação voltada para atender os interesses da elite. Trago como exemplo o novo ensino médio, que ensina nossos jovens administrar o pouco que ganham, ao invés de ensiná-los a questionar por que ganhando pouco.

A segunda questão é diretamente ligada ao ensino de história, que, assim como as demais áreas das ciências humanas, oferecem ferramentas para uma formação mais humanística, que preza pelo desenvolvimento da consciência histórica, social e fornece escopo para compreender a realidade individual e coletiva de um determinado grupo social. Ao mesmo tempo, permite dialogar com as diferenças para promover a cultura da paz, o respeito e o combate a todos os tipos de discriminação.

 A terceira questão nos remete a atuação dos arquivos históricos nesse cenário, sem perder de vista a ideia de que para preservar uma determinada narrativa, outra é silenciada. Assim, se compreendido como um ambiente não formada educação, um arquivo oferece por meio de atividades de formação continuada para professores e de educação patrimonial para o público educacional, ferramentas para auxiliar no desenvolvimento da consciência histórica e da consciência crítica sob a perspectiva de universalizar o acesso as fontes e problematizar os percursos, as narrativas, os silenciamentos e toda monumentalidade de uma determinada cultura.

Assim, percebemos a importância desses elementos para a transformação social sem discursos utópicos. Compreendê-los enquanto ferramenta de controle social é um passo importante para valorizar a atuação dos profissionais, as políticas públicas e principalmente debater os rumos da educação e do projeto de nação que deve se pautar, ou deveria se pautar na ética, equidade, respeito e responsabilidade.

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