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Opinião

E, as raízes?

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Neusa Cidade
Por Neusa Cidade Garcez
Foto Divulgação

Historiógrafa - Escritora - Mestre História Ibero Americana URI. Membro da Academia Erechinense de Letras

Em uma reportagem realizada em Sergipe, foi abordado um tema que chamou minha atenção. Desde a compra da terra, o proprietário conservou uma casa onde viveram duas ou três gerações de sertanejos trabalhadores no local. Na velha casa estão todos os objetos usados na lida com o gado e nas plantações. Igualmente os utensílios de cozinha, fotos nas paredes, baús com roupas. Tudo está em respeitoso silêncio ao passado.

Uma palavra amada veio-me rápida: É um Museu. Ao final, da reportagem o repórter fez ao proprietário a indagação reveladora: Por que preservar com respeito todos aqueles objetos velhos? A resposta que me emocionou foi: “Guardei tudo, pois sei que sem raízes, uma árvore não pode produzir. ” O exemplo simples e claro pode ser aplicado em diversos setores e momentos.

De imediato veio-me à lembrança a história única, da caminhada árdua de nossos ancestrais que subiram os peraus, no início a pé, ou a cavalo, em carroças e só muito depois no cavalo de ferro que iniciou sua corrida pelos idos de 1910.

A hoje pujante e progressista cidade de Erechim nasceu no berço verde da Colônia Erechim há 105 anos. Terra de boas aguadas, povoada por inúmeras espécies de animais, e por uma gente de linda pele cor de cuia, os primitivos donos da terra!

O imigrante e seus descendentes souberam, em uma comunhão rude, mas fraterna, vencer o medo, a saudade, as privações e foram edificando uma região de sólidos valores, deixando nela sua MARCA indelével de bravura, fé e coragem. Escrevi um texto certa vez, intitulado “Cidade Museu", referindo-me a Erechim. A herança colonial estava viva na cidade, onde o transeunte ou o visitante podia observar os belos casarões onde aparecia o amor e o talento do construtor, nos arabescos em madeira, chamados lambrequins, nos arejados chalés, ou nos elegantes bangalôs. Igualmente nos prédios com enfeites diferenciados. A arte Dèco em alguns deles chamava a atenção. Éramos uma cidade com características marcantes que encantavam o olhar e o coração.

De repente, uma a uma, as edificações históricas foram ruindo, com total insensibilidade dos proprietários.

Por que não foi construído um pequeno local onde algumas casas, como a do professor Mantovani, tivessem sido reconstruídas com o aproveitamento total de seus materiais, ou ao menos com grande parte deles?

O progresso pede prédios, é verdade. Mas, e nossas raízes onde ficaram? Foram extirpadas na busca do “ter”, sem contemplar um cantinho sequer para o “ser”, o “sentir” o “orgulhar-se”. No passado, não tão longínquo, um pequeno exército de audaciosos e amorosos soldados, lutava, uma luta inglória, mas perseverante na defesa de nossos bens arquitetônicos e culturais. Albano Wolkmer, Vanda Groch, Luiz Fiori, Rosely Hachmann, Prof. Enori e eu, éramos ferozes guardiões do que considerávamos válido para a nossa memória. Enfrentamos descaso, chacotas e parece-me que Waterloo não foi nossa.

A pergunta sempre grita: Como mostrar algo concreto de nosso valoroso passado?

A resposta envergonhada fala baixinho: Nos arquivos, nas fotos, e em alguns prédios da Rua Alemanha e da Avenida Maurício Cardoso.

 

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