Com o avanço da colheita de soja se confirmam as perdas que a estiagem deixa aos produtores gaúchos. Na região da abrangência do Escritório Regional da Emater/RS-Ascar de Erechim, dos cerca de 240 mil hectares com a cultura, 76% já foi colhido, conforme dados atualizados nesta semana. A produtividade média tem ficado em 46 sacas/hectare, mas chama atenção pela expressiva variação entre áreas e municípios. No Estado, 70% da área foi colhida.
– Em um mesmo município, em áreas vizinhas, se vê variações consideráveis, de até 30-40 sacas por hectare, bem característico de quando há estiagens, em que ocorrem apenas pancadas de chuvas isoladas. Também há o impacto das cultivares – pontua o assistente técnico regional de culturas da Emater/RS de Erechim, Ângelo Poletto.
Isso se comprova em outros números: o município de Charrua tem uma média de 60 sacas/hectare, enquanto Cruzaltense soma até agora uma média de 35 sacas/hectare. Como ainda existe uma área considerável para concluir a colheita, naturalmente os dados finais podem sofrer impactos.
O milho é a cultura mais afetada pela estiagem na região, com perdas de 45% na produção de grãos de 48,5 mil hectares; e 41% de perdas na silagem, com 21,5 mil hectares cultivados nesta safra.
Avaliando até o momento a safra de milho e soja 2022/23 e esse impacto da estiagem, a Emater/RS estima uma perda de pelo menos R$ 1 bilhão na movimentação econômica regional, se considerar a média estadual que era esperada, de 52 sacas/ha – sem contar que o potencial da maioria das áreas seria acima desta média.
Outro fator que influencia na redução do valor bruto é preço pago ao produtor. No fim de abril de 2022, a média no RS era de R$ 186,00/saca de soja; neste mesmo período de 2023, o valor médio é de R$ 135,00/saca, conforme o acompanhamento semanal de preços feito pela Emater/RS-Ascar.