Uma bebida típica do Sul do Brasil, deixada de herança pela tribo Guarani. É quase impossível alguém nunca ter experimentado o chimarrão, companheiro de muitas pessoas do amanhecer ao anoitecer.
Na atualidade, ele é confeccionado de várias maneiras, pois cada um que prepara e adapta da forma que mais agrada seu visual e paladar. Em Erechim a profissional Mônica Carla, é especialista nesse assunto, e há alguns anos confecciona os mais diversificados modelos de chimarrão, compartilhando com seus seguidores em uma página no Instagram e Facebook, chamada Prenda Mate, além de participar de eventos.
“A história da Prenda Mate iniciou ainda quando menina, observando meus pais que gostavam muito de tomar chimarrão. Resolvi seguir a tradição, por isso, fui aprendendo. No início não era fácil, errava, testava, mas não desisti. Com o tempo também fui criando novos modelos e desenvolvi a página para ensinar as pessoas”, conta.
A gaúcha revela que mesmo que pareça difícil testar novos métodos, a base de todos eles é praticamente igual. “Por meio dessa base vamos fazendo novos moldes, desenhos e toda a parte artística”. Segundo ela, quando participa de eventos, cria mates com a inicial do nome da pessoa, desenhos, figuras geométricas, deixando apenas o talento e a imaginação para criar o trabalho”, revela.
Mate decorado
Os enfeites para chimarrão têm ganhado espaço no mercado. Há quem diga que é ‘frescura’, mas existem também os que não dispensam a novidade. “Como trabalho com chimarrão, tenho que experimentar todos os tipos e cá entre nós, gosto de fazer uma frescurinha também. Costumo dizer para as pessoas que o errado é não tomar chimarrão, pode ser qualquer um, não cuidar de madeira, porongo, não interessa, o importante é tomar chimarrão”, finaliza.
Curiosidades
Com informações: Blog Nossa Casa
Origem
Por volta do século XVI, colonizadores espanhóis chegaram às terras brasileiras, em uma localização em que hoje está situado o estado do Paraná. Na localidade, viviam tribos de indígenas Guaranis que costumavam consumir uma espécie de chá servido em porongo, caá-i ou ‘água da erva’. A bebida não era bem-vista pelos padres jesuítas. Por não saberem do que se tratava e trazer à memória a ligação de infusão de ervas com a bruxaria, o consumo do mate foi proibido. O impedimento não durou muito tempo, e, no século XVII, os próprios jesuítas incentivaram seu uso em combate ao alcoolismo.
Dicas para preparar um bom mate
A constituição tradicional do chimarrão é uma cuia, uma bomba, erva-mate e água quente. O segredo está nos pequenos detalhes. A conservação destes itens interfere no sabor do seu mate, por isso, ao lavar a cuia, use somente água corrente, com esponja ou escova, e deixe-a deitada para que o oxigênio passe por ela. Para lavar a bomba use água corrente e fique atento para não deixar pó acumulado no bojo, pois isso pode entupir seu chimarrão.
Na erva-mate, está o segredo do sabor marcante da bebida. Em geral, tem um amargor típico, também podendo ser defumada ou ainda contar com misturas de chás.
Em relação a água, ela precisa estar quente, mas não pode estar fervendo para que, com seu calor excessivo, não queime a erva ou a boca, e tire as propriedades medicinais da bebida.
Significado dos ‘mates’
Antigamente, os casais apaixonados utilizavam o mate como um meio de comunicação. As mensagens eram transmitidas de acordo com o que era posto na cuia. Confira alguns exemplos!
– Mate com açúcar: Quero a tua amizade
– Mate com açúcar queimado: És simpático
– Mate com canela: Só penso em ti
– Mate com casca de laranja: Venha me buscar
– Mate com mel: Quero casar contigo
– Mate frio: Te desprezo
– Mate lavado: Vá tomar mate em outra casa
– Mate enchido pelo bico da bomba: Vá embora
– Mate muito amargo (redomão): Chegou tarde, já tenho outro amor
– Mate com sal: Não apareça mais aqui
– Mate muito longo: A erva está acabando
– Mate curto: Pode prosear à vontade
– Mate servido com a mão esquerda: Você não é bem-vindo
– Mate doce: Simpatia
Saiba mais
A cuia deve ser passada com a mão direita e a roda de mate deve ir para a esquerda daquele que preparou o chimarrão.
O preparador deve beber o primeiro chimarrão em sinal de educação, para testar a temperatura da água e também porque o primeiro é sempre o mais amargo.
Não mexa na bomba ou na erva, essas ações são consideradas faltas graves em uma roda de mate.
Numa roda de chimarrão, não se toma apenas um golinho e passa o mate adiante. É preciso tomar tudo, até a bomba ‘roncar’. Se isso não é feito, é considerado uma desfeita.