Pesquisas recentes, realizadas nos Estados Unidos, revelam um dado alarmante: a cada 36 crianças que nascem, uma será autista. Antigamente, se ouvia falar apenas dos casos severos de autismo, o que fez com a sociedade construísse uma imagem preconceituosa dessas pessoas e, os portadores de casos mais leves, fossem ‘poupados’ do diagnóstico e consequentemente, do tratamento.
Com a evolução da ciência e a astúcia dos profissionais de identificarem os sinais, que aparecem ainda na primeira infância, muitos casos estão sendo confirmados. É importante ressaltar que, o autismo não é doença, mas uma condição genética, ou seja, não há cura, apenas formas de amenizar os sintomas que variam muito de indivíduo para indivíduo, por isso o termo Transtorno do Espectro Autista (TEA).
“É um transtorno do neurodesenvolvimento que se caracteriza por dificuldades na comunicação ou intenção comunicativa, interação social e com a presença de movimentos restritos e repetitivos. A causa envolve aspectos neurológicos, biológicos, genéticos e fatores ambientais”, explica a fonoaudióloga especialista em TEA, Janaise Bernardi Trentin.
Ela explica que a condição foi definida recentemente em três níveis de suporte. “O nível 1, que seria o leve, nível 2 que é o moderado e nível três, que abrange os casos severos. Dentro de um mesmo nível ainda podemos ter crianças que apresentam sinais diferentes, por isso não é exagero dizer que cada criança autista é única e possui seu processo de desenvolvimento”, afirma.
Ainda é muito comum ouvir afirmações populares de que, cada criança possui “seu tempo”, dentro do processo de desenvolvimento infantil, dito que, conforme a profissional, deve ser deixado de lado. “Possuímos alguns marcos do desenvolvimento que são esperados para determinada idade. Por isso, é importante ficarmos atentos quando a criança começa a falar, ao desenvolvimento psicomotor que é quando segura a cabeça, quando senta, caminha. Se percebermos algum atraso, é preciso procurar um profissional para saber se a criança está dentro do esperado ou não”, indica Janaíse.
Caroline Martarello dos Santos, é uma adolescente de 16 anos, diagnosticada com autismo aos 11 anos, idade que já é considerada tardia para o tratamento. “Na época fizemos a testagem para ter a confirmação, foi difícil porque o assunto não era comentado naquele tempo, e esse período em que ela ficou sem as terapias prejudicou muito seu desenvolvimento. Após algum tempo iniciamos o tratamento neurológico e hoje ela segue, frequentando a psicóloga e em acompanhamento com as professoras de Atendimento Educacional Especializado, na escola”, conta a mãe, Aline Martarello.
A responsável explica que a menor possui idade mental de oito anos, o que prejudica seu desempenho estudantil. “Ela não acompanha os colegas, e no ano passado, por exemplo, sofria muito por ser excluída por eles. Nesse ano a realidade mudou, e eles a integram para os trabalhos e atividades, atitude que traz muita felicidade para ela e nossa família”, revela.
Os sintomas que Carolina apresenta, conforme a mãe, são: mudanças de humor, distúrbio do sono, convívio social afetado, rejeição ao contato físico e seletividade alimentar. Em meio a tantos desafios, a dona de casa precisa encontrar força no dia a dia, para ajudar a filha a se desenvolver cada dia mais. “Mesmo com as dificuldades, agradeço a Deus por ter ela. Eles nos ensinam a amar diferente, nos mostram o que é o amor verdadeiro”, finaliza.