Em 16 de fevereiro de 2023 escrevi a coluna "Educação em tempos de cólera" em que abordo a complexidade do início do ano letivo por meio de algumas metáforas, citando Gabriel Garcia Marquez, George Orwell, Pink Floyd e até Tropa de Elite 2. Em virtude do cenário atual de negacionismos, atentados e violência como solução, utilizarei Fahrenheit 451 como plano de fundo para debater os descaminhos que a violência impõe à educação.
Procurando uma conexão com a história local, não pude ignorar os impactos da Revolução de 1923 na educação do Município naquele ano e no seguinte. Sobremaneira, por ser corriqueiro se falar apenas das batalhas que ocorreram em 24 de abril na Fazenda Quatro irmãos e a derrota dos revolucionários pela Brigada do Norte comandada pelo Gal. Firmino de Paula, em 23 de junho no Desvio Giareta.
Cenários de terra arrasada, conflitos pela posse e ocupação da terra, conflitos políticos e patrulhas ideológicas tornam livros e bibliotecas inimigos da sociedade assim como no aclamando Fahrenheit 451 de Ray Bradbury lançado em 1953 e adaptado ao cinema pela primeira vez em 1966.
Guy Montag é um bombeiro cuja principal função é atear fogo em livros e em bibliotecas, em uma cidade distópica em que os livros e as bibliotecas são os inimigos da nação e as telas brilhantes era a principal distração (reitero, a obra é de 1953). Sua vida de cidadão médio na acepção da palavra, muda por completo ao conhecer a aspirante a professora Clarisse McClellan e seus intermináveis questionamentos.
A ideia de queimar sumariamente os livros não é nova, ao longo da história temos vários exemplos.... Portanto, a educação e conhecimento são inimigas de sociedades repressivas e em guerra, seja como na Revolução de 1923, em países reféns de regimes totalitários ou na sociedade da informação que sobre com McCarthismos e neoMcCarthismos
Encerrei a supracitada coluna com a assertiva: "Fomentar o debate é urgente, e perigoso. Universalizar o conhecimento também é. Os ambientes não formais de educação como os Arquivos Históricos são ferramentas interessantes para produzir reflexões. Educar é emancipar, é promover a cidadania plena. É construir pontes e suplantar a terra arrasada.
Reitero o posicionamento acerca da necessidade da universalização do conhecimento, dos debates e do papel importante de espaços como os Arquivos Históricos para a produção de reflexões, afinal não vivemos nos tempos de Guy Montag.