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Opinião

O porquê dos símbolos da páscoa

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Símbolos da páscoa
Por JF Martignoni
Foto Divulgação

Quando eu era criança, meu avô Luiz Vasileski, com ajuda de boa parte de minha família mais próxima, administrava o Ginásio São Pedro, propriedade da Mitra Diocesana de Erexim. Então, não só nasci em uma família católica, como vivi no meio da igreja e dos ritos católicos.

Estive presente durante boa parte da colagem dos vidros que compõe o mosaico que enfeita a paróquia. Lembro de acompanhar a composição dos tapetes de Corpus Christi. De admirar crucifixos, quadros religiosos entre diversos outros itens de mercadores viajantes que vinham até aqui dos mais distantes cantos do Brasil aproveitar as grandes cerimônias dos fiéis. Não perdia uma missa, conversava com um padre pelo menos uma vez ao dia. Até pensei em ser padre, achava magnífico o poder de falar a uma multidão que em silêncio ouvia atenta. Ter pessoas confiando no seu intelecto e fé ao pedir conselhos e soluções para seus problemas. Na sua compreensão e evolução espiritual para confessar-lhe seus pecados. Todavia acabei descobrindo do que teria que abrir mão para tal, então procurei outras maneiras de ser ouvido.   

Sempre unido de minha curiosidade crônica andei refletindo sobre a Páscoa, época tão importante desde meu primórdio, e me perguntei por que um coelho? Por que ele traz ovos? Por que os ovos são de chocolate? Então resolvi investigar e trazer algumas respostas a vocês que também podem ter essas dúvidas.

Há diversas versões, obviamente, como o começo de qualquer coisa na longa história da humanidade. Um coelho supostamente teria ficado preso dentro do sepulcro de Cristo e foi o único ser vivo a testemunhar sua ressureição, e assim teve o privilégio de contar as boas novas para todo o mundo.

Todavia o coelho já era ligado ao “renascimento, ” por ser o primeiro animal a sair da toca depois do duro inverno europeu, sendo um símbolo da vida e da esperança de uma nova primavera. A festa de Páscoa inclusive coincide em data com o rito pagão europeu do equinócio de primavera.

Tal festa volta a ser referenciada para responder por que dos ovos: "Muitos séculos antes do nascimento de Cristo, a troca de ovos no equinócio da primavera, comemorado no dia 21 de março no hemisfério Norte, era um costume que celebrava o fim do inverno", explica o monsenhor André Sampaio Oliveira, doutor em Direito Canônico. Desde pelo menos os romanos, que acreditavam que o universo tinha um formato oval, ovos cozidos e decorados são usados como presente que significa um futuro próspero ao presenteado.

Outra importante tradição ligada a Páscoa é a judaica, que na mesma época festeja o Pêssah, a libertação do povo judeu no Egito, a própria palavra Páscoa vem de Pêssah, ´passagem´ em hebraico.  E o ovo por endurecer ao ser cozido, diferente da maioria dos alimentos, representa como o povo judeu ficou mais forte depois dos períodos de sofrimento, e é importantíssimo nesta celebração.

Com o passar dos séculos, esses ovos decorados passaram a ter seu conteúdo original retirado e substituído por recheios mais apetitosos, mas apenas no século XVIII que confeiteiros franceses decidiram usar o chocolate para preencher o interior, o que sem muitas surpresas foi um sucesso. Já no século XIX os ovos eram feitos de chocolate e recheados de bombons, como os que conhecemos hoje.   

Vale lembrar que canonicamente para a Igreja Católica, o verdadeiro símbolo da páscoa é a grande vela branca, qual estão inscritas as letras gregas, alfa e ômega, o princípio e o fim, o símbolo da luz de Cristo, o círio pascal. "O símbolo maior da Páscoa é a luz de Cristo. A luz do Domingo da Páscoa se contrapõe à escuridão da Sexta-Feira da Paixão. O que era dor e tristeza se transforma em força e alegria", afirma o teólogo Isidoro Mazzarolo, da PUC-Rio.

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