Em março é comemorado o mês Lilás, em conscientização ao câncer de colo do útero. Embora o período da campanha tenha terminado, os cuidados precisam continuar. Mesmo que as informações sobre a doença estejam se disseminando, ainda é necessário que o assunto seja tratado de maneira mais frequente, a fim de identificar possíveis sintomas, obter um diagnóstico médico e realizar os tratamentos necessários.
Segundo a médica oncologista de Erechim, Adriana Elisa Wilk, o câncer de colo do útero é o segundo tumor feminino mais incidente. “Temos várias explicações, tanto para os sintomas quanto para os fatores desencadeantes. É um tumor em que as relações sexuais e a transmissão do vírus HPV tem uma relação direta com o surgimento, pela via sexual. Se desenvolve no colo uterino, e se não for diagnosticado precocemente, pode trazer algumas consequências. Sabemos que um câncer tem como característica, um crescimento desenfreado, aleatório e a capacidade de se espalhar tanto no local, quanto distante, aquilo que chamamos de metástase”, explica.
Sintomas
Para identificar os sintomas, conforme a profissional, é necessário observar alguns sinais. “Sangramento fora do normal durante a menstruação, sangramento após manter relação sexual, dor durante o ato, surgimento de secreção vaginal com odor desagradável e coloração escura, dor anormal na região da pelve. Esses são alguns dos indícios, porém, em casos mais avançados pode haver urina e evacuações com sangue e ínguas na região da virilha”, esclarece.
Exame preventivo
O exame preventivo é fundamental, na busca por um diagnóstico precoce, mesmo antes do surgimento dos sintomas. “O diagnóstico precoce se faz através da realização do exame Papanicolau - o preventivo, que é muito simples de ser feito, pela coleta das células do colo uterino, com análise patológica”, ressalta Adriana.
O mais importante é que na presença de qualquer sintoma que persiste por cerca de 20 dias e não melhora, a paciente vá em busca de um profissional, para proceder a adequada análise e identificação do que está havendo.
Tratamento
A oncologista salienta que quando os sintomas surgem, geralmente o tumor já está instalado. “Esse tumor pode trazer sérias consequências, desde dor, sangramento, até situações mais sérias de evolução para obstrução do intestino, que fica atrás do colo do útero. Pode invadir a bexiga também”, aponta.
Quando se identifica por meio do exame preventivo apenas lesões pré-malignas, o tratamento é simples. “Erradicamos aquilo que pode levar a um câncer”. Em situações de tumor mais avançado, a possibilidade é cirúrgica. “Precisa ser retirado todo o útero com linfonodos e estruturas anexas. Em muitas mulheres, se cogita a possibilidade de retirar as trompas, por uma prevenção de surgimento de neoplasias secundarias. É uma cirurgia mais radical”, pontua.
Não havendo possibilidade cirúrgica, existem alternativas eficazes de tratamento, conforme Wilk. “Radioterapia, quimioterapia e uma novidade, a imunoterapia, que é um tratamento moderno que se utiliza das próprias células do organismo para combater o tumor, vislumbrando uma possibilidade de cura”.
Fator desencadeante
A infecção pelo HPV é o principal fator desencadeante do tumor. “Existem dezenas de tipos de HPV, porém, aqueles responsáveis por 70% dos tumores é um par chamado HPV16 e 18, e essas infecções podem ocorrer em qualquer momento em que a mulher se expõe a uma atividade sexual desprotegida, porque nos homens a grande maioria das infecções são assintomáticas, e não trazem consequências mais graves, tanto que a incidência de câncer de pênis é baixíssima”, indica.
Segundo a oncologista, estima-se que 90% das infecções por HPV, se auto estinguem, por isso as responsáveis por essas complicações seriam apenas 10%. “Muitas vezes quando a pessoa descobre, essa infecção já provocou modificações suficientemente grandes para desenvolver um tumor, mas a infecção é prévia, pode ter começado na adolescência e leva bastante tempo até desencadear”.
Prevenção
A prevenção é multifatorial. “Termos uma boa higiene íntima, principalmente após as relações sexuais. Uso do preservativo, realização periódica do exame fitopatológico. O ponto essencial da prevenção, desde 2014 disponível pelo SUS tanto para meninos quanto para meninas é a realização da vacina contra o HPV. Ela é tetravalente, protege contra cepas número 6 e 11, responsáveis por verrugas genitais e cepa 16 e 18, responsáveis por 70 % dos casos de câncer de colo uterino. Deve ser realizada a partir dos 14 anos, com duas doses, antes que se inicie a vida sexual”, finaliza.