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Opinião

O centésimo quinto abril

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Henrique Trizoto
Por Henrique Trizoto
Foto Divulgação

Estamos iniciando o mês de aniversário de 105 anos de emancipação política e administrativa da cidade de Erechim. O Arquivo Histórico oferece programação para comemorar a data. No saguão da prefeitura municipal e no da Câmara de Vereadores teremos entre os dias 04 e 30 de abril a exposição “Lembranças”, um passeio pela evolução urbana e por fatos marcantes da história local. É oferecido ainda às escolas mediante agendamento palestras sobre a história de Erechim, sempre às terças e quintas feiras.

O último elemento desta programação ocorre no dia 29 de abril as 10h durante as atividades da Feira do Livro 2023, o projeto “Café com História” que consiste em um bate papo sobre história local para rememorar “causos”, histórias e trajetórias que fizeram parte dos 105 da cidade. A ideia deste projeto é que ele prossiga ocorrendo mensalmente nas dependências do Arquivo Histórico, preferencialmente no último sábado de cada mês.

Propostas como estas visam aproximar a população do espaço do Arquivo e consolidá-lo como um ponto de sociabilidade e como ambiente não formal de educação. Ao mesmo tempo, fomentar um diálogo sobre a história local de maneira lúdica e agradável.

Recuperar elementos, fatos e trajetórias não apenas pelo enfoque biográfico e narrativo (semanticamente, o ato de contar algo a alguém), mas sim, para tecer “a análise crítica [destes] processos sociais (...) conduz à construção da noção de trajetória como série de posições ocupadas por um mesmo agente (ou um mesmo grupo) em um espaço ele mesmo em devir e submetido a incessantes transformações. Tentar compreender uma vida como uma série única e suficiente em si mesma de eventos sucessivos sem outra ligação que a associação a um “sujeito” cuja constância é apenas aquela de um nome próprio é quase tão absurdo quanto tentar explicar um trajeto no metrô sem levar em conta a estrutura da rede, ou seja, a matriz das relações objetivas entre as diferentes estações” (BORDIEU, 1986, p.62-63).

Pesquisadores e comunidade em geral podem, em eventos como este a priori, dialogar, socializar e trocar experiências acerca dos elementos constitutivo da sociedade e da história local. É, portanto, papel do Arquivo Histórico, fomentar, mediar e acessibilizar espaços / momentos para a realização destes diálogos que servem para trazer à tona também outros autores sociais que ajudaram na construção da cidade e que podem não estar necessariamente referenciados nas obras já escritas.

Referências

BOURDIEU, P. A ilusão biográfica. In Anais de Pesquisa em Ciências Sociais, 1986.

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