As intempéries climáticas e fenômenos atípicos para a época fizeram com que a safra da uva 2023, encerrasse com resultados inferiores aos do ano anterior. A colheita iniciou tardiamente, devido ao frio e as geadas, bem como aos ventos e períodos de céu encoberto, prejudicando a qualidade dos cachos, que apresentaram desuniformidades dos grãos.
O técnico da Emater/RS-Ascar, Walmor Gasparin, afirma que aconteceram inúmeras diversidades nas propriedades rurais. “Entre todos os fatores, as noites frias que se prolongaram até o mês de novembro foram cruciais, prejudicando o desenvolvimento, com bagos de uvas maiores ou menores no mesmo cacho, que diminuíram a qualidade da produção de muitas propriedades em nossa região”, revela.
De novembro até o momento, as chuvas ocorreram muito abaixo da média, conforme explica Gasparin. “Houve déficit de umidade no solo durante o período de maturação da maioria das variedades e de desenvolvimento das bagas, que tiveram o seu enchimento prejudicado, refletindo em tamanho e peso menores”.
O secretário de Agricultura, Abastecimento e Segurança Alimentar de Erechim, William Racoski, compactua da mesma opinião. “Infelizmente a produção foi bem inferior ao ano passado. O frio atípico que acorreu no fim do ano, interferiu na formação dos grãos. A seca também fez com que eles não maturassem ao mesmo tempo, o que ocasionou a perda na qualidade e volume de produção”, pontua.
Contraponto
Embora boa parte dos produtores da região terem suas colheitas prejudicadas, Narciso Bandiera, morador da comunidade de São Brás no interior de Erechim, consagrou a safra atual como excelente. “Na nossa propriedade a uva amadureceu em um padrão bom, deixando os consumidores satisfeitos com a qualidade. Com isso, ficamos felizes e motivados. A quantidade foi inferior ao ano passado, mas a qualidade superou as expectativas”.
Novas alternativas
Walmor aponta uma alternativa que tem impedido com que fatores externos prejudiquem a viticultura, o manejo de videiras sob cultivo protegido. “Quando falamos em uva protegida, com cobertura de estufa para a cultura, em plástico, temos algumas vantagens em relação às uvas não protegidas, pois é possível preservar o fruto das temperaturas extremas e garantir o benefício da irrigação por gotejamento, assegurando a umidade necessária para o desenvolvimento de forma mais adequada, com uma qualidade melhor e uniformidade dos cachos”, finaliza Gasparin.