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Opinião

O legado da etnia alemã para Erechim - RS (Parte I)

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Marlei Klein
Por Marlei Klein
Foto Divulgação

“ O Rio Grande do Sul deve parcela importante de sua riqueza às levas de imigrantes. Foram os imigrantes alemães os incentivadores de um processo de integração – até hoje em andamento – entre as zonas rurais e urbanas. Prepararam a transformação da dinâmica social, tornando-a mais diferenciada e com mais amplas opções. Somente pelo trabalho, respeito às leis e espírito criativo, conseguiram construir uma nova pátria. ”

REMINISCÊNCIAS

Os descendentes de alemães, na nossa região e principalmente na nossa Erechim, deixaram herança da sua cultura germânica. Um dos grandes acontecimentos foi a realização do Festival da Cuca Alemã por ocasião da comemoração dos 180 anos da sua Imigração no Rio Grande do Sul, que depois foi continuado. Foi um dos grandes e doces eventos aqui realizados. Por ocasião da presença da mais expressiva autoridade representativa da Alemanha, no Rio Grande Sul, num dos Festivais da Cuca, aqui realizados, o Cônsul Alemão Hans Dietrich Bernhard disse: “Aqui chegando, encontrei uma quantidade pequena dos descendentes do meu País. Mas, eles são melhores que os de outros lugares...”. Esse Festival deixou muitas saudades. Hoje, ainda é lembrado e seria muito bem-vindo. Mas, a Cuca Alemã exige muita mão de obra especializada e ingredientes de boa qualidade. Comparando com muitos outros tipos de cucas o seu preço é bem diferenciado. Na realidade de hoje seria difícil a sua comercialização, embora muito desejadas. Alguém, num dos festivais, disse: “Das cucas que estavam a venda uma era melhor que a outra”. Ficou a lembrança e a saudade. EIN SCHOENES DEUTSCH-BRASILIANECHE KUCHEN FEST! = UMA BELA FESTA DA ETNIA ALEMÃ, A FESTA DAS CUCAS!

A Comissão de Terras - o Castelinho

Sua arquitetura lembra os castelos da Alemanha, o telhado pontiagudo com suas torres. De madeira, com detalhes e arabescos, seria uma lembrança dos lugares longínquos de onde chegaram os imigrantes. Edifício histórico, pois foi nele que foi assinada a emancipação da cidade de Erechim. É o prédio da Colonização de Terras que guarda os lances do povoamento de Erechim, sua colonização e seu desmatamento.

O Pólo de Cultura e a etnia alemã

Ele foi a concretização dos laços que unem as principais culturas étnicas de Erechim e região. Tornou-se referência nacional de cultura e exemplo internacional de amizade entre diferenças que cada imigrante traz em si. A luta que o homem desenvolve para marcar a sua passagem pela vida é muitas vezes mais importante para ele do que os outros sucessos obtidos simplesmente para viver.  Sua construção foi uma grande ideia, que nasceu e ficou pronta. Foi uma visão diferenciada de viver e de futuro. Foi o resultado para acolher o fruto do trabalho dos diferentes imigrantes que um dia aqui chegaram e construíram a grandeza social, econômica e cultural que é Erechim. Dos imigrantes alemães ficou a contribuição da etnia que prima pela hospitalidade, pela franqueza e o irreprimível desejo de progresso.

O painel da etnia no Pólo de Cultura

O seu painel foi uma bela criação do artista erechinense Harrysson Testa. Foram fornecidos, a ele, os elementos que deveriam marcar a etnia alemã. Surgiu assim: As Torres e o Relógio.

As TORRES: os imigrantes alemães vieram de uma Alemanha que foi conquistada por celtas, romanos e teutônicos. De um país com milênios de história, repleto de castelos, muralhas e fortificações, com cidadezinhas medievais onde reis, rainhas, nobres, camponeses e, mais tarde, operários batalharam e criaram um dos mais poderosos países que hoje conhecemos. Essa diversidade necessitava ser conhecida, desde a magnífica arte encontrada ainda em seus castelos e palácios. As Torres lembram ainda uma etnia marcada pela refinada música dos imortais ou a exuberância popular e contagiante das cervejarias.

O RELÓGIO- Lembra a invenção do relógio mecânico, na Alemanha, por volta do ano 1 200.

AS PARREIRAS E A UVA- Simboliza a região do Hunsrück de onde aqui chegou grande parte dos imigrantes alemães. Uma região que fica, na Alemanha, na confluência dos Rios Reno e Mosela cujas margens recebem grandes parreirais.

AS FLORES- Um importante legado que os imigrantes deixaram para seus descendentes foi o respeito aos costumes e tradições: o gosto pelo belo, pela arte e pelo capricho. Toda casa alemã poderá ser simples, mas não faltam as flores.  O cultivo das flores está representado no painel por Flores de Gerânios. Típica flor das belas floreiras nas casas de estilo enxaimel. Todos esses elementos são encimados pelo símbolo nacional – A Águia.

Conclusão

A ÁGUIA, é o animal heráldico do brasão federal alemão. Ela foi o símbolo de poder do imperador romano. Em geral, os soberanos alemães foram, ao mesmo tempo, reis alemães e imperadores romanos. A ÁGUIA tornou-se brasão estatal do Império Alemão fundado em 1871 e foi adotada, na forma atual, em 1919. A ÁGUIA foi determinada como brasão estatal da República Federal da Alemanha. O belo e fulgurante PAINEL na sala alemã do Pólo de Cultura, com os seus símbolos, exibe um conjunto que retrata o espírito comunitário de arte e de trabalho que os imigrantes alemães nos trouxeram e deixaram.

 

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