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Opinião

Alemanha- Terra de Origens-Imigrantes Alemães no RS- Culinária Alemã- (Parte IV)

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Marlei Klein
Por Marlei Klein
Foto Divulgação

O gosto brasileiro, a alegria das nossas mesas, vem da mistura descontraída da culinária de todos os povos que aqui se encontraram. Este é o gosto brasileiro, o gosto das receitas famosas das nossas avós que, de geração em geração, foram sendo testadas, aprovadas e enriquecidas com o gostinho tropical. A memória culinária das nossas famílias guarda a dedicação das avós e tias que, no trabalho anônimo do dia-a-dia, deixaram uma verdadeira arte culinária.

Reminiscências

MATHIAS FRANZEN, um colono alemão relata o seguinte, em uma carta de 1832, a seus parentes em Trier-Alemanha: “Após 2 anos e 8 meses que moramos na nossa colônia, tendo sempre estado com boa saúde, tenho duas vacas com dois terneiros, dois cavalos, 20 porcos, mais de 100 galinhas... As frutas que aqui dão bem são as laranjas, bananas, figos, pêssegos, laranjas-cidra, limões, limas, ananás, melancias e melões. Aqui dá muita cana-de-açúcar, também uvas... A mandioca, também chamada de raiz de farinha, é um dos principais alimentos. Ela é mais gostosa do que a batata”. Os colonos alemães tiveram grande influência na agricultura do RS. Às vésperas da II Guerra Mundial forneciam dois terços da produção agrícola do RS.

A comida diária

O “Alltagsessen” não era muito variada, mas farta. O prato principal era o FEIJÃO, o arroz, a carne, a batata, a mandioca, folhas verdes e a couve eram elementos que sempre estiveram presentes. O feijão preto era o prato infalível, diário, porque o trabalho duro, de sol a sol, exigia a resistência que o feijão era capaz de dar.       

Como preparavam o feijão

Ele era cozido numa panela própria, que ia ao fogo de manhã. Depois da primeira fervura era preciso “die Bohne abschite”, mudar a água. Juntava-se nova água e ele voltava ao fogo para continuar a fervura. Iam juntando água aos poucos para que não grudasse na panela. O importante era manter o fogo forte. Usavam lenha forte, de preferência camboim, açoita-cavalo ou outra madeira de lei. Nos fogões de pedra, que têm uma parte grande onde a lenha fica apoiada, usavam-se pedaços de madeira com quase um metro de comprimento. Geralmente eram as avós as cozinheiras. Sempre que estivessem ocupadas com algum afazer pediam aos netos: “Schubmol das Holz...”=Empurre a lenha, isto é, levar o pedaço grande mais para dentro do fogão, mais para perto da panela. Conforme a preferência ou gosto das pessoas, juntava-se ao feijão tempero verde, cebola, toucinho ou cozinhava-se nele uma costelinha de porco, o que lhe conferia um excelente gosto. Quando era esse o caso, pela satisfação, anunciava: “Hoje teremos feijão com costelinha de porco! ”.

Feijão- prato principal

O feijão-preto era cultivado pelos índios, os alemães não o conheciam. A chegada deles fez com que a sua produção se reerguesse. Hoje, o prato de feijão-preto com arroz é a base da alimentação diária do nosso povo. O feijão também entrou para uma expressão folclórica. Quando alguém vinha de surpresa ou se anunciava como visita, alguém da casa dizia: “Schiteme noch Wassa an die Bohne” = Coloca mais água no feijão”. Os colonos também aprenderam, em pouco tempo, que a usar a farinha de mandioca junto ao feijão, faziam um prato novo- o feijão mexido. A sobra do feijão mexido era frita, geralmente à noite, em pequenas porções, os “Bohnekichelche”- os bolinhos de feijão.

As carnes- carne suína

O colono nunca comprava carne de porco. Quando carneava um porco, dividia em carne com ou sem ossos. A sem ossos –lombo- era defumada. As partes do pescoço e outras faziam linguiça, também defumada. A carne com ossos, ia para o forno para ser assada toda de uma só vez sendo, depois, guardada em latas, protegida por camadas de banha. Este método de conservação era eficiente e mantinha a carne, como todo o sabor, por longos períodos e cada vez que se queria carne, se retirava uma parte que era requentada. A banha era obtida a partir da fritura das partes gordurosas e produziam também o torresmo. O azeite não era conhecido. Dos miúdos- partes musculares da cabeça, rins, língua, courinho- fazia-se o queijo de porco e a morcilha branca e preta.

Carne de gado

Ela era comprada normalmente no açougue da vila, às sextas-feiras. No sábado, se assava tudo de uma só vez e durante a semana se usava diariamente um pouco para fazer molho. O resultado era a Carne de Panela. O Churrasco era pouco conhecido e feito somente em Dia de Festa. A carne era mantida numa salmoura de um dia para outro. Ficou mais popular a partir de 1950.

Carne de frango

Ela era consumida somente aos domingos na forma de galinhada- galinha com arroz-, recheada ou assada no forno. A sua vulgarização aconteceu depois que foram introduzidos os aviários, a partir de 1950-1960.  

Conclusão

As suas refeições eram feitas como compromisso com a família. A função educadora do jantar é tão insubstituível quanto o poder modelador do ambiente familiar sadio e normal. Um dos fatores negativos é a decadência nacional da refeição doméstica, o abandono dos pratos tradicionais no cardápio de certos grupos sociais. Cada vez menos refeições e cada vez mais comidas fáceis.

 

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