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Opinião

Logística do hidrogênio verde na América do Sul

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Logística do hidrogênio verde na América do Sul
Por Ascom URI
Foto Divulgação

No intuito de informar a sociedade em geral, como uma ação do Projeto Integrador em Tecnologias Sustentáveis do Curso de Engenharia Mecânica da URI, um compilado de quatro notas técnicas, produzidas pelos acadêmicos deste curso, sobre o tema "Hidrogênio Verde" é apresentado a seguir. A segunda versa sobre a Logística do Hidrogênio Verde na América do Sul, de autoria dos acadêmicos Laura Sartori Beledelli, João Victor de Moraes, Lucas Eduardo Serraglio Fiabane, juntamente com o professor Cristiano Vitorino da Silva. 

“As emissões de dióxido de carbono – CO2 na atmosfera em níveis elevados vem cada vez mais contribuindo para as mudanças climáticas no planeta, configurando-se um grave problema ambiental em pauta em vários países e organizações internacionais. Na busca por alternativas viáveis, o hidrogênio verde – H2V, combustível gerado a partir de fontes renováveis de energia, principalmente a eólica e a solar, é apontado como uma ótima alternativa para a descarbonização mundial. Contudo, as tecnologias e os atuais custos de produção, bem como sua logística ainda geram alguns entraves para um aumento de produção em larga escala. Buscando-se entender melhor esta logística e as possibilidades para o uso de hidrogênio verde, considerando a atual demanda e seu potencial energético, constata-se que a América do Sul e a região Nordeste do Brasil possuem todas as condições para produzir em larga escala a energia suficiente para geração do hidrogênio e sua disponibilização em grandes quantidades a vários países, trazendo benefícios ambientais, técnicos e financeiros para diferentes áreas, principalmente no setor industrial. A fim de melhor compreender as etapas logísticas da produção e distribuição de H2V, desde a geração da energia elétrica para sua produção até seu uso final, apresenta-se a Figura 1.

 

No Brasil, a demanda por hidrogênio se dá principalmente por causa das refinarias de petróleo, sendo que, em 2019, em torno de 400.000 toneladas de hidrogênio foram utilizadas, o que corresponde a 83% de todo o hidrogênio utilizado pelo país naquele ano, sendo que o restante da sua produção foi utilizado na fabricação de amônia (International Energy Agency - IEA. Hydrogen in Latin America, 2021). Em nível de alerta, de forma recorrente, a Europa sofre com esgotamentos no fornecimento de gás natural e crises hídricas, demandando por outras fontes de energia, sendo de preferência as renováveis, tais como o H2V. Além disso, há a ascendência dos veículos movidos a célula de combustível, que utilizam o hidrogênio, tecnologia que poderá ser aplicada para veículos leves e pesados, ampliando e muito as perspectivas para o estabelecimento de uma cadeia mundial em torno do hidrogênio. Ademais, é evidente a importância de se utilizar o hidrogênio como fonte energética, que apresenta uma grande vantagem em relação às outras fontes renováveis, como a possibilidade de ser armazenado e transportado para seu uso em períodos em que há escassez de energia. Desta maneira, constata-se que o H2V irá agregar mais flexibilidade e eficiência à matriz energética, e deixa o Brasil, geopoliticamente, como um dos protagonistas mundiais neste cenário.

Deste modo, pode-se inferir que o H2V poderá contribuir significativamente para mitigar as mudanças climáticas e reduzir emissões de CO2, uma vez que pode ser utilizado em diversos setores substituindo processos que atualmente são altamente poluentes. Também trará benéfico econômico, pois o mundo vê o Brasil como um dos grandes exportadores mundiais. Assim, o hidrogênio verde certamente terá papel fundamental em um futuro de transição energética mais sustentável”.

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