Cada povo, por suas influências- de clima, ambiente geográfico, modo de vida – acaba criando uma cozinha própria. De certa forma, até o caráter de um povo transparece na cozinha. A simplicidade do churrasco, na campanha gaúcha, mostra a alma do povo gaúcho. Alguém já disse que o ideal seria juntar “a casa alemã, a cozinha italiana e a vida brasileira”.
Reminiscências
Embora muitas personalidades germânicas tenham estado no Brasil desde o descobrimento do país, a imigração alemã planejada só começou na época da Independência. Para garantir a planejada Independência, em agosto de 1822 D. Pedro I trouxe, às escondidas, uma leva de militares alemães., aqui registrados como colonos. No Rio Grande do Sul chegaram oficialmente em 25 de julho de 1824, iniciando a Colônia de São Leopoldo. Foram esses alemães que trouxeram para cá as suas mais importantes e queridas tradições culinárias, como as sopas de legumes, de aveia ou a de nhoque- o spätzle- servidas com presunto ou cogumelos, estes colhidos nas florestas. Também manifestaram o hábito de combinar ingredientes doces em pratos salgados.
Sua cozinha sempre forte e saborosa na Alemanha e com os imigrantes
Carnes, aves e peixes
O efeito doce e salgado é obtido também nas carnes- de porco ou de gado-, que frequentemente vêm acompanhadas de frutas ou de suas geleias. Valorizam as aves, como pato, faisão ou ganso- acompanhadas por purê de maçã ou ameixa. A maçã é uma grande mania alemã, como também são as cerejas. Estas frutas geralmente são transformadas em conservas e geleias. As cerejas convertem-se no licor “eaux-de-vie “ou “kirsch”. Na Alemanha é grande a variedade de pescados. É o caso dos arenques, transformados em ”rollmops”, enrolados e colocados na salmoura. Em Berlim são mais consumidos os peixes e crustáceos dos Mares Norte e Báltico. São também muito apreciados o salmão e a truta do Rio Reno. Não faltam os peixes variados de água doce extraídos dos lagos alpinos, típicos da Alta Baviera. Aqui, os alemães encontraram abundância de peixes em lagos e rios: cará, traíra, jundiá e nas lagoas do sul pescadinhas, tainhas e camarões. O CHUCRUTE, forte e saboroso sempre acompanha as carnes.
Um capítulo para o chucrute
É comum dizerem que o CHUCRUTE não surgiu na Alemanha, nem na Áustria, mas na China durante a construção da Grande Muralha. Segundo a história-não confirmada- os construtores viviam de arroz e repolho e regavam, este último, com vinho de arroz para conservá-lo no inverno, tornando-o azedo. Embora a origem seja desconhecida, o que se sabe é que o conceito surgiu da necessidade de preservar hortaliças durante o inverno, numa época em que não havia geladeiras. Sauerkraut
É o nome alemão dado para o CHUCRUTE. O segredo dele é a fermentação láctea, que acontece quando se comprime o repolho com sal. Isso livra dos micróbios agirem no alimento, fazendo-o apodrecer. A bactéria probiótica- que é boa- encontrada naturalmente nas plantas, tolera bem o sal e aumenta o teor de sódio. O sal tira a água da verdura e cria como que uma salmoura. Os lactobacilos aumentam e comem os açúcares naturais do repolho e produzem o ácido láctico que torna o CHUCRUTE azedo e eis o Repolho Fermentado. Os lactobacilos também fermentam outros alimentos como os picles, à moda antiga. Outros lactobacilos também transformam o leite em queijo e iogurte.
Como preparar o chucrute
Os ingredientes são 1kg de repolho branco, 10g de sal, grãos de pimenta preta e folhas de louro. MODO DE FAZER: Divida a couve branca ao meio, retire o talo e rale-a bem fina. Em recipiente de louça ou vidro, coloque a couve, alternadamente, com o restante dos ingredientes, sempre calcando muito. Cubra a couve com um pano branco, feche bem e leve para a geladeira. Vai formando um caldo por cima. Quanto mais comprimida estiver a couve e quanto menor for a entrada de ar, mais saboroso o chucrute ficará. Cada dois ou três dias lave a tampa do recipiente e o pano, com água fria. Após umas 6 semanas estará pronto para ser consumido. Os imigrantes o preparavam no verão e era guardado em potes de barro ou madeira para o inverno.
CONCLUSÃO
O CHUCRUTE pode ser comprado pronto em supermercados. Na hora de comprar, prefira aquele da seção refrigerada. É mais provável que seja a versão fermentada, ainda rica em probióticos. Guardar na geladeira retarda a fermentação, sem isso ele ficaria mole e azedo demais. O CHUCRUTE enlatado é pasteurizado, ou seja, foi cozido, e todas aquelas bactérias deliciosamente azedinhas morreram. O gosto fica diferente. Bem, sempre o mais saboroso será o Chucrute Caseiro.