Erechim é uma cidade com mais de 100 anos de vida e que, embora pujante, com mais de 100 mil habitantes, sofre as consequenciais de irresponsabilidade de seus governantes ao longo dos anos.
Há 50 anos a CORSAN – Companhia Riograndense de Saneamento - vem explorando os serviços de água e esgotamento sanitário de acordo com os famosos contratos de programa que praticamente só beneficiava a empresa concessionária.
Os anos foram passando e, passados quase meio século, a empresa concessionária sempre descumpriu o contrato e nunca fez um metro de esgotamento sanitário, prejudicando sobremaneira a população erechinense, levando o município a ter que investir aproximadamente 95 milhões de reais por ano em saúde por consequência da falta de saneamento básico.
Essa irresponsabilidade com a saúde pública é revoltante, na medida em que Erechim é considerada uma das cidades com o maior número de farmácias do Estado do Rio Grande do Sul, isso significa dizer que a população está doente, fato decorrente da falta de tratamento do esgotamento sanitário por parte da concessionária CORSAN, que nunca se preocupou com isso.
Por conseguinte, segundo dados da ONU e do próprio Governador do Estado, é comprovado que cada um real investido em saneamento básico, se economiza quatro reais em saúde, em torno de 70%. Salientamos que saneamento básico engloba abastecimento de água, esgotamento sanitário, drenagem urbana, manejos de resíduos sólidos e de águas pluviais.
No caso o esgotamento sanitário, que é um direito garantido pela Constituição Federal e instituído pela Lei nº 11.445/2007, corresponde praticamente 50% dos problemas em saúde no município.
Então, se o custo anual em saúde pública hoje é de aproximadamente 95 milhões, em razão de boa parte não ter um metro de esgotamento sanitário tratado, estes valores poderiam ser reduzidos para menos da metade, 35 milhões, gerando assim uma economia em torno de 35 milhões por ano se o contrato tivesse sido cumprido.
Só para se ter uma ideia dos prejuízos que o município de Erechim já teve, apenas nos últimos 35 anos, chegamos a seguinte conclusão, com dados aproximados e atualizados: 35 anos x 35 milhões = 1 bilhão e 225 milhões. Este é um triste retrato da dura realidade da cidade de Erechim, que nos envergonha pela falta de responsabilidade de seus gestores com a saúde pública durante todos estes anos, sem sofrer qualquer consequência.
Diante destes fatos lamentáveis, ainda existe uma alternativa que é o remédio jurídico para compensar, ressarcir os prejuízos causados a saúde pública durante décadas à população de Erechim.
Então, não podemos ficar calados diante desta grave situação quando se trata de saúde pública, o Ministério Público há alguns anos já denunciou a CORSAN pelo não cumprimento do contrato e este foi anulado pelo judiciário e embora passados quase uma década, nada foi feito e a situação contínua cada vez pior, agora chegou a vez do município para recuperar o “tempo” perdido e colocar a cidade em um patamar de primeiro mundo.