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Opinião

Educação em tempos de cólera

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Henrique Trizoto
Por Henrique Trizoto
Foto Divulgação

Estamos às vésperas do início do ano letivo de 2023, e, junto com a preocupação com as listas de materiais escolares, uniformes, transportes e a própria adaptação a escola, vem e alguns casos a preocupação com as versões modernas do velho do saco: a ideologia de gênero, e pasmem, as famigeradas mamadeiras. Estes debates que surgem de teóricos da UniWhatsApp, UniFacebook, UniTwitter são piores que as falecidas comunidades do Orkut e que o golpe do bilhete.

O Brasil tornou-se um país colérico, discordar é tomar partido. Debater só é viável entre os pares. Não raro, vermos distorções como os dois exemplos a cima, e cujas expressões não serão repetidas neste texto. E, é neste cenário que a educação brasileira se encontra: teto de gastos, McCarthismo (acusar o outro de traição ou subversão) e mentes e corações fechados.

A esquizofrenia da política brasileira parece uma distopia de Orwell, mas não é. O grande irmão, o inimigo de hoje é o amigo de amanhã, novilingua, amores proibidos. Gabriel Garcia Marquez narraria estes amores coléricos com maestria, sarcasmo e humor. Ele de camiseta rosa e ela de vestido azul, admirando um lago de carpas sob o som de Wagner.

Referências a parte, a educação deveria ser emancipatória. O desenvolvimento do senso crítico e da consciência histórica viram palavras de baixo calão a aqueles que compreendem a educação como processo de massificação e reprodutora de uma narrativa oficial que cria os tais Confortably Numbs (e olha que eu nem sou tão fã da Banda).

As aulas de história, filosofia, ciências sociais, de educação patrimonial, as visitas às bibliotecas e aos Arquivos Históricos são momentos que permitem construir reflexões sobre o mundo. Clichês a parte, o mundo pode ser a comunidade em que o aluno está inserido, a família, o bairro...

Compreender que o sistema (nas palavras do Capitão Nascimento em Tropa de Elite 2) é....e que as estruturas são organizadas para manter os donos do poder a salvo, seus herdeiros estudando e sendo servidos geração após geração pela parte inferior da pirâmide.

Fomentar o debate é urgente, e perigoso. Universalizar o conhecimento também é. Os ambientes não formais de educação como os Arquivos Históricos são ferramentas interessantes para produzir reflexões. Educar é emancipar, é promover a cidadania plena. É construir pontes e suplantar a terra arrasada.

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