Encontramos ainda no jornal Diário de Notícias de Porto Alegre, na data de 17 agosto de 1940 dentro das sete páginas cheias sobre a “4ª Exposição estadual do Milho, realizada em José Bonifácio – 3 dias de vibrante documentário sobre o progresso material daquele rico município”, a matéria “Instalada em José Bonifácio a mais importante fábrica de fibras de Linho e Cânhamo do Rio Grande”.
A matéria que ocupa uma página standard tem como subtítulo: “Fala ao ‘Diário de Notícias’ o Dr. Luiz Gobbi, abastado capitalista de São Paulo e proprietário do Estabelecimento – Visita do Secretário da Agricultura”. Segundo a matéria, a comitiva assistiu demonstrações de todos os processos e que “calaram profundamente no ânimo de todos pela simplificação dos processos técnicos adotados”.
Gobbi afirmou na ocasião que comprara toda a produção local, mas que ela era insuficiente até então. Previa ainda que a safra de novembro de 1940 buscava conseguir “300.000 toneladas de fibra têxtil” a de novembro de 1941 “400.000 toneladas”. Pretendia em novembro de 1942 adquirir só em José Bonifácio “1.000 toneladas de linho têxtil especial”. Para que entre 1944 e 1945, se pudesse preparar “uma fibra de linho igual em 100 por cento às famosas fibras belgas”.
Após esta explanação a matéria reproduz um dos folhetos entregues na ocasião que versava sobre instruções gerais para o cultivo do Linho.
Na obra “Erechim Retalhos do Passado Memórias do Presente”, de 2012, na página 150 encontramos “O Linho uma nova fonte de renda para os agricultores” que explana sobre a Empresa de Linho Erechinense Ltda. localizada no bairro Linho. Resgata estudos do historiador Altair Menegati, que apontam para seu “relativo sucesso comercial, mas a falta de qualidade das sementes utilizadas resultava em baixa produtividade, o que desestimulou o plantio, somando-se a este fato a precariedade da maquinaria instalada.
Aqui, vemos uma inflexão: enquanto a matéria retratava o “ânimo” pela simplificação dos processos técnicos, o trecho acima, aponta que o insucesso também era fruto da precariedade do maquinário. Em comum temos a queixa acerca da qualidade da semente, Gobbi em suas projeções afirmava que m 1944 e 1945 seria possível distribuir sementes de melhor qualidade.
De acordo com a obra supracitada, a fábrica foi adquirida em 1945 pelo grupo Renner, “que remodelou e ampliou as instalações e passou a prestar assistência técnica e também distribuir sementes, oriundas das estações experimentais em Encruzilhada do Sul e Veranópolis”.
O autor tem conhecimento da realização de um documentário sobre o Bairro do Linho que levanta informações acerca da fábrica, realizado por acadêmicas da UERGS.
Ademais, percebemos que a proposta de uma cultura voltada para o abastecimento de um determinado nicho produtivo é interessante, todavia, sem diversificação a região teria carecido de desenvolvimento.
Por fim, a fábrica encerrou suas atividades na década de 1960.