Nesta primeira conversa vamos falar sobre o glaucoma. Uma doença ocular que pode causar danos irreversíveis ao nervo óptico e resultar em perda de visão. Infelizmente, muitas vezes não apresenta sintomas até que o dano já tenha ocorrido. Por isso, é conhecido como "doença melindrosa". O glaucoma é a segunda maior causa de cegueira no mundo e afeta cerca de 2% da população.
A causa mais comum de glaucoma é a pressão elevada dentro do olho, conhecida como hipertensão ocular. A pressão elevada pode danificar o nervo óptico, responsável por enviar imagens para o cérebro. O glaucoma pode ser hereditário e é mais comum em pessoas com mais de 60 anos, mas também pode afetar pessoas jovens com miopia, hipermetropia, trauma ocular, diabetes, pressão arterial elevada, obesidade e outras condições médicas também têm maior risco de desenvolver glaucoma.
O glaucoma é dividido em dois tipos principais: o glaucoma de ângulo aberto e o glaucoma de ângulo fechado. O glaucoma de ângulo aberto é o tipo mais comum e é caracterizado por uma pressão elevada no olho sem sintomas. O glaucoma de ângulo fechado é menos comum e ocorre quando o fluxo de líquido dentro do olho é bloqueado, causando aumento da pressão geralmente sintomático (dor ocular) ou sub-sintomático (sintomas leves como halos de luz à noite).
Além disso glaucoma pode ser secundário a um trauma como acidente, toxoplasmose, oclusão de veia, diabetes e outros. Nestes casos chamamos de glaucoma secundário e devemos tratar a causa quando possível e não somente o glaucoma.
O diagnóstico precoce do glaucoma é fundamental para evitar a perda de visão. O médico oftalmologista irá medir a pressão ocular e examinar o nervo óptico em busca de sinais de dano. Além disso, o oftalmologista pode realizar testes adicionais como campo visual, retinografia e OCT para avaliar a saúde do nervo óptico.
O tratamento do glaucoma inclui medicamentos para reduzir a pressão ocular, laser ou cirurgia. O objetivo do tratamento é manter a pressão ocular dentro de níveis seguros e evitar o avanço da doença. É importante seguir as recomendações do médico e manter visitas regulares ao oftalmologista para monitorar a evolução da doença.
André Hermes Agnoletto
Médico Oftalmologista
CRM-RS 33745
RQE: 30028