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Opinião

Memórias de Viagem: Alemanha -Terra de Origens -Imigrantes Alemães no RS (Parte XIII)

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Por Marlei Klein
Foto Divulgação

Às vezes, pensa-se na Alemanha como um país de tradição única que iria do Mar Báltico à Floresta Negra. Na realidade, A Alemanha moderna, até bem pouco, era dividida em duas- Muro de Berlim- é formada por regiões que, antigamente, gozavam de graus variados de autonomia.

 REMINISCÊNCIAS

 Os imigrantes alemães aqui chegados, como já vimos, procuraram não esquecer as tradições da terra natal. Com muita dificuldade, conseguiram adaptar seus usos e costumes. Sempre mantiveram muito respeito às tradições. É curioso, mas era muito comum, que crianças e adultos se vestissem com trajes típicos aos domingos ou quando estavam de passeio. Como também em qualquer comemoração onde não podia faltar a música. Está em grupo de instrumentos ou somente um violino ou um acordeom. Sentiam a necessidade da música em suas vidas, pois ela era alegria e saudade ao mesmo tempo.

A EXPANSÃO DOS NÚCLEOS COLONIAIS

A Colônia Alemã de São Leopoldo se estendia ao sul: até Sapucaia do Sul, ao norte: até Campo dos Bugres- Caxias do Sul-, ao leste: até Taquara e ao oeste: até Montenegro. Eram as grandes terras formadas pelos rios Sinos e Caí. Com a vinda de mais imigrantes, surgiram novos núcleos nos vales do Rio Taquari: Estrela, Lajeado e Teutônia – dos Rios Pardo e Pardinho: Santa Cruz do Sul, Venâncio Aires, Candelária. No sul do Estado: São Lourenço do Sul.

  NÚCLEOS DE SEGUNDA GERAÇÃO

Foram os criados próximos aos já existentes ou buscaram a Serra: Ijuí, Santa Rosa, Panambi, Cerro Largo e outros mais. Chegaram ao Rio Uruguai: Marcelino Ramos, Getúlio Vargas, Erechim. Os descendentes em terceira, quarta e quinta gerações, fizeram uma verdadeira marcha pelo Brasil. Atravessando o Rio Uruguai, ocuparam o oeste catarinense, depois o oeste do Paraná, o Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e hoje já alcançaram Rondônia.

GRANDES DITADURAS DA ÉPOCA

A década de 30, do século passado, marcou momentos difíceis para a “colônia alemã”. Foi a época das grandes ditaduras: Salazar em Portugal, Mussolini na Itália, Stalin na Rússia, Hitler na Alemanha, Vargas no Brasil. Todas as ditaduras têm muita coisa em comum: vivem da centralização do governo, tudo fazem para espalhar sua influência, perseguem pessoas que não lhes são dóceis, impõem seus métodos e chegam ao extremo de liquidar pessoas, caso entendam necessário. E tudo isso como se fosse a coisa mais natural do mundo.

      IDEOLOGIA HITLERISTA

 Ela teve muitos adeptos em vários países. No Brasil, a “colônia alemã”, não só no Rio Grande, como também em outros Estados sofreu as influências de agentes alemães que procuravam expandir o nazismo, encontrando simpatizantes e alguns adeptos. Mas daí a concluir, como se afirmava, que “os colonos alemães eram nazistas”, vai uma imensurável distância. Situação idêntica passaram os colonos italianos em relação ao fascismo.

A NACIONALIZAÇÃO

 Procurando contrabalançar a propaganda hitlerista, o governo Vargas fez uso de uma estratégia chamada “Nacionalização”. Através dela o governo procurou minimizar a eventual influência germânica de caráter político. Houve acertos e exageros. Se de um lado pretendia integrar mais e melhor os descendentes alemães, por outro não se pode esquecer que o governo, desde o início da colonização, pouco um nada fez para que acontecesse uma integração naturalmente, isto é, absorção dos imigrantes com o correr do tempo. As reivindicações eram pouco atendidas. Havia pouco interesse em saber como os colonos viviam lá no fundo das picadas, com dificuldades de comunicação e problemas de saúde pública. O governo não abria escolas, elas eram feitas pelas comunidades.

  PROIBIÇÕES

 A Nacionalização proibiu o uso da língua alemã na comunicação, em jornais e outras publicações, nos cultos e missas, em reuniões nas sociedades e em escolas. Muitas destas foram fechadas pois suspeitavam que professores difundissem o hitlerismo. A situação tornou-se caótica. O medo instalara-se na colônia. As sociedades ficaram caladas sem a alegria dos bailes, festas, teatros e corais. Mesmo assim, ninguém deixava de pagar seus impostos. Abandonaram danças típicas, cantos na língua dos antepassados, o KERB perdeu a sua beleza. Escondiam-se para ouvir as notícias que a BBC de Londres, pelo rádio, enviava para o mundo.

     CONCLUSÃO

Uma geração inteira perdeu suas raízes. E isso é grave porque: O homem precisa saber quem é, de onde veio e para onde vai. Caso contrário, fica solto no espaço, sem identidade. O desaprendizado da língua foi uma perda irrecuperável. Durante a Segunda Guerra esse quadro acentuou-se. Só depois dela, aos poucos, a vida na colônia voltaria a se aproximar do ritmo antigo. Ficaram muitas sequelas, pois alguns chegaram a ser presos, porque não sabiam falar português e usavam o alemão. Havia pessoas do governo dispostas a colocar na cadeia quem dissesse um “Bom Dia” em alemão. Hoje, a língua alemã é ensinada livremente e as bandinhas fazem a alegria de quantos gostam do lazer da colônia. O “pecado” de muitos foi ter descendência alemã. O que passou, passou. Um velho ditado diz: Águas passadas não movem moinho. Infelizmente, os poucos propagandistas de ideologia estranha, que motivou tudo isso, não pagaram sozinhos pelo que fizeram.            

 

 

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