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Opinião

Festa do Milho – 1940 (IV)

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Henrique Trizotto
Por Henrique Trizoto
Foto Divulgação

Ainda sem saber quem é o Pe. Joaquim Buzzato, analisaremos seu sermão, reproduzido na íntegra na matéria: “uma imponente missa campal rezada pelo padre Joaquim Buzzato, o qual pronunciou um notável discurso alusivo à exposição do milho, peça oratória que calou profundamente em todos aqueles que a ouviram e que publicamos com devido destaque em outro local”. Em destaque temos “A evolução da lavoura do milho no Rio Grande do Sul e no Brasil”, logo abaixo, temos o subtítulo: “texto integral do importante discurso profe rido pelo padre Joaquim Buzato no encerramento da missa campal, que procedeu á inauguração do certame de José Bonifácio.

Além do teor religioso do discurso, o Padre tece uma reflexão sobre a história do milho, citando autores como Hoehne (no texto referido como um dos “mestres da história da agricultura e da botânica no Brasil) e sua teoria de que “a distribuição geográfica das plantas úteis pelo mundo está intimamente ligada com a distribuição do gênero humano sobre a terra, chegando a conclusão que as muitas dúvidas que ainda subsistem a respeito da migração da raça humana poderiam ser dissipadas pela história da migração das plantas úteis. E não só a migração a migração do homem através do globo está ligada a história dessas plantas úteis, como também muitas das etapas principais de certos povos”.

 Hoehne é um botânico cujo pensamento estava alinhado ao que Franco e Drumond descrevem como um nacionalismo que “aposta na possibilidade de que o Brasil corrigiria os seus rumos no tocante ao trato com a sua natureza e que, por meio de um projeto próprio, reconciliasse as atividades humanas com a natureza”. Dois elementos são destacáveis: o Padre utilizava-se de autores que estavam em voga para as ciências, e, o nacionalismo pujante do período encontrava-se esteticamente alinhado em todos os temas debatidos no período.

Após o histórico da cultura do milho, temos outro elemento emblemático: “Mas srs, seria ridículo lembrar tão somente o milho e esquecer o homem que o cultiva, o nosso colono, o nosso pequeno agricultor”.  Discursos como este do Padre podem gerar desconfortos perante o status quo de determinado grupo social, pois, mesmo sendo a Festa do Milho e uma justa homenagem aos colonos produtores, ele assevera mais adiante:

            “Não queremos em absoluto, desfazer a importância da indústria, que com seu entrelaçamento comercial vertiginoso constringe hoje a toda a superfície da terra. Não. Apenas desejamos que o colono, o pequeno agricultor e sua profissão subam cada vez mais para o alto”. O sermão do Padre além do obvio caráter religioso é um interessante documento político que retrata o cenário do período, apresentado o mote político da sociedade local, tacitamente os grupos que detêm as forças produtivas e o capital, e como de praxe no período elementos estilísticos ligados a construção da identidade nacional em um local que sempre orgulhou-se de suas origens europeias e da epopeia conhecida como imigração.

Referências

Franco JL de A, Drummond JA. Frederico Carlos Hoehne: a atualidade de um pioneiro no campo da proteção á natureza do Brasil. Ambient e sociedade. Vol. 8, 2005.

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