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Opinião

Por que viver o amanhã é tarde demais?

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Por Ragnara Zago
Foto Ragnara Zago

Certa vez, me peguei olhando para minha mesa de trabalho, local em que passo a maior parte das horas diárias durante a semana. Por alguns minutos pensei que se morresse, tudo ficaria ali. Pode parecer exagero ou melancolia, mas é uma dura verdade. Precisamos pensar sobre esse dia porque, ele chega quando menos esperamos.

Quem ficaria com a minha caneca cor de rosa, preferida? Meu caderno de anotações, a caneca com meu nome? As fotos e frases motivacionais que estão coladas atrás do computador, talvez seriam guardadas em uma gaveta, gentilmente, e jogadas no lixo com o passar do tempo. Quem sabe olhassem para minha mesa e lembrassem de algum costume meu, ou algo que falava com frequência.

Partimos, mas, tudo fica. Os planos, as riquezas que acumulamos. Partimos e a intriga tola de discordância política, time de futebol ou opiniões particulares, são enterradas conosco. Partimos e nosso ego gigante de achar que todos precisam pensar da mesma forma que nós, também é esvaído.

A última palavra no fim de uma discussão, parte. A arrogância, parte. Tudo vai embora, menos as memórias. Entrevistei uma nutricionista na semana passada que falou sobre a importância de colecionar memórias afetivas com os filhos. Creio que isso deveria ser feito a todo instante, em todos os ambientes em que fazemos parte.

Quando meu pai morreu, todos os itens e objetos que ele mais gostava, ficaram. Ele não pôde se despedir do seu violão favorito e sequer terminar o projeto de vídeo em andamento no computador. Por isso a relevância de pensar que hoje pode ser o nosso último dia, agindo de forma gentil com os outros e principalmente, com você.

Não deixe para comprar e ler aquele livro que tanto queria amanhã, nem cortar o panetone que ganhou no Natal, em março. Não adie o encontro com alguém especial ou uma cervejinha gelada na segunda-feira.

Amei verdadeiramente duas pessoas que já se foram, minha nona Luíza e meu pai Dirceu. Janeiro é o mês de aniversário dos dois, com datas em 23 e 27, respectivamente. Conforme vai se aproximando, arde em mim o sentimento de viver o hoje. Tenho certeza que cada um aproveitou como pôde a vida. Luíza deixa um legado de força, criando sete filhos como uma leoa, sem perder sua essência doce e ingênua. Dirceu atravessou caminhos tortuosos, repetiu um padrão familiar de comportamentos que ele achava que fosse o certo, mas ensinou que é preciso coragem para realizar os objetivos.

Vamos viver nossos sonhos, com o pé no chão e olhando para o hoje, pois o amanhã pertence ao dono do universo, do tempo e da razão de eu e você ainda existirmos: DEUS!

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