A vida dos primeiros colonos alemães foi muito difícil nas terras novas. Eis um relato em parte de uma missiva mandada para parentes na Alemanha:” ... nossa comida diária consistia de milho socado a mão e abóboras cozidas. Nossas xícaras foram substituídas por porongos. As roupas eram feitas com fios de algodão e linho tingidas com tintas extraídas dos cipós...”
REMINISCÊNCIAS
Os imigrantes trouxeram consigo a cultura da pequena propriedade, do gado leiteiro, dos cereais (trigo, cevada, centeio), da carne de porco, da banha, da batata-inglesa, do repolho e da tração animal. Entretanto, como eram muito associativos, morando quase isolados, conseguiram manter muitas comemorações tradicionais, religiosas ou não como forma de convivência. Em pequenos grupos, reuniam-se nas escolinhas ou nas capelas para uma convivência social. Por isso, o processo de aculturação dos colonos alemães foi bastante mais rápido do que se pode imaginar.
COSTUMES E FESTAS
SEGUNDA-FEIRA DAS ROSAS
Na Alemanha o prenúncio da Quaresma tem início em seis de janeiro, quando esconjuram os demônios do inverno, saudando o aumento das horas claras do dia. É uma temporada fantástica! Lá são realizados desfiles de perfeita organização. Aqui, os imigrantes, com estações diferentes, não tinham como saudar o aumento das luzes, mas adaptaram as comemorações. A Segunda-Feira das Rosas é a segunda-feira de Carnaval. Reuniam-se para dançar na segunda à noite e também na Terça-Feira Gorda, como acontecia na terra natal. As crianças se fantasiavam de bruxas e pregavam peças nos adultos. Os marmanjos provocavam as meninas com o emprego de bexigas de porco carregadas de ervilha ou milho. Alguns grupos iam de porta em porta fazendo coletas para o jantar, em conjunto, na Terça-Feira Gorda.
PÁSCOA- OSTERN-CAVALGADA DA PÁSCOA
Os homens, no Dia da Páscoa, enfeitavam cavalos com coroas de flores e, neles montados, peregrinavam de uma para outra igreja aldeã. Ao som de sinos e corais iam cantando. Quando chegavam, acendiam pequenas fogueiras e com os chicotes estalando espantavam os maus espíritos.
FESTAS DE PÁSCOA- O OVO
Símbolo da fertilidade e da força vital, ocupa o ponto central das Festas de Páscoa entre os alemães. Na Idade Média, era oferecido um ovo ao Deus do Clima- Wettergott- antes do início da plantação. Este ritual de consagração ao ovo, nesta festa mais antiga do Cristianismo, foi introduzido na liturgia Cristã apenas no século XII.
COELHO DE PÁSCOA
Aquele que trazia os ovos e os colocava no Ninho de Páscoa, é mais recente, remonta a 200 anos, mais ou menos. As crianças iam, vários dias antes da Páscoa, procurar “barba de pau” ou “barba de bode” como chamamos para enfeitar os Jardinzinhos de Páscoa. O ninho era montado no gramado para que o Coelho, na madrugada de domingo de Páscoa, pudesse colocar os ovos dentro dele. Quando o tempo não era bom, escondia-se uma cestinha enfeitada dentro de casa. Na escola, as crianças aprendiam a cantar: “Eu seu o que sei, uma galinha é um coelho. A mãe é a pintora, o pai bota na relva. Aí as crianças bobas pensam que foi o coelho da Páscoa”.
NO DOMINGO DE PÁSCOA
Da mesma forma, que hoje em dia, as crianças eram as primeiras a pular impacientes de suas camas na manhã do Dia de Páscoa. Quem levantava por último, tinha que aguentar ser chamado, o dia inteiro, de “Osterquack” - que significa atrasado. Após o café da manhã, muitas vezes até antes, as crianças saíam com suas cestinhas, para ver o que os outros haviam ganho. Naquela época, os ovos de galinha ou ganso eram tingidos com cascas de cebola, borra de café, cogumelos e folhas de plantas em brotação. Muitas vezes, o coelhinho colocava também ovos de biscoito ou de açúcar. Alguns artesãos faziam belos e coloridos ovos em madeira. Estes eram usados em diversos tipos de jogos entre as crianças. O chocolate somente muitos anos depois apareceu.
RECORDANDO O DOMINGO DE PÁSCOA
Era costume, durante a manhã de Páscoa, as crianças visitarem os vizinhos, os amigos e, naturalmente, o padrinho (Pat)- e a madrinha- (die Good), os quais lhes davam, segundo a tradição, seis ovos cada. No passeio da tarde, elas levavam orgulhosamente seus ninhos e colocavam os ovos dentro de um formigueiro. As formigas apavoradas ejetavam ácido fórmico nos ovos produzindo manchas muito bonitas. Gostavam de jogar “Bicar os Ovos”. Batiam-se dois ovos nas pontas. Aquele que quebrava primeiro deveria ser dado a outro jogador.
Haviam alguns espertos que deixavam os ovos, vários dias antes, numa caixa com cinza, para que a casca ficasse mais dura e outros conseguiam enganar usando ovos de gesso. Estas mutretas não podiam ser descobertas de nenhuma maneira. Outro jogo era deixar rolar um ovo num plano inclinado e se ele tocasse num outro, aquele passava para o dono do ovo que rolou.
CONCLUSÃO
Os ovos iniciavam a ser comidos na noite do segundo dia de Páscoa – a Pascueta dos Italianos. Os imigrantes alemães trouxeram todas essas tradições, um precioso tesouro em matéria de costumes. Estes, ainda hoje são mantidos em lugares onde há maior concentração de descendentes teutos. A Páscoa é a mais antiga festa cristã. Os costumes remontam quase todos de antigos ritos do culto germânico.