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Saúde

Alimentação das crianças nas férias

Nutricionista alerta pais e responsáveis sobre a importância de bons hábitos em um período onde as pessoas costumam não seguir rotinas

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Augusto Marchiori, dois anos de idade, Bernardo Gomes, cinco anos de idade. Raieli Raieli Segalla nu
Por Ragnara Zago
Foto Divulgação

Durante a infância bons exemplos se aprendem em casa e na escola, inclusive em relação à alimentação. Em 2020, das crianças acompanhadas na Atenção Primária à Saúde (APS) do Sistema Único de Saúde (SUS), 15,9% dos menores de 5 anos e 31,7% das crianças entre 5 e 9 anos tinham excesso de peso. Dessas, 7,4% e 15,8%, respectivamente, apresentavam obesidade, segundo o Índice de Massa Corpórea (IMC) para a idade.

Os dados são do Ministério da Saúde, que anualmente promove campanhas para conscientizar pais e responsáveis sobre a importância de cultivar bons hábitos alimentares. Durante o período de férias escolares, o propósito se intensifica, isso porque as crianças deixam de seguir uma rotina, situação que tende a expor os pequenos à escolhas alimentares erradas.

A reportagem do Jornal e TV Bom Dia conversou com a nutricionista materno infantil, Raieli Segalla. A profissional explica que férias não devem ser sinônimo de descaso com a alimentação. “Existe a realidade individual de cada família, mas a rotina alimentar não deve ser tão modificada ao longo de todo o período de férias, uma vez que as crianças e adolescentes estão em pleno desenvolvimento anatômico e/ou cognitivo, fase importante que seja rica em nutrientes e antioxidantes”.

Trocas conscientes

Cuidados como evitar alimentos ultra processados são fundamentais. “Salgadinhos de pacote, biscoitos, refrigerantes, sucos artificiais, macarrão instantâneo, guloseimas, pois a fabricação envolve diversas etapas e técnicas de processamento e muitos ingredientes, incluindo sal, açúcar, óleos, gorduras e substâncias de uso exclusivamente industrial”, aponta. Raieli afirma que algumas substituições podem ser interessantes. “Preparos menos processados e mais saudáveis, alimentos in natura ou minimamente processados (frutas, vegetais, biscoitos caseiros, sucos naturais de frutas, macarronada entre outros”.

Rotina

Um dos empecilhos, conforme Raieli, é a correria do dia a dia, porém, nos dias atuais os supermercados e comércio alimentício em geral oferta opções saudáveis ao consumidor. “Uma ideia bacana é aproveitar o período de férias para interagir com a criança em um preparo saudável, feito em casa. Substituir o pacotinho do tempero do macarrão instantâneo por um molho elaborado, já é um grande passo. No geral, deve-se optar por água, leite e frutas no lugar de refrigerantes, bebidas lácteas e biscoitos recheados; não trocar a ‘comida feita na hora’ por produtos que dispensam preparação culinária e quando for consumir, preferir sobremesas caseiras, dispensando as industrializadas”, salienta.

Momentos prazerosos que instigam boas práticas

A importância de criar memórias afetivas durante essa época do ano é fundamental, segundo a nutricionista. Dentro desse contexto estão práticas que proporcionam momentos diferentes e instigam o menor a fazer boas escolhas. “Levar a criança na feira da cidade, ou mesmo no supermercado para escolher os alimentos que farão na semana se torna algo prazeroso.”, sugere.

Como tornar os pratos mais atrativos

A cor, o cheiro e a textura são ótimos aliados, uma vez que o ser humano se alimenta com os nossos cinco sentidos: visão, audição, tato, olfato e paladar. “A famosa frase do “comer com os olhos” é imprescindível para que a criança se sinta atraída pelo prato, alimentos de diferentes cores e formatos, ou mesmo fazer uma arte como um rostinho de palhaço ou ursinho, pode ser uma boa ferramenta.  A textura obtida com as diferentes formas de preparo também pode auxiliar no momento da refeição, evidenciando o tato e audição (som da mastigação). Ainda, a utilização de temperos aromáticos como alecrim, sálvia, salsa, alho, cebola, canela estimula nosso olfato e é claro que por último o nosso paladar”, expõe Raieli.

Bons hábitos desde a introdução alimentar

André Marchiori é pai do Augusto, de dois anos e cinco meses. Ele conta que desde que a família iniciou a introdução alimentar, o pequeno expressa interesse por frutas e verduras, por observar o exemplo da boa alimentação na família. “Augusto adora brócolis, cenoura e as mais diversas frutas. Se vamos no supermercado, o grande desafio é fazer com que ele consiga esperar para comer as bananas até conseguir pesá-las no caixa. Espero que continue assim, tentamos fazer de tudo para mostrar que não é errado comer um picolé ás vezes, mas que no dia a dia é necessário optar por alimentos naturais”, conta.

Exemplo como virtude

Talita Gomes que é mãe do Leonil de 10 anos e Bernardo de quatro anos, procura manter com seus filhos um equilíbrio. “Alimentação saudável é um desafio na vida adulta e mais ainda na infância, onde as crianças ainda não sabem controlar as emoções. Em casa não somos pais radicais, mas também buscamos um equilíbrio em que durante a semana procuramos comer alimentos mais saudáveis e no final de semana abrimos exceção para os lanches. Percebemos que quando nós pais consumimos mais frutas e alimentos saudáveis os guris buscam isso naturalmente”.

Número de refeições

Cada criança deve ser avaliada individualmente, mas no geral, é importante que sejam realizadas entre 5 e 6 refeições no dia, como explica a nutricionista Raieli. “É fundamental preestabelecer horários, para manter uma rotina alimentar e acima de tudo, para que a criança possa compreender seu mecanismo de fome, saciedade e apetite. Neste caso, ficar “beliscando” não é aconselhado, o ideal é tomar o café da manhã, fazer um lanche na manhã, o almoço, um ou dois lanches na tarde, o jantar, e dependendo o horário uma ceia antes de dormir”, esclarece.

Os riscos de comer em frente à televisão ou celular

Para finalizar, a especialista em gestão de alimentos exemplifica que alimentação consciente não combina com telas. “A criança não estará focada no alimento e sim no desenho/jogo/filme e afins, isso faz com que ela consuma o alimento sem senti-lo, ou mesmo que ela consuma uma quantidade maior do que realmente necessita, estimulando o ganho de peso. Lembrando que, até dois anos de idade é desaconselhado a utilização desses equipamentos”.

Ela acrescenta. “Além disso, as propagandas vinculadas, no geral, desestimulam a alimentação saudável, e essas mensagens podem influenciar negativamente nas escolhas dos alimentos pela criança e pela família. Cada vez mais precocemente são o público-alvo da publicidade de alimentos. Isso por conta da influência que exercem na escolha das compras das famílias e, também, porque estão formando hábitos de consumo que poderão se prolongar pelo resto de suas vidas”, finaliza.

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