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Saúde

Mais de 1.300 casos confirmados de dengue em 2022 na região

Erechim é o município que registrou mais casos e equipe da Vigilância Ambiental e Combate às Endemias reforça medidas para mudar essa realidade no ano atual, mas suspeitas já são registradas na primeira semana

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Edison Alves da Rocha, chefe do serviço de Vigilância Ambiental de Erechim e Maiara Hartmann, coorde
Por Ragnara Zago
Foto Arquivo BD / Arquivo Pessoal

Mesmo na primeira semana de 2023, os agentes de combate às endemias já estão realizando inspeções na cidade de Erechim. Toda a equipe da Secretaria de Vigilância Ambiental está engajada com medidas preventivas e campanhas que logo serão lançadas, para fazer de 2023 um ano de poucos registros de casos confirmados de dengue.

Em 2022, dos 497 municípios do Rio Grande do Sul, 454 tiveram cidadãos infectados pelo mosquito Aedes Aegypti, conforme divulgado no Painel de Casos do Portal do Governo do Estado. Na região do Alto Uruguai e R16 Saúde, foram registrados mais de 1.300 casos confirmados da doença, sendo que algumas cidades obtiveram índices altos e outras, não registraram nenhum caso.

            A coordenadora dos agentes de combate à endemias de Erechim, Maiara Hartmann, revela alguns dados estaduais. “No Estado foram 99.329 mil notificações no ano de 2022, sendo que dessas, 66.762 mil foram confirmadas, e 30.021 mil foram descartadas. Tivemos 66 óbitos no RS em decorrência da dengue”, pontua. Em Erechim, os números também são altos. “Tivemos 1.910 notificações, sendo que apenas 525 dessas foram confirmadas, infelizmente tivemos inclusive um óbito”, ressalta a profissional.

Ações

            Com relação ao combate à proliferação dos focos do mosquito, Maiara conta que diariamente são feitas vistorias na cidade. “Nossa equipe faz averiguações periódicas e inspeções em pontos estratégicos de maior risco, como ferros velhos, borracharias e floriculturas. Realizamos o recolhimento de pneus por todo o município, recolhimento de entulho e lixos em alguns pontos mais críticos, para eliminação de focos. Promovemos também ações e palestras nas escolas e em alguns grupos de idosos”, expõe.

Métodos

            Um dos métodos utilizados são as pastilhas natular, que consiste em um produto que controla as larvas do mosquito. “É uma inovação muito útil, principalmente com relação às caixas d’agua. O uso desse material, que é fornecido pelo Governo do Estado, mata instantaneamente as larvas, com efeito residual de 60 dias. Utilizamos principalmente em reservatórios maiores, que são na maioria caixas d’agua da chuva”, salienta a coordenadora.

Ano atual

            Em 2023 ainda não há casos confirmados de dengue, porém, houve um aumento crescente de suspeitas nessa semana. “Assim que essas notificações chegam até nós, é realizado de imediato a intensificação dos trabalhos nas imediações desse suspeito, eliminando mecanicamente todos os criadouros, havendo uma intervenção química no horário do entardecer”, enaltece Hartmann.

Papel da população

            Segundo a profissional, o papel da população é fundamental para diminuir os focos do mosquito, eliminando qualquer depósito que possa acumular água. “É importante frisar que o mosquito põem os ovos nas paredes dos recipientes e esses ovos permanecem lá por até 450 dias, mesmo sem água. Ao entrar em contato com a água eles eclodem, viram larvas e posteriormente mosquitos, por isso é imprescindível que cada cidadão vistorie seu imóvel no mínimo uma vez por semana, eliminando possíveis criadouros, que seria qualquer local com água parada”, finaliza Maiara.

Bairros com maior número de focos em Erechim

A dúvida de boa parte da população erechinense é sobre os bairros que registraram mais focos do mosquito, durante o ano de 2022. Nossa reportagem conversou com Edison Alves da Rocha, chefe do serviço de Vigilância Ambiental de Erechim, que esclarece. “Nós temos evidência que os bairros Centro, José Bonifácio, Bela Vista e Três Vendas possuíram o maior índice de infestação e volume de notificações de suspeita da doença no ano de 2022. Porém, todos os bairros apresentaram infestação pelo mosquito, devendo intensificar os cuidados nas residências, pois o mosquito está espalhado por toda a cidade e pode causar doença em qualquer bairro. Não existe bairro em Erechim que não tenha o mosquito”, aponta.

“Temos que nos unir para diminuir o estrago que essa doença pode trazer”

Para Edison, é fundamental que as campanhas preventivas sejam realizas inclusive nas escolas, como vem acontecendo na Capital da Amizade. “O papel das crianças têm uma importância fundamental, visto que elas recebem o conhecimento na escola, vão para casa e dividem essas informações com os pais e a família. De certa forma, acabam se tornando fiscais das próprias residências, buscando pôr em prática o que aprenderam. Vistoriam, procuram eliminar todos os criadouros e também ficam mais no 'pé' dos pais para terem esse cuidado”, enfatiza.

“Fizemos esse trabalho de passar pela cidade, mas não conseguimos estar toda a semana na casa de todos os cidadãos de Erechim. É de fundamental importância que cada um faça sua parte e cuide da sua casa, para que possamos impedir que o mosquito nasça”

 

Principais sintomas da dengue

Sobre os principais sintomas que a doença pode causar, segundo Rocha, está a febre alta repentina, aliada sempre a dois ou mais sintomas, como dores no corpo, articulações, náuseas, vômitos, dor atrás dos olhos ou manchas avermelhadas na pele. “Sempre que houver indício de algum desses sintomas é muito importante que a população procure de imediato a UBS mais próxima para que sejam tomados os devidos cuidados e feita a coleta do exame. Posteriormente, nós somos notificados e realizamos esse trabalho de remoção mecânica e química nos locais mais próximos, para que se caso esse exame venha a ser positivo, não haja no entorno possíveis mosquitos que possam picar as pessoas, se contaminar e acabar propagando a doença”, alerta.

Apelo

Mesmo que ainda não haja casos confirmados, conforme a equipe de vigilância, o momento é de atenção e cautela. “No verão, o maior número de água acumulada e calor faz com que a proliferação seja muito rápida e o número de casos da doença aumente. O único modo de evitar que se espalhe é evitando que o mosquito nasça e para isso cada um precisa fazer a sua parte, em sua casa, eliminando os possíveis criadouros. Fizemos esse trabalho, passamos pela cidade, mas não conseguimos estar toda a semana na casa de todos os cidadãos de Erechim. É de fundamental importância que cada um faça sua parte e cuide da sua casa, para que possamos evitar que o mosquito nasça. Infelizmente muita gente não tem consciência de quanto à dengue é grave e pode matar. Temos que nos unir para diminuir o estrago que essa doença pode trazer”, apela a equipe de profissionais.

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