As alegres comemorações alemãs tiveram uma grande ressonância no espírito dos brasileiros, que gostam de festejar entre parentes e amigos, com muitos brindes calorosos, os momentos felizes de suas vidas.
REMINISCÊNCIAS
Os costumes alemães, principalmente os da boa mesa, foram mesclando-se com os da cultura brasileira. Enquanto alguns povos misturavam-se completamente, os alemães tiveram sempre uma forte individualidade, havendo muitas cidades do sul do Brasil, até hoje marcadas fortemente por sua presença. Isto não impediu que atraíssem para a sua cultura a simpatia do povo anfitrião. Os costumes refletem a luta pela sobrevivência do ser humano que utiliza os recursos disponíveis, no seu habitat, para desenvolver sua prole e sua etnia. Isso aconteceu com os descendentes de uma pequena e muito pobre região da Alemanha, chamada Hunsrück, que enviou, desde 1824 até o final do século XIX, o maior contigente de imigrantes alemães para o Rio Grande do Sul.
IMIGRANTES ALEMÃES E O CASAMENTO
Os imigrantes continuaram com os mesmos costumes da sua terra de origem: o Hunsrück. O casamento era precedido pelo CONTRATO DE CASAMENTO e pelo NOIVADO.
Se um rapaz pretendesse se casar, ele escolhia um amigo como “padrinho de casamento” - o Freiermann. Portanto, quando dois homens chegavam a um povoado, num domingo, vestindo lenços brancos, todos já sabiam: são casamenteiros. Eles andavam olhando as propriedades e os estábulos. Faziam perguntas interesseiras.
PROPOSTA DE CASAMENTO
Caso os pretendentes tivessem sorte com a sua Proposta, a eles era servido, conforme costumes muito antigos: Toucinho e Ovos Fritos. Mas, se lhes fosse oferecido: Pão, Queijo e Aguardente, então todos sabiam, sem grandes rodeios, que o pretendente não tinha tido chance. “Kätche, minha filha, os pretendentes estão aí, frita ovos para eles, para ficarem aqui”.
CONTRATO DE CASAMENTO
O Contrato de Casamento era comemorado. O padrinho fazia um discurso e, de acordo com antigos costumes, o noivo colocava uma moeda na mão da noiva- o Handgeld. Estas festas foram muito luxuriantes e a Igreja as proibiu no século XVII. Sem tanta cerimônia, passaram a servir apenas: Pão, Manteiga, Queijo, Vinho e Cerveja. Antes da Cerimônia do Casamento, os noivos faziam uma preparação de três encontros, na Igreja, aos domingos.
FESTA DE CASAMENTO- O HOCHZEIT- O ALMOÇO
Historiadores relatam como era rica e farta a mesa da Festa. “CHUCRUTE tão amarelo como limão, carne de porco com toucinho da altura de uma mão. Linguiça e assado de porco. Bolo branco com merengue. Em qualquer canto da cozinha, vinho e cerveja nas jarras, tanto quanto cada um quiser. A Festa era sempre no almoço, nunca em jantar: Chucrute, Carne de porco defumada, Toucinho com listras de carne, Raiz forte doce, Feijão branco. Doces: Bolos variados, Sonhos fritos, Doces de abóbora e Frutas em compota ou desidratadas. Bules enormes com um bom café para o meio da tarde”. A batata não era muito comum, dava lugar ao feijão e à ervilha como acompanhamento. A combinação desses pratos era tão perfeita que atraía sempre muitos convidados.
O CAFÉ DA TARDE
Era um evento muito importante na Festa. As donas de casa, principalmente as mais idosas, eram as encarregadas. Grandes mesas eram arrumadas e nelas serviam o café e os doces. Não podia faltar o Apfelkuchen- Cuca de maçã, o Pão de milho colonial de casca grossa com Keeschmia=requeijão ou Quark e os Peffernüss= biscoitos. Schimier com Pão preto e Cucas com vários recheios. Tudo acompanhado por um bom café servido em grandes bules.
INTRODUÇÃO DA BATATA
A batata, na Alemanha, foi introduzida a partir de 1723. A batata, o milho e o tomate são originários da América do Sul. A batata era principalmente cultivada no Peru e na Bolívia, tendo sido levada para a Europa pelos espanhóis, na segunda metade do século XVI. O nome “batata inglesa”, se deve ao fato de terem sido os irlandeses os primeiros a plantá-la na Europa e os ingleses foram os que a difundiram pelos continentes. Os imigrantes trouxeram consigo algumas batatas. Mas, não foi muito fácil conseguirem boas colheitas. As pragas as dizimavam.
CONCLUSÃO
Logo no início, os casamentos eram realizados entre os que viviam em pequenas comunidades próximas ou mesmo entre parentes. Viviam num interior, quase isolados por florestas, sem estradas, tudo devia ser feito a partir do zero. O isolamento foi quebrado pelos rios e isso somente nas colônias que os possuíam. Nove décimos dos imigrantes alemães e seus descendentes eram agricultores e a agricultura entre 1824 e 1875, antes da chegada dos imigrantes italianos, era exclusivamente obra deles. Às vésperas da II Guerra Mundial forneciam dois terços da produção agrícola do RS. FROHES NEUES JAHR- 2023!