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Opinião

Festa do Milho – 1940 (I)

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Henrique Trizoto
Por Henrique Trizoto
Foto Divulgação

Durante uma das costumeiras conversas com o cicerone do Arquivo Histórico Municipal Juarez Miguel Illa Font o professor e memorialista Enori Chiaparini, em que eu expunha minhas (ou falta de) ideias sobre o que escrever para a coluna, ele solta: “Henrique, escreva sobre a Festa do Milho de 1940, existe pouca produção a respeito”. Lá foi este escriba pesquisar o jornal Diário de Notícias de Porto Alegre, e, na data de 17 agosto de 1940 encontro sete páginas cheias sobre a “4ª Exposição estadual do Milho, realizada em José Bonifácio – 3 dias de vibrante documentário sobre o progresso material daquele rico município”.

A ampla cobertura gerou um suplemento especial do Jornal, cuja primeira manchete já dava a linha do que seria a cobertura “Com o esforço fecundo do trabalho perseverante José Bonifácio Constrói a opulência da sua riqueza”. A primeira matéria, que nos debruçaremos neste espaço é “Clarinda de trabalho e progresso” por Roni Lopes de Almeida. O primeiro apontamento importante é quando José Bonifácio foi escolhida como sede: “Grande produtor de milho, o município de José Bonifácio foi escolhido em julho de 1939 na Exposição de Lageado para sede do próximo certame”.

Na sequência, o autor destaca os resultados: “O êxito, sob ponto de vista técnico e a significação das solenidades preparadas excedeu a toda e qualquer expectativa”. Com relação à estrutura e a amplitude do evento, temos: “Realizada a exposição em local amplo, organizada com apurado gosto e requinte de organização agronômica 33 municípios, representando todas as zonas Produtoras do estado com nada menos de 1258 mostruários, suplantaram qualquer certame congênere até hoje celebrado no Brasil”

O autor ainda aponta um elemento que acabou não se consolidando “a excelência dos produtos apresentados foi um motivo de justíssimo olho para quantos se consagraram a cultura do milho e veio demonstrar que em outra ocasião próxima teremos atingido 1° de perfeição quase absoluta”

 Tendo em vista que nas décadas seguintes, estados como Paraná, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul suplantaram o estado do Rio Grande do Sul, que gradualmente passou a produção do trigo (Erechim sediou a 3ª Festa Nacional do Trigo)

Na ocasião, a secretaria de agricultura do estado distribuiu mais de 100 prêmios e de sementes selecionadas oriundas de seus campos experimentais em Cruz Alta, Bagé e Itaquari. Nos discursos vemos ainda o olhar acerca da cidade: “as visitas da caravana oficial vieram depois demonstrar que não só o milho era o ouro daquela terra privilegiada, a madeira abundante, a banha e o porco exportado em pé, o trigo, o cânhamo, o linho, a uva e tantos outros produtos básicos da indústria rio-grandense, e juntamente com grandes fábricas importam na grandeza de uma região que deixou de ser apenas um município para provocar a atenção dos governantes”.

Separamos dois itens desta matéria para serem debatidos no próximo artigo, para que este não excedesse o tamanho. Todavia, é importante perceber que a cidade de José Bonifácio (Erechim), se consolidava naquele período como expoente econômico no Estado. Portanto, sustenta-se a tese de que o planejamento urbano e a proposta da pequena propriedade foram o diferencial para o crescimento da cidade. Esta tese, todavia, apresenta elementos que devem ser problematizados, mas que não cabem neste momento. 

Fonte:

ALMEIDA, Roni Lopes de. Clarinda de trabalho e progresso. Jornal Diário de Notícias, Porto Alegre, 17/08/1940, p.

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