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Opinião

Reflexões de um escriba

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Henrique Trizoto
Por Henrique Trizoto
Foto Divulgação

Na coluna de 12, 13, 14 de novembro de 2022 intitulada Contribuições dos Arquivos Históricos para o ensino de História II, encerrei o texto com a seguinte assertiva: “Ou seja, a complexidade das relações apontadas, principalmente por Jorg Rüsen, nos permite perceber a importância do desenvolvimento de ferramentas, estratégias para conduzir o processo de ensino aprendizagem na área da História. Principalmente quando estamos fora dos ambientes formais de educação. Ao mesmo tempo, enquanto gestor de um ambiente não formal de educação, permito-me diversificar as abordagens sobre um mesmo objeto de estudo, afinal, turmas de Pré B da educação infantil até turmas universitárias ou de pós-graduação acessam o espaço. E de acordo com o nível educacional estruturamos as atividades e a complexidade da abordagem”.

Para encerrar este primeiro ciclo de colunas, quero retomar este trecho acima para tecer uma reflexão sobre os anos de 2021 e 2022. A presente coluna é a 105ª inserção desde 21 de fevereiro de 2021, nelas, abordamos temáticas relacionadas a história local, memória, ensino e pesquisa, gestão de acervos e atividades produzidas pelo Arquivo Histórico Municipal Juarez Miguel Illa Font.

A proposta de escrever sobre história de Erechim é um desafio. Ultrapassar a perspectiva de uma história factual, dos grandes líderes e romanceada, exige tocar em temáticas normalmente restritas à academia. Ao mesmo tempo, em virtude do espaço, alguns elementos acabaram sendo divididos em partes, devido principalmente à sua extensão ou complexidade.

Estamos habituados a ler / ouvir passagens que se consolidaram como narrativa oficial da cidade. Trazer estes novos elementos para as páginas do jornal, contemplando novos atores e autores sociais é uma tarefa que exige levar a cabo o rigor metodológico. Com o cuidado de oferecer aos leitores a possibilidade de conhecerem e analisarem todos os pontos de vista possíveis sobre um determinado processo histórico (como ocorreu, por que ocorreu e o que acarretou).

Durante a recepção das turmas no Arquivo Histórico, o objetivo se manteve. A diferença reside / residiu na complexidade da abordagem realizada. Como possibilitar que as crianças compreendam que o Castelinho foi muito mais que a casa do Papai Noel ou do Coelhinho da Páscoa? Que o fator econômico estava diretamente ligado à ocupação da terra? Ou, que nestas plagas existiam negros, caboclos e indígenas antes dos nossos antepassados adentrarem a estas matas?

Como usar as ferramentas da educação patrimonial para compreenderem a importância dos monumentos depositados nas praças, largos e canteiros? Como trazer para o debate que todos os monumentos foram construídos em prol de uma narrativa, e que podemos trazer novas narrativas sem precisar demolir o que já está posto?

Em suma, nossa busca foi consolidar o Arquivo Histórico como um ambiente não formal de educação capaz de produzir reflexões para ajudar processo de construção da consciência histórica daqueles que visitam o espaço. Pensar em uma história vista de baixo, fruto das concepções teórico metodológicas da história do tempo presente, pode preocupar determinados grupos, mas, este tipo de análise se faz urgente e necessária.

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