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Opinião

Memórias de Viagem: Alemanha- Terra de Origens- Imigrantes Alemães (Parte VIII)

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Por Marlei Klein
Foto Divulgação

Foi valiosa a contribuição dada pelos que ostentam um nome de origem alemã. Souberam fazer-se dignos herdeiros da tradição de trabalho, de inteligência, de amor à terra, de responsabilidade social e comunitária, de religiosidade, de devoção à cultura e às artes em geral, que lhes legaram os seus ascendentes da legendária, culta e industriosa Alemanha.

Reminiscências

Os alemães marcaram o nosso Estado, em sua vida social, econômica, cultural e religiosa. Suas pequenas escolas surgiram sempre ao lado das capelas, onde o padre ou o pastor era o professor. Esse espaço também servia para a vida social e comunitária dos imigrantes. Construíram com fé, persistência e audácia este Rio Grande de riquezas e de progresso, que todos nós temos a ventura de desfrutar.

 

Presença da Igreja Evangélica

Na leva dos primeiros imigrantes alemães que aqui chegaram, 25 de Julho de 1824, encontravam-se alguns evangélicos. Sua fé, seus hinários e suas bíblias enfrentaram um ambiente em nada parecido com sua terra natal. Alguns pastores chegaram um tempo depois. A Igreja Evangélica organizou-se em clima de liberdade. O isolamento das comunidades fez surgir a ideia dos Sínodos. Sínodo significa convocação superior da ordem religiosa.

Com a enérgica determinação do Pastor Dr. Wilhelm Rotermund fundou-se o Sínodo Riograndense- isto é- sem confessionalismo restrito ou excludente, adotou compreensão ecumênica do sentido da Reforma- Lutero.

 

Sínodo Rio-Grandense

A necessidade de manter unidas as comunidades, fez surgir no Sínodo Rio-grandense a “Folha Dominical”, em 1888, com leituras e avisos para que todas as entidades religiosas mantivessem a mesma orientação. Durante muitos anos a Igreja Evangélica continuou a ser auxiliada pela “Igreja-Mãe”, da Alemanha. Os problemas provocados pelas duas guerras mundiais foram um desafio aos evangélicos e oportunizaram um crescimento interior da Igreja. Gradativamente as tarefas religiosas começaram a ser em conjunto. Surgiu a Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil – a I.E.C.L.B.

 

A I.E.C.L.B.

A Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, como Igreja de Jesus Cristo neste país, em harmonia com as demais Igrejas coirmãs, leva a Palavra de Deus ao povo brasileiro. Depois da chegada dos primeiros alemães, os evangélicos se multiplicaram. Desde 1968, tornou-se Igreja unificada, com maiores recursos materiais e espirituais, levou adiante sua obra evangelizadora. Assiste social e espiritualmente os índios, desenvolve a alfabetização, atende a infância, a velhice, os presidiários. Semanalmente, as senhoras, em suas igrejas, reúnem-se para fazer trabalho artesanal, cuja renda reverterá em benefícios. Organizam encontros sociais- chás ou jantares com o mesmo objetivo.

 

Associação Beneficente e Educacional de 1858

A Sociedade tinha por objetivo auxiliar todos os alemães necessitados ou pessoas de origem alemã. Numa época em que não existia qualquer forma de assistência oficializada, com grande dose de idealismo, praticava uma ajuda social além da sua época. Custeava também enterros e sepultamentos. O capital da entidade   provinha de coletas e mensalidades. Já pensavam em construir um hospital para a colônia alemã. Foi o início do Hospital Moinhos de Vento. Em 1910, a Sociedade adquiriu um parque na então Rua D. Pedro II. Hoje, a atual SOGIPA, em Porto Alegre.          

 

Colégio Farroupilha

Em março de 1886, abre nas dependências da Comunidade Evangélica de Porto Alegre uma escola para meninos. No ano de 1893, foi lançada a pedra fundamental do colégio, onde hoje se localiza o Hotel Plaza São Rafael. Por 66 anos o majestoso edifício abrigou a Escola de Meninos, o Ginásio Teuto Brasileiro Farroupilha. Depois foi criada a Escola de Meninas. A Escola era uma das melhores do Estado. Em 1906, seis alunos seus fundaram o “Ruder Verein Freundschaft” hoje o Grêmio Náutico União. A Sociedade possuía uma área na Av. Protásio Alves- Porto Alegre- denominada “Chácara das Três Figueiras”. Foram loteados terrenos para a venda e estes foram a origem do excelente bairro “Três Figueiras”. Ali, em março de 1962, foi inaugurada a nova sede do Colégio Farroupilha.

 

A tragédia dos Muckers

Ao pé do Morro do Ferrabrás- Sapiranga- vivia um jovem casal: João Jorge Maurer e Jacobina Mentz, aqui nascidos. O marido era analfabeto, mas ladino e insinuante à procura de meio menos penoso de ganhar a vida. Aprendeu a preparar remédios com ervas nativas e passou a receitá-los. A jovem esposa mal sabia ler impressos e possuía tendência ao misticismo. Convenceu-se de estar possuída pelo espírito divino e deu para interpretar a Bíblia criando uma nova seita. Em breve, a morada se converteu em ponto de busca para alívio de males do corpo e do espírito. Em 1873, a pedido do pastor e de moradores, a polícia interviu. Prendeu o casal, mas logo os libertou. Proibiu a continuação das pregações. Mas, eles prosseguiram. O inspetor que os vigiava sofreu um atentado a bala pelo grupo dos fanáticos. Muitos foram presos e logo soltos. Um grupo foi ao Rio de Janeiro para queixar-se ao Imperador de perseguição das autoridades. Em 1874, um jovem de 16 anos foi morto dentro de sua casa. A morada de um colono foi incendiada e a família exterminada nas chamas. Esses crimes foram atribuídos, por vingança, a Jacobina. Nesse mesmo ano, em 24 de junho, grupos de fanáticos incendiaram mais de uma dezena de casas em Sapiranga e Campo Bom. Assassinaram crianças e velhos. Impotente para restabelecer a ordem e garantir vidas e bens, a polícia apelou para o Exército. Começou uma guerra de extermínio. Morreram militares e colonos voluntários. Em 2 de agosto, a tragédia acabou com a morte de Jacobina e alguns de seus seguidores. O marido fugiu para o mato, onde suicidou-se.

Conclusão

“Mucker” significa “Santarrão” e a seita brotou com reação à degeneração de costumes, que diziam estar ocorrendo na Igreja pela ausência de liderança no Protestantismo.

 

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