14°C
Erechim,RS
Previsão completa
0°C
Erechim,RS
Previsão completa

Saúde

Dezembro Laranja: mês de conscientização sobre o câncer de pele

A médica cooperada da Unimed Erechim, dermatologista Ariane Sponchiado Assoni, fala sobre o assunto e dá dicas importantes de como se proteger

teste
Dermatologista, Ariane Sponchiado Assoni, médica cooperada da Unimed Erechim: “É importante criar um
Por Redação
Foto Joi Zamboni

O câncer da pele responde por 33% de todos os diagnósticos desta doença no Brasil. O Instituto Nacional do Câncer registra, a cada ano, cerca de 185 mil novos casos. Para fortalecer a educação em saúde, esclarecer algumas dúvidas e passar informações seguras, o Jornal e TV Bom Dia conversou com a dermatologista, Ariane Sponchiado Assoni, médica cooperada da Unimed Erechim para falar sobre o Dezembro Laranja.


 

Qual a importância de ter um mês dedicado ao câncer de pele?

 

Ariane: O mês de conscientização do câncer de pele é muito importante para orientar as pessoas sobre a proteção solar. Sabemos que muitos tipos conseguem ser prevenidos por meio da proteção solar, então o principal objetivo da campanha é orientar os pacientes a procurar um médico quando têm uma lesão diferente, que cresceu. Conscientizar as pessoas que existe o câncer de pele e ele é muito relevante, e orientar a se protegerem do sol é fundamental, não apenas no verão, mas o ano todo.

 

Na nossa região quais são os tipos de câncer de pele mais comuns?

 

Ariane: Existem dois mais comuns. O primeiro que é o carcenoma basocelular e o carcenoma espinocelular, que é o segundo. O carcenoma basocelular é uma ferida que surge no nariz, no rosto, em áreas principalmente que são expostas ao sol, e se diagnosticado precocemente é altamente curável. Operamos, tratamos e ele pode ser cessado tranquilamente. Existe outro que é o carcenoma espinocelular, que acomete mais a região da boca e orelhas e se diagnosticado precocemente, também é curável. Muito importante, manchinhas, lesões frequentes, se surgirem e não cicatrizarem, o ideal é procurar um atendimento, pois assim pode ser resolvido o mais breve possível.

 

Além desses tipos de câncer de pele, há aqueles que são mais letais?

Ariane: Existe um terceiro que é muito importante falar, um pouco mais raro, que é o melanoma, apresentando pintas pretas, manchas escuras, que crescem e se modificam. Às vezes manchas lisas, sem alteração de revelo, mas em várias cores e com evoluções ao longo do tempo. Pacientes mais velhos que têm alguma pintinha que mudou, não é normal. Várias cores, assimetria, evolução, sangramento, dor na lesão, não é comum. O melanoma é menos frequente, mas tem uma letalidade maior. Mas se diagnosticado precocemente também é curável.

 

 Como deve ser feito o autoexame e com que frequência? Quais as manchas ou pintas que merecem a nossa atenção e que podem ser câncer de pele?

Ariane: Sempre orientamos os pacientes a se conhecerem. O órgão maior do corpo humano é a pele, por isso o ideal é com frequência nos olharmos. Uma vez por semana, sem roupa e na frente do espelho. Observe se alguma pintinha mudou, se cresceu e ou surgiu alguma nova. Qualquer alteração é preciso procurar um médico. O ideal é fazer uma revisão de pele, da cabeça aos pés, e procurar um médico uma vez ano.

Como é realizado o diagnóstico do câncer de pele?

 

Ariane: Na consulta clínica, o dermatologista olhando a questão, já tem uma ideia. Existe um aparelho que chamamos de dermatoscópio que é uma lâmpada de aumento que nos diz várias características sugestivas de câncer de pele. A partir do momento em que existe a possibilidade, extraímos um pedaço da lesão ou toda ela, e encaminhamos para um exame anatomopatológico, que dá o diagnóstico definitivo. Então a partir da suspeita, fizemos a dermatoscopia, e quando tem uma chance grande de ser, fizemos a biópsia para confirmar.

Qual é o fator de protetor solar mais indicado? E em quanto tempo deve-se reaplicar?

 

Ariane: O ideal é sempre o fator de proteção acima de 30. No rosto se puder, o recomendável é optar por 50, 60 ou 70, melhor ainda. O importante é a adaptação à textura. Eles não modificam tanto em questão de proteção solar. Tem pessoas que possuem a pele mais oleosa e não gostam de usar o protetor que usam no corpo, porque acham que fica grudento. Existem protetores para o rosto para pele oleosa, seca, anti-idade - que ajuda no pigmento. O produto faz uma associação para outras questões e ajuda na proteção, que é o mais importante. Lembrando que orelhas, pescoço e nuca também merecem atenção, pois são regiões que ficam expostas. É sempre importante ressaltar que todas as áreas precisam de proteção.

 

Existem outras formas de proteção?

 

Ariane: Existe proteção física, como boné, chapéu, blusa de manga comprida e guarda sol. É fundamental também monitorar o horário para se expor ao sol, que é antes das 10 horas e depois das 16. Evitar os horários de pico em que o sol está muito forte, causando queimaduras.

 

Sobre o tratamento, quais os indicados?

 

Ariane: O tratamento varia de acordo com o tipo de câncer, de como ele está acometido e qual região. No geral quase sempre é cirúrgico, removendo a lesão. Existem alguns tipos de carcenoma basocelular que não precisam de cirurgia, pode ser feito apenas um tratamento com uma pomada específica, mas tudo tem que ser avaliado caso a caso. Dependendo o grau do acometimento, as vezes é necessário fazer radioterapia, imunoterapia, dependendo da gravidade. Se pequeno e diagnosticado precocemente, com uma cirurgia e remoção completa, está curado.

 

Qualquer pessoa pode desenvolver um câncer de pele?

 

Ariane: Todas as pessoas, inclusive cada faixa etária tem um tipo mais comum de câncer de pele. Negros costumam desenvolver nas palmas da mão e nas plantas dos pés. Mas claro, pessoas com a pele branca, olhos claros, ruivos, que se queimam com facilidade, têm um fator de risco um pouco maior para ter câncer de pele, então é preciso caprichar no protetor solar.

Qual a importância do cuidado com a exposição solar desde a infância?

Ariane: É importante criar um hábito de proteção solar desde pequeno. A queimadura solar na infância aumenta o risco de câncer de pele, então a proteção é muito importante. Sabemos que é difícil passar e reaplicar protetor na criança de tempo em tempo, por isso é fundamental usar barreiras físicas como camiseta, chapéu e boné. Evitar a queimadura solar na infância, evita alguns tipos de câncer de pele na fase adulta.

Leia também

Publicidade

Blog dos Colunistas