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Opinião

Memórias de Viagem: Alemanha- Terra de Origens- Imigrantes Alemães no RS (Parte VII)

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Por Marlei Klein
Foto Divulgação

Depois de ter chegado à convicção de que, em princípio, a colonização alemã seria útil ao desenvolvimento do sul do Brasil, o Governo Imperial permitiu a fundação de colônias particulares. Depois dos primeiros imigrantes, a partir de 1858, começaram a chegar pequenos agricultores. Pelo fato de não serem proprietários de terras, tornaram-se diaristas.

Reminiscências

Para iniciar a imigração alemã no Brasil, o governo brasileiro ofereceu: passagem paga, concessão de cidadania, concessão de lotes de terra livres e desimpedidos, suprimento com primeiras necessidades, materiais de trabalho e animais, isenção de impostos por alguns anos e LIBERDADE DE CULTO. Da primeira leva de imigrantes chegada faziam parte católicos e evangélicos.

Imigrantes Alemães e a Igreja Católica

Quando em 1824 em diante, vieram para o Rio Grande os imigrantes alemães, parte representativa deles achava-se filiada à Igreja Romana. Aqui chegados, pensaram em encontrar assistência sacerdotal-religiosa. Isso em atenção às promessas previamente feitas e pelo fato do país de sua escolha ter então como religião oficial o catolicismo.

A Igreja Católica nessa época

Por vários motivos aconteceu uma decepção inicial. O clero daqui, além de reduzido numericamente, parecia muito diferente dos sacerdotes da mãe-pátria. Devido às dificuldades linguísticas, não podia pregar-lhes os consolos da Palavra de Deus. O povo nativo dizia-se católico, mas não dava mostras de verdadeira fé e prática religiosas. Tudo isso mostrou uma imagem pouco satisfatória para quem havia experimentado uma Igreja melhor. Como resultado o colono teuto sentia-se desolado no meio da mata e sinceramente desejoso de um verdadeiro apoio pastoral. 

Legado da fé

Mas, não desanimaram. Procuraram salvar o precioso legado de sua fé pela reza diária em família e, aos domingos e dias festivos, através das devoções comunitárias, dirigidas, em geral, pelo professor local. Este estado de coisas perdurou durante 25 anos. Em 1849, os colonos católicos conseguiram os seus primeiros missionários de língua alemã. Muito fácil de compreender o regozijo que então tomou conta deles.                    

Sacerdotes católicos

Em 1858, veio uma nova leva de sacerdotes jesuítas, desta vez da própria Alemanha. Outras levas se seguiram, até conseguir-se, com o correr dos tempos, cerca de 300 religiosos da Companhia de Jesus, entre sacerdotes, estudantes e Irmãos Leigos. Com a chegada deles aconteceu uma melhor assistência religiosa para a colônia alemã e da própria população lusa. Os efeitos resultaram em: ressurreição da vida religiosa e católica, organização eclesiástica das comunidades paroquiais filiadas e formação de muitas vocações sacerdotais e religiosas. Surgiram várias fundações de caráter social, que os colonos alemães devem à Igreja. Os Jesuítas figuram entre os fatores integrativos do progresso intelectual moral e social do Rio Grande. Isso se deve, em boa parte, à presença diuturna de Jesuítas alemães em nosso Estado.

Colégio Anchieta

Como obra educacional da Província Sulbrasileira da Companhia de Jesus, o Colégio Anchieta enraíza a sua origem, com fortes vínculos à imigração alemã. Seus primeiros diretores e professores quase todos eram alemães natos que, sob a bandeira de Santo Inácio, se radicaram no Rio Grande do Sul. Em janeiro de 1890, o Padre Francisco Trape, superior dos Jesuítas em Porto Alegre, abria uma escola para 40 meninos à Rua da Igreja, numa casa adquirida da Família Fialho. Um diretor: o Padre Francisco Trape, dois professores: padres Júlio Brinckmann e Guilherme Boehlers e 40 meninos formaram o primeiro corpo docente e discente do Colégio Anchieta.   

Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS)

Nos centenários prédios do antigo Colégio Nossa Senhora da Conceição de São Leopoldo, em 10 de dezembro de 1969, era inaugurada oficialmente a UNISINOS. Depois de muitos anos de expectativa e lutas, soma de esforços no campo educacional, que vinha de um século de tradição. A UNIVERSIDADE foi autorizada a funcionar e hoje dispõe de dezenas de cursos que procuram conduzir a pesquisa, o desenvolvimento das ciências, letras e artes na formação de profissionais dentro de uma perspectiva de sua região geo educacional, buscando integrar-se ao meio.

Santuário Sagrado Coração de Jesus

Está junto ao túmulo do Padre João B. Reus, em São Leopoldo. É considerado como um dos pontos de maior afluência de devoção religiosa e de interesse turístico. Tudo começou depois da morte do Padre Reus, um humilde sacerdote da Companhia de Jesus, filho de pais alemães. Alma boníssima e espírito voltado inteiramente para o amor ao próximo. Corre processo para sua canonização.  

Conclusão

Foi muito importante o papel da Igreja Católica durante os anos difíceis, que marcaram a presença dos primeiros imigrantes alemães no Rio Grande. Muito deve o agricultor à sua própria iniciativa nas colônias católicas e igualmente aos Jesuítas por seu trabalho abnegado.

 

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